SEGUNDO DOMINGO APÓS PENTECOSTES
18 de junho de 1995
1 Rs 8.(22-23, 27-30) 41-43
O tema central das leituras já se encontra expresso no Sl 117: Grande é a misericórdia do SENHOR para todos os povos (não somente para os judeus). Na leitura do Antigo Testamento, texto do presente estudo, Salomão pede que Deus atenda as orações que, no templo, os estrangeiros vierem a lhe dirigir. Na epístola, a salvação operada através do Cristo foi oferecida aos Gaiatas, que eram gentios. Eles a aceitaram, por isto "a ele seja a glória pelos séculos dos séculos" (Gl 1.5). No evangelho, o próprio Jesus atende o pedido de um gentio (centurião) e elogia sobremaneira a sua fé.
O contexto
O trecho de 1 Rs 8.41-43 faz parte da oração proferida por Salomão na ocasião festiva da dedicação do templo de Jerusalém. A construção deste santuário foi uma das grandes aspirações do rei Davi, seu pai, mas que este, por ordem do SENHOR, foi impedido de realizar. O seu descendente, este sim, iria concretizar esta aspiração (2 Sm 7.1-12). O que o SENHOR havia prometido, Salomão o reconhece, isto agora estava ali diante de seus olhos e diante dos olhos de todo o povo (w. 20,21).
Salomão "estendeu as mãos para os céus" (v. 22) em atitude de oração (Êx 9.29; SI 143.6), o que corresponde ao nosso juntar as mãos e dobrar a cabeça.
"Não há Deus como tu" (v. 23), nenhum outro deus agiu na história como o fez o Deus de Israel, dirigindo o curso dos acontecimentos de tal forma que suas promessas se cumpram à risca.
Vv. 27-30. Salomão reconhece que o SENHOR é Deus infinito, maior do que o universo e não poderia caber em nenhuma construção edificada pelo homem. Assim mesmo ele pede que o SENHOR, neste lugar, atenda as suas orações naquele instante bem como as que ele e o povo ali haveriam de fazer no futuro.
O pedido por perdão (v. 30) está numa posição de destaque, pois o homem pecador somente pode esperar ser atendido, caso seus pecados estiverem sido perdoados. O atendimento da oração começa com o perdão dos pe- cados. Jesus diz "se pedirdes alguma cousa ao Pai, ele vo-la concederá em meu nome" (Jo 16.23). Somente aquele que tiver fé em Jesus possui perdão e pode orar em o nome dele.
Até o v. 30 a oração de Salomão volta-se para temas gerais. A partir do v. 31 são abordados sete assuntos mais específicos que, quando fossem objeto de oração, Salomão pede que o SENHOR atenda, a saber, vv. 31,32 quanto a juramentos, vv. 33,34 quando Israel for subjugado por inimigos, vv. 35,36 quando não houver chuva,vv. 37-40 quando houver pragas, vv. 41-43 quando os estrangeiros orarem no templo, w. 44,45 quando Israel sair à guerra e vv. 46-50 quando aqueles que estiverem longe orarem voltados para Jerusalém e para o templo. Percebe-se que o afastamento da lei do SENHOR traz toda a sorte de males. À volta, necessariamente, precisará passar pelo arrependi- mento e pelo retorno ao SENHOR, confiando no seu perdão.
O texto
V. 41. Salomão tem como certo que estrangeiros virão a Jerusalém e irão orar no templo (Is 60.3). Este foi o caso do alto oficial de Candace, rainha dos etíopes (At 8.27). Moisés já havia permitido que os estrangeiros que viviam em Israel oferecessem sacrifícios da mesma forma como os israelitas (Nm 15.14). Salomão, refletindo sobre a estrutura desta construção, conclui que poderia durar séculos, avançando para dentro do Novo Testamento. Não conta com sua futura destruição.
V. 42. A maior parte deste versículo encontra-se entre parênteses, expli- cação da expressão "por amor do teu nome". Mais uma vez Salomão não pensa apenas nos feitos de Deus ao libertar Israel do Egito, mas profeti- camente enxerga para dentro do tempo do Novo Testamento, quando acon- teceria a salvação através do "cordeiro de Deus que tira o pecado do mundo". Não foi ali que manifestou Deus a "sua mão poderosa" e o seu "braço estendido" como nunca antes havia acontecido?
V. 43. O motivo pelo qual Deus deveria ouvir as orações dos estrangeiros era "a fim de que todos os povos da terra conheçam o teu nome, para te temerem como o teu povo Israel, e para saberem que esta casa, que eu edifiquei, é chamada pelo teu nome". Deus quer ser conhecido através de seus feitos de amor em favor de seu povo. Isto se refere tanto ao seu povo do Antigo quando do Novo Testamento. Portanto se o templo, como diz Salomão, é "chamado pelo teu nome", isto pressupõe um Deus que nele age. Por isso é que Deus deveria atender as orações dos estrangeiros. Esta é a confissão de Salomão, o SENHOR é um Deus vivo, atuante. O mesmo pensamento é expresso em Dt 28.10; 1 Rs 18.37; Jr 14.9 e Is 63.19. Deus atua, por excelência, através de sua Palavra. Por ela pecadores são conver- tidos a Jesus e se tornam povo de Deus, a sua igreja.
A salvação de todos os povos - este é o desejo de Deus. Quando os cristãos estão ocupados em divulgar o evangelho, eles estão fazendo exatamente aquilo que Deus deseja. É assim que podem dizer "Somos cooperadores de Deus” (lema da IELB).
Propostas homiléticas
Salomão roga ao SENHOR que atenda as orações daqueles que o invocam
1. Tanto de judeus
2. Como de gentios
IGREJA LUTERANA - NÚMERO 1 - 1 995
59
Oramos com Salomão
1. Que o SENHOR conduza os gentios ao arrependimento
2. Que os gentios confiem no amor perdoador de Deus através de Jesus
A salvação de todos os povos. Este é o desejo
1. De Deus
2. De Salomão
3. Da IELB
Christiano Joaquim Steyer
Igreja Luterana, Volume 54, Junho 1995, Nº01
14 de junho de 1998
Gálatas 1.1-10
Introdução
A Epístola aos Gálatas é considerada pelo reformador Martinho Lutero uma apologia vigorosa da doutrina da justificação pela fé. Igualmente o Reformador encontrou nesta carta uma defesa da liberdade cristá garantida no Evangelho contra a escravidão da Lei. Em última análise, em Gálatas temos uma fortaleza inexpugnável contra todo e qualquer ataque à essência própria do Evangelho - o senhorio amoroso de Jesus Cristo.
Texto
A Saudação 1.1-5
Diante de conceitos e preceitos judaizantes que estavam invadindo as igrejas da Galácia, o Apóstolo reafirma em primeiro lugar a origem de seu ministério apostólico. Estes judeus, para fazer valer sua "verdade", haviam colocado em xeque a origem divina do ministério de Paulo. Ele o faz de uma maneira singular: "Paulo, apóstolo, não da parte ..., nem por parte do homem algum, mas por Jesus Cristo, e por Deus o Pai, que o ressuscitou dentre os mortos " (v. 1).
Paulo chama a si mesmo "apóstolo de Jesus Cristo" e "por vontade de Deus", certamente para indicar seu ofício como chamado direto de Deus para ser seu embaixador. Só pode ser Apóstolo alguém que é chamado e comissionado diretamente por Deus. Os judaizantes haviam atacado o apostolado de Paulo, negando sua origem direta de Cristo.
Provavelmente o apóstolo, ao escrever as negativas "apóstolo, não da e nem por homens" (v.]), cita o que os próprios judaizantes estavam apregoando, entre os Gálatas, quanto a origem de seu ofício. O que pretendiam os judaizantes, em última análise, ao negarem a origem divina de seu apostolado? Sua pérfida intenção era fazer ver com quem estava a verdade. Só podia ser com eles, pois o apostolado de Paulo, sendo de origem humana, carecia de legitimidade. Enquanto sua "doutrina", com aparência de verdade, baseava-se no que o próprio Deus, por intermédio de seu servo Moisés, legara ao seu povo na lei. Agora podemos entender um pouco melhor o uso das negativas "não e nem por homem algum". Não eram os homens que o haviam comissionado para o apostolado. Ele não representava nenhum poder humano. A autoridade que dava respaldo a sua mensagem não era humana. O apóstolo coloca Jesus Cristo, ao lado de Deus Pai, como verdadeiro Deus. "Graça ... e paz da parte de Deus nosso Pai, e do Senhor Jesus Cristo ..." (v.3). O que já fizera no primeiro versículo, ele o reforça defendendo a legitimidade de sua missão. E ao defender a legitimidade divina de seu ministério apostólico, conseqüentemente a pregação, o ensino, a instrugáo, o conteúdo de que era portador era verdadeiro. É o que o apóstolo, de forma resumida mas sublime, coloca na saudaçáo. Aqui temos tudo o que Deus fez para resgatar os homens "da maldiçio da lei" (G1 3.13).
Vejamos, por partes: A quem cultuam os cristáos? A Jesus Cristo, o seu Senhor. O motivo para este culto é Jesus Cristo ser verdadeiro Deus que, na plenitude dos tempos, assume a natureza humana. A mensagem principal deste culto é o Senhor que vive. A centralidade de nossa fé cultual é: "..por Jesus Cristo, e por Deus Pai, que o ressuscitou dentre os mortos" (v.1). Sem a ressurreigão de Jesus Cristo, não teríamos nada para crer, estaríamos sem esperança no mundo, vivendo sob a maldiçáo da lei. Sem a ressurreição de Jesus Cristo, nosso evangelho seria huinano, portanto falso e falho como os homens, não haveria Igreja ou coinunháo de santos, pois permaneceríamos malditos em nossos delitos e pecados, não haveriam sacerdotes reais e nem santos ministros. Mas de fato Jesus Cristo ressuscitou para ratificar nosso resgate e reunir sob o Evangelho vivo um povo redimido. Mas para alguém ressuscitar é preciso que antes morra. A morte de cruz era a mais humilhante. Pois Cristo assumiu o que náo era dele: os pecados de todos. "Jesus Cristo ... se entregou a si mesmo pelos nossos pecados" (v.4). E em sua forma de Servo Sofredor, se humilhou, aceitando a morte de um crucificado (G1 3.1). Em tudo ele nos substitui, foi o homem perfeito e santo, único que cumpriu a lei em todas as suas formas e até suas últimas conseqüências. Ele é a encarnaçáo da graça salvadora de Deus o Pai, que traz nos braços de sua redenção muitos dons, entre os quais o melhor: a única e verdadeira paz, paz com Deus, paz com o próximo. Esta ordein não pode ser alterada, graga é o "favor Dei", ela é fundamental, e a paz é o maravilhoso resultado do amor de Jesus Cristo (v.3).
Toda esta ação salvífica em nosso favor tem um propósito. Deus em seu Evangelho o revela. Jesus Cristo tira, remove, livra dos pecados, que nos amarram a este tempo do mundo e nos condenam à morte eterna. Livres dos nossos pecados e, em conseqüência, libertos do mundo mau, pela graça de Deus ein Cristo, toda nossa vida será um culto, onde o tema permaniente é: "Glória seja dada pelos séculos dos séculos a Deus Pai, Filho e Espírito Santo" (v.5). Como povo de Deus, este é o nosso canto, ao qual diariamente acresceiitamos amim, sim, isto é certamente verdade.
A admoestação 1.6-10
A reprovaçao é conforme a clara informação que o apóstolo recebera do que estava acontecendo nas igrejas daquela região. Infidelidade para com aquele que em grande amor os chamou por sua graça da perdição para a salvação. E este não é outro a não ser Cristo, que é, ao mesmo tempo, verdadeiro Deus e verdadeiro homem. A centralidade do verdadeiro Evangelho é Cristo e sua açáo graciosa na salvaçao da humanidade. E é este Cristo que havia chamado os gálatas para sua santa vocação. Por isso, a admiraçáo e a urgente advertência do pastor preocupado com a grave infidelidade de seu povo para com o Evangelho que lhes anunciara. Este engano, que ocorreu entre os Gálatas, se repete também em nossos dias. Um evangelho diferente por vezes é oferecido, quando na realidade não há outro.
Neste caso apenas se retém o nome evangelho, sendo que Cristo com sua graça em sua morte expiatória é substituído pela lei, na forma de suas exigências. Assim, as obras da lei aparecem como meios de salvação. O povo aceita e aplaude, e como os gálatas, é enganado tão rápida e facilmente. Os judaizantes, também, tinham muito a dizer a respeito de Cristo quando o transformaram em outro Moisés. Assim, perverteram o próprio Evangelho, desacreditando a Cristo, para que os gálatas não o cressem mais como Senhor que os chamou a verdadeira liberdade (vv. 6 e 7).
Como apóstolo e representante de Cristo e de Deus, o Pai, Paulo pronuncia o veredito sobre os falsos pregadores: "seja anátema" ou "que seja maldito" ou ainda "seja amaldiçoado". Paulo repete o veredito que Jesus pronunciara contra os fariseus (Mt 23.13-39). E no texto de Mateus se observa este veredito especialmente nos vv. 15 e 33. Qualquer que promulgar um evangelho diferente e contrário é maldito, não porque nós o designamos como tal, mas porque Cristo o declara, e nós apenas repetimos o seu juízo. Os judaizantes conheciam o verdadeiro Evangelho. Conhecendo o Evangelho, determinaram em sua perversa açáo destruir este verdadeiro Evangelho. E o fizeram não se opondo ou perseguindo frontalmente este Evangelho. Mas usaram a maneira mais sórdida, que é própria de Satanás, falsificaram o Evangelho, pregando seus preceitos com aparência de "verdade".
O pregador, para preservar seu povo de falsos ensinamentos, deve sempre apontar para a essência do Evangelho verdadeiro, Cristo e sua obra redentora. O ensino que não tem em Cristo o seu começo, meio e fim, é falso. A palavra de qualquer criatura, mesmo que seja "um anjo vindo do céu", continua sendo palavra falível de criaturas. O verdadeiro Evangelho Palavra do Criador, portanto, a única capaz de, em meio a morte, criar Vida. Este Evangelho é a fonte da fé, norma de vida e autoridade decisiva na Igreja. Sua falsificaçáo é duplamente condenada, não só porque condena seus falsificadores, mas porque tanto estes, como os que Ihes derem crédito, estarão condenados ao inferno (vv. 8 e 9).
Poderíamos resumir a doxologia desta perícope, dizendo tão-somente que aquele que prega o autêntico Evangelho com certeza nem sempre vai agradar seus ouvintes. Partindo desta diretriz, o pastor deve estar ciente, ao anunciar a Palavra de Deus, que a reação nos ouvintes será de "cheiro de morte para morte" ... ou .... "aroma de vida para a vida" ... (2 Co 2.16).
Foi este pastor que os galatas encontraram em Paulo. Sua postura não mudara, era um homem sem medo, sem favoritismos, sem bajulaçóes. Esta postura do apóstolo foi uma prova contra a destruidora calúnia dos judaizantes. Em Paulo, encontraram no passado e podem perceber hoje, um homem com os olhos fitos somente em Deus e em Cristo. Assim, a doxologia termina como foi introduzida: "Paulo, apóstolo, náo da parte de homens, nem por intermédio de homem algum, mas por Jesus Cristo e por Deus Pai ..." ( v.1 ). A postura daquele que é servo de Cristo, com sua mensagem, seu trabalho não procurará o favor dos homens, como também jamais poderá alcançar o favor de Deus. O favor de Deus está no presente da salvaçáo, envolvido na graça de Cristo, revelada no Evangelho (v. 1 O).
Textos da Perícope
Lucas 7. 1- 10: No relato da cura do servo deste centuriáo, destacamos a admiraçáo positiva de Jesus, quanto a fé deste gentio (v. 9). Basta "uma palavra" ... tua Senhor ... "e o meu rapaz será curado" (v. 7). O contrário do que aconteceu com os gentios da galacia, que estavam num perigoso processo de abandono de seu primeiro amor, a graça de Cristo, revelada em sua Palavra que cura da terminalidade pecadora para a eternidade salvadora. Por isso justifica-se a admiraçáo negativa do apóstolo. O fato a ressaltar sempre é Cristo como essência e poder da sua Palavra transformadora.
Salmo 117: Nos lembra o motivo para nosso diário louvor, a misericórdia e a fidelidade do Senhor que é permamente. Israel era o portador desta mensagem aos gentios e a todos os povos do seu tempo.
1 Reis 8.(22-23,27-30) 41-43: Repete a universalidade da graça de Deus, que não se restringe a uma nação. "Ao estrangeiro ... que vier ... por amor de teu nome" (v. 41), ouve, ... para que todos te conheçam, temam e saibam onde teu nome é anunciado, na casa (igreja), que é chamada pelo teu nome" (v.43 ). Que grandioso significado tem esta verdade para o nosso Culto.
Nele Deus se faz presente em sua Palavra e sacramentos. Nosso culto é significativo não por vontade humana, mas pela presença amorosa de Deus Pai, Filho e Espírito Santo nos seus santos sacramentos.
Proposta homilética
Um só Evangelho
I. Centrado em Cristo
11. Kealizado por Cristo
111. Oferecido por Cristo.
Orlando N. Ott
Igreja Luterana, Volume 57, junho 1998, Volume 01