CASAMENTO JECA
(MN) - Cabo de Bassora, cadê sua fia? (PN) - Ieu que sei, uai? Quem tem quer saber disso é vóis micê!
(PN) - Ieu é qui sei, uai? Quem tem que sabê disso é vóis missê!
(MN) - Agora é tudo ieu! Quando ela era disimpidia se não derxava ieu falar nada!
(M1) - Carma genti! Seis pareci que iéda roça, brigando assim num velório!
(T1) - Derxa de sê boba muié, velório ié quando tem arguém duente, aqui tá todo mundo im pé.
(PN) - Eta gente boba sô! Velório ié interru, isso aqui é casório.
(M1) - Será que esse casá num chega não? Já tô ficando avliosa!
(MN) - Aprende lá a falá Cherisbrega! Num ié valiosa, ié preciosa!
(T1) - Seis pricisa di ir pra escola, num ié preciosa nem valiosa, ié anciosa! Seis ié um bandu de arfabeta.
(MN) - Sê tá ierrado Querosene, num ié arfabeto é anarfabeto.
(MD) - Iesses noivos num chega mais não? Já tô de calo nu jueio.
(PN) - Dona Tuberculosa dos horrores,. cadê seu fio? Eli tinha qui tá aqui antes da minha fia, eli num vai furgi não, num ié? (M1) - Carma, carma, si acha qui eli vai perderessa cumpadi?
(T1) - Oia lá cambada, a noiva tá chegando!
NOIVA - Oh genti, discurpa o atrazinho, mais ié qui ieu demoreia mi visti, ai fui corta um otário até aqui e acabei rasgando meu vistido numa moita de cerca-onça. Ai ieu vortei pra mode de remendá. Fico bom né mãe?
(PN) - Inda bem qui vai casá viu, donde si viu minina, num ié otário ié ortário.
NOIVA - Vamo dexa de cunversa moli, ieu quero casar logo. Num guentu mais...
(MN) - Dexa di sê atrivida minina, num guenta mais u quê?Ieu ein!
NOIVA - I mãe, né nada disso não! Num guento mais é meu vistido tá apertando o fio du batata assada.
(PN) - U quê! Aqueli mulequi ieu vo matar ele i tomém ocê.
(M1) - Qui isso cabo di bassora? Eis num vai casá hoje? (PN) - Vamu ve si casa mermo, sinão!...
NOIVA - Purque o batata assada num chegô? A minha nossa! Agora eu tô prenha i aquele disgraçdo mi foge da baia.
(M1) - Vixe, to vendo qui meu fio vai casa com uma disistudada, num ié baia sua boba! É raia!
(MN) - I ocê é lá arguém prá corrigi minha fia? Figui sabendo que ela estudo nas oropa!
(md) - Tuberculosa dos horrores, o que oce acha disso ein? Casá aumentada, isso num ié certo não... Poca cegonha né?
Noiva - Ei num ié poca cegonha, é poca vergonha. Ah! minha nossa já to ganhabdo cocera nas canelas, e nada do batata assada aparecê. (MD) - Ô minina assanhada né? Se fosse meu fio num dexava casá não!
(M1) - É mermo. Tá parecendo aquelas pinha da cidade que só pensa naquilo.
Padre - Vamo pará de fazê fofoca. ieu num aceito fofoca na minha igreja!
(MD) - Intào porque oce fica falando prus otru , tudo aqui iscuta na sacristia?
Padre - Fica queta muié! que que os otro num vai pensá?
Todos - Ocê num falô nada daquilo que ieu ti confessei não, num ié padre?
Padre - Não claro que Não, só falei algumas coisinhas pra chirisbrega.
(MN) - I ieu guardei tudinho padre, só falei pra creuzení. (MD) - I ieu só falei pra minha vizinha.
(T1) - Óia lá genti, u noivu tá chegando, só qui tem arguém puxando eli cuma corda....
Noiva - Batata assada, ocê veio omê! Pensei que eu ia s^mãe sortera.
(PN) - Sorta esse disgraçado, sê vai casá por bem ou num é? Noivo - Ló.. Ló.. lógico, qui qui sim.
Noiva - Ai amorzinho, pensei qui ocê num gustava mais di mim, cumê qui eu só boba né!
Padre - Bem! Já que estão todos aqui, vamos iniciar o casório. (T1) - Tomém acho, esse casório já tá auterado.
(M1) - Querosene, decha de sê burro omê, num é auterado, é atrazado.
(T1) - Óia aqui dona Tuberculose dos Orrores, sê para de fazer ieu passá vergonha nu meio dos otru. Senão...
(PN) - Senão u quê? Ein querosene? (T1) - Sinão eru fico acanhado uai.
Padre - por favor, silêncio. os noivos se aproxeguem.
(T1) - Seu vigário, descurpe a entrometução, mais num é aproxeguem, é aproximem.
Padre - Obrigado seu Querosene, mais num é entrometução também não, é intromição, seu corno.
Se aproximem por favor.
Senhoras e senhores aqui presentes, estamos aqui mpara testemunhar este tão abençoado nó-de-ternura.
(T1) - Espera aí, não é ieu qui só testemunho, pra que ocê tá falando que eis é tistimunha? Sí ieu num sou tistimunha eu vô embora...
Noiva- Carma seu querosene . O sinhor tomém é tistimunha.
(T1) - Uai, mais eis tomém num é? Intão eieu vô pru meio deis uai. (Pn) - Seu querosene venha cá (coxixa) intendeu?
(T1) - AH! Agora sim ,pode continuar seu Vigário. PADRE - Bem, é ... Estamos aqui para testemunhar esse nó-de-ternura ...
Noiva - Espera ai, que negócio é esse de nó-de-ternura? Porque que com todo mundo é laço-de-ternura, e comigo é nó. Porque em?! (PN) - Éisso mermo minha fia, pruque ein padre?
PADRE - Calminha, calminha, eu posso até falar laço, mas ela já fez o nó. Estamos aqui para testemunhar esse ... laço ... de-ternura, que foi abencóado pela arminha do seu cabo de vassoura-quebrado.
(MD) - Vamo logo cum isso, seu Vigário, já tô cum fome, e aquele churrasco ali, tá me dando até nó no istomago.
PADRE - Muito bem! Lâmpada, Lamparina, Lampião da vela Acesa, ocê aceita casar com Batata Assada das encruzilhadas, prometendo com isso dividir todas as suas tristezas, alegrias, dores e mau feitos do marido?
Noiva - SIM,SIM e SIM! PADRE - Prometes também segui todos os passos do maarido?
(PN) - Epa! Espera ai, minha fia num vai seguir todos os passo desse cabra não!
PADRE - Uai, mas porque não seu Cabo de Vassoura Quebrado? (PN) - Esse disgracádo e’carteiro, e minha fia num vai andar com ele não.
(MN) - Dexa de sê corno homê, segui us passo é modo de falar. (PN) - A bom, intão podei cuntinuá.
PADRE - Muito bem, então prometis? Noiva - SIM!
PADRE - Seu Batata Assada das Encruzilhadas: Noivo - Pois não!
Padre - Ocê aceita casá com Lâmpada, Lamparina, Lampião da vela acesa, prometendo com isso dividir todas as suas elegrias e tristezas com ela, inclusive o seu dinheiro? (Noivo desmaia)
Noiva - A minha nossa! Só me fartava essa hoje! Acorda Batata assada!, acorda. Vamo gente arguém corre e busca um barde d’água bem fria!
(PN) - Não precisa não! Sai prá lá Vela Acesa, eu vô acordar esse cabloco agora! ( Aponta uma espingarda pra ele ).
Se ocê não levantá agora, num levanta nunca mais, bicho ruim!
Noivo - Nossa me deu uma tontera num sabe?.... Mas já passou. Padre E então, aceita ou não?
Noivo - O quê? (PN) - Dividí o dinhero Noivo - Acho que sim.
Padre - Então ieu vos considero marido e muié prá sempre.... Até que o dinheiro acabe. O noivo pode beijar a mão da noiva. ( O noivo dá um bijo rápido e sai andando)
Noiva - Espera aí Batata esse beijo num valeu não, eu quero um beijo demorado....
( o noivo sai correndo, e a noiva atráz dele gritando : Volta aqui......) (PN) - Ieu vô matá esse cabloco!
( Ele sai correndo atráz de sua filha, e todos saem desesperados tentando impedir uma tragédia)
Padre - Bem no fundo eles acabam se entendendo, porque em briga de marido e muié, sempre tem um sogro ou uma sogra pra resolvê...
E todos ocês estão convidados prá comê e bebê água hoje, Faz parte do casamento num é?
Fim..........................