NATANAEL, O VERDADEIRO ISRAELITA (João 1.43-51).
Introdução:
A.“Ficando ele só; e lutou com ele um homem, até o romper do dia. Vendo este que não podia com ele, tocou-lhe na articulação da coxa; deslocou-se a junta da coxa de Jacó, na luta com o homem. Disse estes; Deixa-me ir, pois já rompeu o dia. Respondeu Jacó: Não te deixarei ir se me não abençoares. Perguntou-lhe, pois: Como te chamas? Ele respondeu: Jacó. Já não te chamarás Jacó, e sim ISRAEL, pois como príncipe lutaste com Deus e com os homens e prevaleceste. Tomou Jacó: Dize, rogo-te, como te chamas? Respondeu ele: Por que perguntas pelo meu nome? E o abençoou ali” (Gn 32.24-29).
Qual foi o milagre? O Jacó antes enganador, suplantador, foi transformado em Israel; o seu caráter foi modificado, tornou-se um verdadeiro israelita. Não é verdade que na linguagem dos Evangelhos, pode-se afirmar: Jacó nasceu de novo, ganhou nova vida?
B.A palavra de Jesus dirigida a Natanael não era uma bajulação. Ainda que com amor, o Senhor Jesus sempre foi muito franco nos seus relacionamentos com o homem. Basta ver o que disse ao jovem rico (Lc 18.18-19), a Nicodemos (Jô 3.1-2) e até aos próprios apóstolos: “À vista disto, muitos dos seus discípulos o abandonaram e já na andavam com ele. Então, perguntou Jesus aos doze: Porventura quereis também vós outros retirar-vos?” (Jo 6.66-67). Na realidade, ali estava um verdadeiro israelita, isto é, filho do novo Jacó, do novo concerto;
C.A lição objetiva mostrar, a partir da afirmação de Jesus: Eis um verdadeiro israelita em quem não há dolo...,” que não basta ser membro da igreja, ser ativista, rotular-se de crente poderoso. É preciso a experiência do novo nascimento que permita a Jesus afirmar de você: “Eis um verdadeiro crente!”
1. Filipe, o grande instrumento.
A.Não é possível estudar a vida de Natanael sem se falar de Filipe. Na verdade, ele foi o instrumento usado por Deus para o histórico e abençoado encontro de Natanael com Jesus: “Achamos aquele de quem Moisés escreveu na lei, e a quem se referiram os profetas: Jesus, o Nazareno, filho de José...” (Jo 1.45), falou Filipe.
B.A objetividade do convite de Jesus a Filipe foi impressionante. Aliás, foi mais do que um convite foi uma ordem: “Segue-me!” (João 1.43). Não houve apelos emocionais ou promessas mirabolantes. Foi uma ordem a ser obedecida. Filipe estava diante de uma pessoa a quem devia simplesmente obedecer.
C.Aprendemos com Filipe que o seguir a Jesus é dinâmico, é ação. É uma caminhada que não tira a pessoa do mundo, mas o convoca para testemunhar no mundo: “Eu lhes tenho dado a tua palavra, e o mundo os odiou, porque eles não são do mundo, como também eu não sou, não peço que os tido do mundo, e sim que os guarde do mal...” (João 17.14-15). Logo após o seu encontro com Jesus, Filipe levou Natanael. O registro bíblico apresenta uma seqüência maravilhosa no encaminhamento daqueles que resolveram seguir a Jesus.
“Eis o Cordeiro de Deus, que tira o pecado do mundo...” (Jo 1.29), falou João Batista; depois vieram André, Pedro, Filipe, e então Natanael.
II.Natanael, o Verdadeiro Israelita.
A.Natanael, presente de Deus, morava em Cana, cidade a uma légua e meia de Nazaré; ao encontra-lo, Filipe foi logo dizendo: “Achamos aquele de quem Moisés escreveu na lei, e quem se referiram os profetas, Jesus, o Nazareno, filho de José...” (João 1.45). As credenciais eram irrefutáveis, mas o ceticismo de Natanael o levou a inquirir: “De Nazaré pode sair alguma coisa boa?” João 1.46. Filipe não responde com argumentos, mas lança mão do instrumento mais poderoso para vencer a incredulidade, o testemunho: “Vem e vê!”.
B.Ao aproximar-se de Jesus, a declaração surpreendente: “Eis um verdadeiro israelita, em quem não há dolo...” (João 1.47). “Donde me conheces?” (João 1.48). A resposta foi mais surpreendente ainda: “Antes de Filipe te chamar, eu te vi, quando estavas embaixo da figueira...” (João 1.48). Bastou! Foi o suficiente. Natanael se rendeu à onisciência do Senhor Jesus: “Mestre, tu és o Filho de Deus, teu és o Rei de Israel...” (Jo 1.49).
C.Mas, por que “verdadeiro israelita?”. Porque não vasta pertencer a Israel: “E não pensemos que a palavra de Deus haja falhado, porque nem todos os de Israel são, de fato, israelitas... isto é, estes filhos de Deus não são propriamente os da carne (Rm 9.6-8). O verdadeiro israelita trás características, algumas qualificações que o credenciam como tal:
a.O dom da adoção, assim como Paulo: “São hebreus? Também eu. São israelitas? Também eu. São descendências de Abraão? Também eu”.(2 Co 11.22);
b.Filho do segundo Jacó, Israel. Veja o que Paulo diz em Romanos 9.8: “... isto é, estes filhos de Deus não são propriamente os da carne, mas devem ser considerados como descendência os filhos da promessa.”
c.Vida sem dolo, isto é, sem má fé, astúcia ou armações. Não praticante de uma religião puramente exterior.
O VERDADEIRO ISRAELITA CONCLUIU:
A) Jesus não é um simples produto de Nazaré, donde na sua opinião não podia vir coisa boa, mas é o grande e onisciente Mestre, capaz de penetrar no mais incrédulo coração e transforma-lo num coração de fé.
B) Jesus na é apenas o filho de José, mas o Filho de Deus, o Rei de Israel.
CONCLUSÃO:
A-Natanael não era mais filho do primeiro Jacó (carnal, astucioso, espertalhão). Ele agora é filho do segundo Jacó – Israel, transformado, sem dolo, o que viu e creu.
“O homem que vendia achas de lenha se converteu, mas pouca gente acreditou. Um mais afoito, afirmou: Só creio se ele deixar medir as achas que vende, as achas antes só tinham noventa centímetros, mas agora tinham realmente um metro. O homem não era mais filho do primeiro Jacó. E você?
B- Um verdadeiro israelita fala por analogia do verdadeiro crente; não do membro da igreja, daquele que abraça uma religião, mas de quem realmente nasceu de novo. Não basta o espetáculo exterior, o Senhor Jesus quer ver mesmo é o coração: “Este povo honra-me com os lábios, mas o seu coração está longe de mim. E em vão me adoram, ensinando doutrinas que são preceitos de homens” (Mt 15.8-9). Representa um grande perigo à falta de sintonia entre o exterior e o que se é realmente.
“Caiu uma barreira na linha férrea. O sinaleiro pegou a bandeira e correu para avisar do perigo ao terem que se aproximava. O maquinista, porém, olhou a bandeira e foi em frente. O desastre foi fatal. Mas, o que teria acontecido que o maquinista não parou se o sinaleiro estava no seu posto? A bandeira tas desgastada pelo tempo não era mais vermelha, parecia branca, o que não evitou o desastre. “Quando não se é um verdadeiro crente, provoca-se mais desastre do que solução.
“E, assim, se alguém está em Cristo, é nova criatura: as coisas antigas (do primeiro Jacó) já passaram; eis que se fizeram novas (do segundo Jacó, Israel) – 2 Co 5.17”;
C- Convém reafirmar que o seguir a Jesus envolve sacrifício, tem um preço. A idéia tão generalizada hoje de que seguir a Jesus é moleza, é só receber, não está na Bíblia. Basta ler Mateus 11.28-29, para se perceber que o Jesus que convida: “Vinde a mim todos os que estais cansados e sobrecarregados e eu vos aliviarei...”, é o mesmo Jesus que diz: “Tomai sobre vós o meu jugo e aprendei de mim, porque sou manso e humilde de coração...”
D-O verdadeiro crente é aquele que pode afirmar, em qualquer situação: “Eu sei em quem tenho crido!”