A tripla distinção de Cristo como profeta, pastor e rei não foi sem dificuldade na história da teologia luterana. Esses que se opõem a esta distinção chamam a atenção a sua origem com João Calvino com suas “instituições da religião cristã”. Calvino chegou a essa conclusão da interpretação da palavra “Messias” ou “Cristo” como “Ungido”, aquele em quem o óleo foi vertido. “Para sabermos que, debaixo da Lei, Profetas, bem como Pastores e Reis foram ungidos com o óleo sagrado”. Calvino Reconheceu a dificuldade neste triplo entendimento de Cristo ou messias como O Ungido, porque no antigo testamento o termo era usado apenas para o ofício de rei. Enquanto sacerdotes eram ungidos com óleo, não pode ser demonstrado que o termo Messias era aplicado a este ofício. No problema do ofício profético, Calvino retrocedeu a Is 61: 1-2 no qual o Messias era ungido pelo Espírito como proclamador do evangelho. Algumas vezes os profetas eram iniciados em seu ofício pela imposição de mãos (bênção), mas não com óleo. Teólogos luteranos estiveram divididos no uso da tripla distinção. John Gerhardt adotou-a, enquanto John Quenstedt classificou-a como desnecessária e combinou os ofícios sacerdotal e profético. Francis Pieper é atento às reservas de Quenstedt, mas achou a distinção tripla útil para descrever o trabalho de Cristo. Sua origem em Calvino não a torna automaticamente inútil para as dogmáticas luteranas, especialmente como um conveniente dispositivo de ensino. Em fato, Pieper chamou a atenção a Eusebius, um pai da igreja do quarto século, que disse que “apenas Cristo é o grande Pastor do mundo inteiro, rei de toda a criação e supremo profeta de Seu Pai entre todos os profetas. Por outro lado, a tripla distinção é, como Quenstedt mostrou antes, desnecessária. As palavras de Cristo podem ser discutidas sob outras categorias.
Não pode ser dito que a tripla distinção era uma conclusão necessária derivada das palavras para Cristo ou Messias, buscada das palavras Gregas e Hebréias, respectivamente, para O Ungido, como argumentou Calvino. Enquanto os derivados grego e hebraico para O Ungido não requerem o triplo ofício de profeta pastor e rei, a distinção não é apenas sem mérito bíblico como também na base das confissões, desde que se tornou um dispositivo comum, não apenas para dogmáticos, mas também para catequistas do trabalho de Cristo de hoje. Por exemplo, a Fórmula de Concórdia (ou não seria discórdia? Hehehehe) refere-se a Jesus como rei e Pastor. Citações bíblicas podem ser adicionadas para demonstrar a viabilidade geral da distinção. Werner Elert consente com esta distinção, mas corretamente mostra que estes ofícios não podem ser transferidos do Antigo para o Novo Testamento de uma forma que preserve a validade contínua do contexto teocrático do antigo Israel. As preocupações de Ellert são respondidas em Mt 12. Aqui o Evangelista traz, junto com as três frases de Jesus, sugestionando que esses ofícios “côo-pertencem”, mas mostrando em cada perícope que Jesus assume e expande cada ofício. Mt 12. 5 Jesus é maior que o Templo (pastor), Mt 12.41 Jesus é maior que Jonas (profeta) e Mt 12.42 Jesus é maior que Salomão (rei).
No rígido senso da palavra Cristo ou Messias sugere o ofício real de Cristo e deriva da prática do antigo testamento de colocarem os reis no ofício através do derramamento de óleo em suas cabeças. O “entregador” prometido de Israel (Sl 2.2) era entendido como rei e chamado de Ungido. Par dizer que Jesus era o Cristo era para reconhecê-lo como rei de Israel. Este tema de reinado é dos três, talvez o mais proeminente no novo testamento, desde Cristo, sinônimo de rei, é o título mais freqüentemente preso ao nome de Jesus. Mateus, bem como Marcos, usa a frase Jesus Cristo no primeiro verso do seu evangelho.
O caráter do Antigo Testamento que prefigura o reinado de Jesus é o de Davi. Jesus é chamado de Filho de Davi no título de Mateus (1:1) e em outro lugar com a mesma designação pelo homem cego (9:27), pela mulher Cananéia, pelo cego de Jericó e pelo povo na sua entrada em Jerusalém. A identificação entre Cristo e Filho de Davi é feita até pelo próprio Cristo. Jesus já foi reconhecido como filho de Davi pelo povo na sua entrada em Jerusalém e a implicação em chamar o filho de Davi de Senhor é para dizer que Jesus é maior que ele. Embora Jesus nunca, em tantas palavras, clamou que Ele é maior que Davi, essa é claramente sua intenção na sua resposta ao clamor dos fariseus de que colher grãos no sábado é ilegal. Ele menciona como Davi comeu o pão da Presença, um ato permitido apenas para os sacerdotes. Como um escolástico admiravelmente colocou: “A atração ao exemplo de Davi tem aí sua força: se Davi tinha o direito de se colocar aparte de um requerimento legal, eu tenho muito mais!”. Também apoiando a idéia de Jesus como rei é a sua genealogia em Mateus. O mais proeminente da linhagem é Davi. Como Davi é pai ele nasceu em Belém e entrou em Jerusalém para estabelecer as suas regras. Mas o que golpeia é a comparação de Jesus não com o pai, mas como o filho de Davi, Salomão., representante do momento mais glorioso de Israel e se tornou padrão do messias, o fim de Deus, o rei escatológico.é dado ao messias nascido na casa de Davi um nome salomônico: Príncipe da Paz, visto que Salomão é um nome derivado da palavra hebraica para paz, shalom. Ele reinou do trono do seu pai sobre um reino de Paz, mas é maior que Salomão, como deixa claro a promessa de Isaías 7, o Emanuel, Deus conosco.
Sua mensagem, redigida em parábolas, é freqüentemente introduzido com as frases “Reino dos Céus” ou “O Reino de Deus”.
Apenas os Hebreus chamam Jesus expressamente de Pastor, mas o termo é implícito através do Novo Testamento onde quer que ele seja citado como pagamento ou sacrifício pelos pecados. Oferecendo-se para o sacrifício, Jesus assumiu um duplo papel, como sacerdote e sacrifício. Jesus descreveu seu corpo como um templo. Algo maior que o templo é o seu próprio corpo que ele ofereceu a Deus em sacrifício. Seus oponentes fingiram ignorância em sua tentativa de acusa-lo de tentar destruir as bases da religião pública. O templo precisa de um sacerdote para o sacrifício.
Jesus foi recebido como profeta e professor, mas não como Messias. Do mesmo modo que a mulher samaritana viu que Jesus era o Cristo percebendo-o como profeta, da mesma forma Cristo viu a si mesmo maior que um pastor e um rei ele entendeu-se maior que um profeta dizendo que algo maior que DZZJonas estava ali. Jesus é maior que os outros profetas porque a divindade está imputada nele. Sua ligação com a divindade o torna perfeito revelador e revelação de Deus.
A tripla distinção nos ofícios de Cristo foca todo o AT na pessoa de Jesus, desde que ele é a continuação e a conclusão do reino, do pastorado e das instituições proféticas as quais uniram Israel como nação e mais especificamente como povo de Deus. Esses ofícios foram estabelecidos por Moisés. Através de Moisés foram dados todos os parâmetros sacerdotais, proféticos e reais. Nenhum personagem do AT se parece mais com Jesus do que Moisés. Os grandes reis, profetas e sacerdotes nos ajudam a entender o papel de Cristo como o doador de Deus. o triplo oficio de Jesus é usado para descrever o trabalho de Cristo.
A COMUNICAÇAO DOS ATRIBUTOS
A apresentação luterana tradicional da comunicação dos atributos sempre foi um dispositivo útil para o entendimento das conseqüências da união pessoal. Lutero dividiu Cristo em duas naturezas: humana e divina. Chemnitz dividiu essa discussão das naturezas de Cristo em três partes chamada de genera e compreende a maior porção em seu livro. Luteranos aprenderam que um erro na doutrina do sacramento indicaria um erro na cristologia.
O genus idiomaticum, o genus maiestaticum, e o genus apotelesmaticum.
A união das duas naturezas de Cristo não resulta na formação de novas substâncias. Os luteranos foram acusados de assegurar esta posição na reforma.
Os reformados hipoteticamente asseguraram o genus idiomaticum, mas isso é uma verbal e não uma real predicação, como cada uma das naturezas remonta não apenas distintamente, mas separadamente.
O genus maiestaticum concerne a si mesmo como a comunicação dos atributos divinos com a natureza humana de Cristo. Os axiomas filosóficos da teologia reformada que na prática receberam seus princípios formais teológicos, negam que o finito é capaz de qualquer associação com o infinito e que desde já a natureza humana de Cristo é incapaz de receber qualquer propriedade divina em virtude da união pessoal das duas naturezas de Cristo. Calvino disse que o Logos, a segunda pessoa da Trindade, era de tamanha essência imensurável que não poderia ser restrita à natureza de Cristo. Contrária a essa visão, os luteranos asseguraram que há uma completa encarnação de Deus na pessoa de Cristo e fora desta encarnação não há conhecimento salvífico de Deus. A natureza humana de Cristo é adorada e cultuada porque subsiste na pessoa do filho de Deus.
Os luteranos afirmam que a encarnação aproximou tanto as duas naturezas de Cristo que é impossível compreender a natureza humana sem a divina. A divisão da natureza humana da divina e do corpo de Cristo e do pão é precisamente o erro que cometem os reformados e não-luteranos.
Para luteranos, os atributos divinos pertencem essencialmente à natureza divina em virtude da união pessoal e a conseqüente comunicação dos atributos à natureza humana.
A característica luterana de entendimento da natureza de Cristo é feita claramente quando as várias formas da presença de Cristo são discutidas: local, não-local, onipresente e sacramental.
Inerente ao genius maiestaticum, há uma tensão a qual a teologia da confissão luterana não consegue resolver. De acordo com a divina natureza Cristo sabe todas as coisas. Mas de acordo com a natureza humana ele tem o conhecimento limitado. Ele sabe tudo ao mesmo tempo em que precisa ser ensinado.
O genus apotelesmaticum é o melhor dos genus, pois não separa as naturezas de Cristo.
Nossa salvação foi trabalhada pelas duas naturezas de Cristo. As naturezas existem e trabalham lado a lado paralelamente, mas não se comunicam.
O contraditório é que pela natureza humana Cristo pode pecar, mas por causa de sua natureza divina ele se torna incapaz de pecar. Isto pode ser ilustrado pela pregação de lei e evangelho a um cristão onde ele é condenado pela lei, ao mesmo tempo em que se torna justo pelo sacrifício de Cristo. Isto mostra a grande diferença entre Deus e o diabo.
Os luteranos enxergam a incapacidade de pecar de Cristo como uma extensão da encarnação, uma manifestação do genus maiestaticum. Os reformados enxergam sua incapacidade de pecar como uma graça especial de Deus. é difícil de ver a diferença entre a impecabilidade de Cristo para os reformados e de Maria para os romanos.