CONTEXTUALIZAÇÃO UMA TEOLOGIA DO EVANGELHO E CULTURA.
1. FATORES CULTURAIS E SUPRACULTURAIS NA COMUNICAÇÃO DO EVANGELHO.
Para os cristãos que se comprometem a comunicar um evangelho revelado e universal a pessoas em situações culturais em rápida transformação, a tarefa é intensa. As dificuldades são acentuadas pela conseqüência de que os próprios mensageiros são frementemente o produto de mais de uma cultura. Os missionários do Terceiro Mundo, por exemplo, precisam entender pelo menos quatro culturas diferentes: a das Bíblia, a do missionário acidental que originalmente trouxe o evangelho, sua própria cultura e a do povo para o qual leva o evangelho.
1.1 SINAIS DE INSENSIBILIDADE CULTURAL
Alguns comunicadores evangélicos se preocupam tanto com a preservação da pureza do evangelho e das suas formulações doutrinárias, que tem sido insensíveis aos padrões de pensamento e comportamento cultural da pessoas às quais proclamam o evangelho. Alguns não tem tido consciência de que termos tais como Deus, pecado, encarnação, salvação e céu provocam, impressão na mente do ouvinte diferentes daqueles que produzem na mente do mensageiro.
Outro fato é o caso comum do pregador que proclama o evangelho virtualmente da mesma maneira a todos os auditórios, quer se trata de católicos hindus, muçulmanos, marxistas. Por demais freqüentemente, o ouvinte é tratado como se fosse uma tabula rasa e é feita a suposição de que, porque o evangelho é a palavra de Deus, “não voltará a mim vazio”.
O fato de que 4 culturas são usualmente envolvidas na comunicação do evangelho é complicada ainda mais visto que muitas pessoas hoje são o produto de várias culturas – tradicionalmente e moderna, religiosa e secular. É somente netas 2 últimas décadas que os evangélicos tem levado esta situação a sério.
Porque que algumas pessoas resistem ao evangelho mais de que outras pessoas?
O relatório de Willoubank, em Bermuda, 1078 responde: não porque pensam que é falso, mas porque percebem que é uma ameaça à sua cultura, especialmente a base da sua comunidade, e à sua solidariedade nacional e tribal. Quanto mais sofisticada a cultura, tanto mais provável é que semelhante ameaça será sentida hoje.
A 2º barreira a comunicação do evangelho é que o evangelho é freqüentemente apresentado às pessoas em formas culturais estrangeiras.
A imagem do cristianismo como sendo uma religião estrangeira, uma religião ocidental, uma religião dos homens brancos, é uma das desvantagens eficaz na África e na Ásia hoje.
1.2 A CULTURA: UM ENREDO PARA A VIDA.
A cultura abrange a totalidade da vida. “a cultura é um enredo para a vida”. É um plano segundo o qual a sociedade se adapta ao seu ambiente social e ideal.
O comportamento cultural não é biológicamente transmitido de uma geração para a outra. Deve ser apreendido por toda geração que sucede a anterior. É a soma total dos padrões comportamentais e atitudes aprendidos por uma determinada comunidade. O temo enculturação é empregado para o processo mediante o qual as pessoas aprendem o modo de vida da sua sociedade.
A cultura é adquirida, está em mudança constante. Quando a mudança é mais rápida do que a capacidade da comunidade adaptar-se a ela, podemos falar de um “choque de culturas”.
G. Linwood Barney = sugere que cada cultura é uma série de camadas, das quais a mais profunda consiste em ideologia, cosmologia e cosmovisão. A segundo é a dos valores e a terceira é a das instituições, casamento, a lei, a educação.
A religião como um fator humano na cultura, influencia cada uma destas camadas ou destes segmentos, e é influenciada por eles.
Se o evangelho apenas modifica ou muda o comportamento observável de uma pessoa ou de uma comunidade sem produzir uma mudança equivalente na cosmovisão fundamental, o nível da comunicação é superficial.
1.3 A IMPORTÂNCIA DO SUPRACULTURAL.
Com supra cultural queremos dizer os fenômenos da crença e do comportamento cultural que tem sua origem fora da cultura humana.
Comentário de MBITI: “Deus nos deu o evangelho. O homem nos dá a cultura”. Não é rigorosamente verídico. A cultura dos hebreus não era apenas o produto do seu meio ambiente, mas era a interação entre a supra cultura e os hebreus nos seu ambiente e na sua história.
A outra origem supra-cultural dos fenômenos da cultura é a demoníaca. Satanás é uma realidade metafísica espiritual a quem João chama “o príncipe deste mundo”. (Jo 12.31;14.30;16.11).
O novo testamento dá testemunho da convicção de que o mundo não é um sistema fechado, mas, sim, a arena de uma batalha entre o reino de Deus e o reino de Satanás. É tanto uma batalha nos lugares celestiais supra culturais quanto a o próprio mundo, batalha esta que foi supremamente manifesta na cruz e na ressurreição do filho de Deus encarnado.
A religião nunca é meramente uma questão humana, mas, sim, um encontro dentro do âmbito supra cultural do reino de Deus e do reino de Satanás.
1.4 FUNDAMENTOS BÍBLICOS PARA NOSSA RESPOSTA AO EVANGELHO.
O evangelho não pressupõe a superioridade de qualquer cultura sobre outra, mas, sim, avalia todas as culturas de acordo com seus próprios critérios de verdade e justiça insiste nos absolutos morais em cada cultura.
O conceito bíblico da cultura é fundamentado numa compreensão do evento da criação como sendo um fato que deve ser aceito e entendido pela fé. (Hb 11.3).
Cada pessoa é capaz de uma profundidade de relacionamentos interpessoais, tanto com seu criador, quanto com seu cônjuge, um aspecto condicional da natureza da imagem divina. (Gn 1.26;5.1;9.6; 1Co 11.7).
Na criação, Deus abençoou o homem e a mulher e lhes disse: “sede fecundados, e multiplicai-vos, enchei a terra e sujeitai-a”.
Deus deu nome a cada dia da criação e autorizou Adão a dar um nome a cada criatura viva (Gn 2.19-20). O emprego da linguagem poética pelo homem ao dar o nome à mulher, é a primeira evidência da expressão estética da cultura.
O efeito da Queda e do conhecimento do evangelho sobre comportamento humano. As implicações pessoais e sociais da Queda afetam radicalmente todas as pessoas e todas as culturas. Na Queda, o homem rebelou-se contra o Senhorio do Criador, procurou asseverar a sua autonomia, e descreve na lei de Deus.
É com este passado, que o evangelho é a boa nova da redenção para cada pessoa, na sua individualidade no seu comportamento social e no seu estilo de vida. O evangelho da redenção começa na própria Queda (Gn 3.15).
Todas as pessoas sabem que devem amar o criador da leis divinas, mas na sua rebelião ficam sendo uma lei para si mesmas. Somente na graça soberana de Deus, trazendo os pecadores a Si mesmo em arrependimento, e no Dom da fé, é que aqueles que nunca ouviram falar de Cristo podem ser reconciliados com seu Criador.
A compreensão que Deus, o Espírito Santo é o verdadeiro mensageiro do evangelho que está sempre adiante de nós, preparando pessoas para ouvirem e receberem o evangelho, mas nos faz clamar com Paulo, “pois sobre mim pesa esta obrigação, porque ai de mim se não pregar o evangelho” (1Co 9.16).
2. PADRÕES NO MOVIMENTO DA CONTEXTUALIZAÇÃO PARA O SINCRETISMO.
Nos escritos de Henry Venn, Rowland Allen, Melvin Hodges e outros, o alvo indigenização é uma igreja que é auto-governada, auto-sustentada e auto-propagadora.
2.1 DEBATE INDIGENIZAÇÃO – CONTEXTUALIZAÇÃO.
A contextualização, alega-se, é a capacidade de responder de modo relevante ao evangelho dentro do arcabouço da situação da própria pessoa. A contextualização não é simplesmente uma moda ou divisa, mas uma necessidade teológica exigida pela natureza encarnacional da palavra.
James o Buswell sugere que a palavra indigenização, que significa dar fruto ou produzir por dentro, não é um conceito estático. A final das contas, não é tanto a palavra empregado quanto o significado que cresce em derredor dela.
· A contextualização leva a sério os fatores contemporâneos na mudança cultural.
· A indigenização diz respeito a cultura tradicional.
A contextualização faz parte de um debate teológico mais amplo. A mudança das questões da indigenização para as da contextualização faz parte de uma preocupação teológica muito mais ampla no sentido de compreender a função da igreja no mundo.
Logo, qualquer discussão sobre a contextualização do evangelho em termos da obra de Deus no mundo das estruturas econômicas e políticas não pode ser separada da obra da evangelização e da indigenização da Igreja.
2.2 UMA AVALIAÇÃO DE MODELOS DA TEOLOGIA CONTEXTUALIZANTE
Podemos falar em duas abordagens à contextualização: a existencial e a dogmática.
Na Segunda abordagem começa com uma teologia bíblica autorizada cujo compreensão dogmática é contextualizada numa determinada situação cultural.
A contextualização existencial envolve a interação de dois princípios básicos: a relatividade essencial do texto e do contexto, e o método dialético da busca da verdade. Fazer teologia é entendida como processo humano falível, de moda que nenhuma teologia é perfeita ou absoluta.
Von Allmen declara que “ao invés de ensinar uma teologia existente, até mesmo uma assim chamada teologia do Novo Testamento, sugere que o educador teológico dê alta prioridade ao estudo da história das tradições da igreja primitiva para nos capacitar a descobrir as forças que governam a formação daquela teologia, a fim de que nós, por nossa vez, possamos ser guiados pelo mesmo dinamismo enquanto nos damos à tarefa de criar uma teologia contemporânea, seja na África, seja na Europa.
2.3 A DINÂMICA DO SINCRETISMO CULTURAL E TEOLÓGICO.
O sincretismo é a tentativa de reconciliar crenças ou conflitantes ou prática religiosas num sistema unificado.
A preocupação contemporânea no sentido de contextualizar o evangelho em culturas específicas levantou o problema do sincretismo de uma maneira nova. É que abrange o tema do evangelho e da cultura. O relatório de Willoucank declarou: ”Assim como a igreja procura expressar sua vida em formas culturais que ou são malignos, ou têm associações malignas. Elementos que são intrinsecamente falsos ou malignos claramente não podem ser assimilados no cristianismo sem uma caída no sincretismo. Este é um perigo para todas as igrejas em todos as culturas.
O sincretismo como um princípio dinâmico pode ser intencional, ou pode ser movimento inconsciente de assimilação.
No debate contemporâneo sobre o evangelho e a cultura há dois tipos de perigos sincretistas sendo um cultural e outro teológico.
- O sincretismo cultural pode resultar de uma tentativa entusiasta de traduzir a fé Cristã por meio de usar acriticamente os símbolos e as práticas religiosas da cultura receptora, tendo como resultado uma fusão de crenças e praticas cristãs e pagãs.
A Segunda forma é a mais agressiva. É o espirito dos fariseus e dos judaizantes que procuravam forças suas formas culturais de convicções religiosas sobre seus convertidos.
- O sincretismo teológico é mais destrutivo, mais refletivo do que o cultural.
Supõe, que visto que toda a teologia é culturalmente condicionada, não é possível saber com certezas qual é a palavra que Deus revelou. Confunde o supra-cultural com o cultural. Reduz toda a teologia para contar a história da sua experiência e fé. A Escritura não é uma parede divisória que limita a reflexão teológica e que divide uma comunidade de outra, mas sim, consiste em “postes de iluminação” que derramam luz e brilho sobre a experiência religiosa da comunidade.
3. COMPREENDENDO A TEOLOGIA BÍBLICA
Como usamos a Bíblia, dependerá do nosso entendimento da tarefa hermenêutica em nossa abordagem à contextualização.
3.1 AUTORIDADE DA BÍBLIA NOS MOVIMENTOS ECUMÊNICOS
Os evangélicos sempre sustentaram que a Bíblia é normativa e a autoridade definitiva em questões da fé e da conduta.
Supõe-se de modo generalizado entre os estudiosos que toda teologia é condicionada pela cultura.
Rudolph Bultmann nenhum evangelho puro e nenhuma exegese neutra ou sem pressuposições, de modo que a tarefa hermenêutica é circular, com interação constante entre o objeto e o sujeito, o texto e o intérprete. E um processo dialético em que nada pode haver de definitivo, somente uma aproximação à verdade da Palavra de Deus numa cultura específica, ou numa situação especial. O pré-entendimento é essencialmente um compromisso prévio à maneira em que o evangelho deve ser interpretado para uma determinada cultura.
3.2 A PROVIDÊNCIA SOBERANA NO CONDICIONAMENTO CULTURAL DA BÍBLIA.
Deus na sua Salcrania escolheu uma cultura hebraica através da qual revelou sua palavra. Se tivesse escolhido uma forma cultural diferente, o conteúdo da palavra teria sido diferente, porque mudaria radicalmente a forma, que leva a sua própria cosmovisão e grupo de valores, é mudar o conteúdo.
Na sua soberania Divina, Deus escolheu Abraão de uma cultura mesopotâmica, e através dos seus descendentes formou uma cultura transmissora que refletia a interação entre o conteúdo supra-cultural e a forma cultural. Há portanto uma qualidade sem igual na cultura hebraico Bíblico, tanto no Antigo Testamento quanto no Novo Testamento. Não se trata simplesmente de uma cultura sem igual que levava as marcas da interação divino-hunana. Na providência de Deus esta cultura conseguiu transmitir fielmente a qualidade sem igual da mensagem divina da criação, do pecado, da redenção e da Encarnação e ressurreição do filho divino.
Jesus Cristo nasceu judeu, e é uma afronta a soberania divina falar de um Cristo negro, ou de um Cristo indiano.
O Antigo Testamento reflete a interação profunda entre a Palavra supra-cultural revelado e a vida cultural dos hebreus e a das nações em derredor.
3.3 PRINCÍPIOS HERMENÊUTICOS PAR ENTENDER A TEOLOGIA BÍBLICA.
A primeira tarefa da intérprete é ouvir a Palavra de Deus conforme é dada através da pluralidade dos escritores bíblicos é compreendê-la de tal maneira que possa interpretá-la fielmente a outras pessoas.
A- O princípio de um estilo de vida marcado pela fé como compromisso: Sem viver a vida da fé, ninguém pode compreender a verdade da Palavra de Deus.
B- Uma hermenêutica biblicamente determinada envolve um processo bidirecional de encontro entre o intérprete e a Palavra de deus de um lado, e entre o intérprete e a cultura do receptor, do outro lado.
A tarefa da exegese é a recuperação do sensus literalis, o significado literal e natural do texto.
C- A tarefa da hermenêutica não é particular ou individual; é a responsabilidade do corpo inteiro de Cristo e deve ser empreendida dentro do arcabouço da comunidade crente. No seu conjunto, o povo de Deus é um sacerdócio real, uma família da fé edificada sobre o fundamento dos apóstolos e profetas, sendo Jesus Cristo a pedra angular. O Espírito Santo ilumina a intérprete dentro do contexto da igreja.
A contextualização verdadeira do evangelho ocorre na igreja e não no mundo. Não é a obra do homem e sim de Deus.
D- Missão no mundo: A missão da igreja no mundo e, de modo geral, a adoração e a comunhão, o serviço social e a justiça, a evangelização. A teologia contextualizado que não serve para esta missão é uma teologia truncada (interrompe, omite).
4. A DINÂMICA DA COMUNICAÇÃO TRANS-CULTURAL.
Ainda que o comunicador venha herdar o mesmo arcabouço cultural do receptor, sempre é um centro focal distinto, porque não somente forma seu própria cultura e doutras, como também tem a sua própria experiência supra-cultural sem igual com o Deus vivo.
4.1 DA TEOLOGIA BÍBLICA PAR A CONTEXTUALIZADA.
A teologia contextualizada, de modo distinto da teologia Bíblica dogmática, é sempre relativo. O comunicador tem um conhecimento falível do evangelho. Qualquer formulação contextual específica da teologia pode ser válido e leal ao evangelho, mas não pode alegar que compreende a totalidade da Palavra de Deus revelada.
A cultura humana é sempre um processo dinâmico para o enredo da vida. Reúne as tradições do passado, corresponde e se acomoda á modernidade de uma sociedade tecnológica e cada vez mais urbana, e está em interação constante com os principados e potestades supra-culturais. Há portanto um grau de flexibilidade no centro focal da cultura humana.
A contextualização da teologia bíblica num mundo em mudanças exige uma reconsideração do processo inteiro de fazer a teologia. Mas a própria Bíblia insiste que o ponto de partida deve ser de dentro do círculo da fé e da dedicação á auto-revelação de Deus em Cristo. Com o enfraquecimento da certeza do conhecimento do conteúdo da fé Cristã, muitos teólogos estão fazendo, na prática, com que o contexto cultural seja o ponto de partida. Este é o caminho da ‘teologia natural” e leva a um beco sem saída. O ministério da fé começa com o conhecimento de Cristo e não com a filosofia e a tradição humana. (CL2:1-8 At17:19-34).
4.2 O EVANGELHO É A REVELAÇÃO DE DEUS COMO CRIADOR-SALVADOR.
Muita confusão teológica tem sido criado por meio de isolar Deus o Salvador de Deus o Criador, e também por meio de obscurecer a distinção entre Sua obra de criação e a da redenção. Qualquer contextualização legítima do evangelho deve refletir a norma bíblica da obra inseparável, porém, distinta do Criador-Salvador.
No Novo Testamento, a obra de Paulo,Ef.1 Fp2.5-11 Cl1.15-20 mantém Deus como Criador e Salvador.
Uma doutrina completa do Criador-Salvador é fundamental para qualquer contextualização fiel da teologia, e é a base para avaliar todas as demais maneiras religiosas de entender a criação e a redenção. A falsa contextualização começa com um entendimento inadequado de Deus trino e uma como Criador-Salvador.
4.3 DA ALIENAÇÃO E DA IDOLATRIA PAR A MORTE E A NOVA CRIAÇÃO.
O problema humano é a alienação. A dificuldade primária na comunicação é que a humanidade, como indivíduo da sociedade, não reconhece a natureza verdadeira desta alienação.
A doutrina bíblica da alienação começa em Gn 3, onde o homem e a mulher suprimem o conhecimento de Deus, rebelan-se contra o seu senhorio e procuram fazer-se iguais a Deus. Paulo dá uma interpretação teológica desta alienação (Rm 1;18-32)
O profeta é o agente de Deus para pronunciar julgamento contra todas as formas de alienação. Os profetas repreendiam tanto a idolatria religiosa quanto a injustiça social. Amós repreendeu o culto sincretista de Israel (2:4;4;4-5;5:21) e os ricos inclusive suas esposas pelas suas riquezas (3:15;4:1;6:40 e pela opressão dos pobres (2:6;6:1-7). A contextualização verdadeira do evangelho exige tanto a renovação espiritual quanto a justiça social.
O evangélico, no entanto, começa o processo da contextualização com a revelação sem igual e definitivo de Deus em Cristo e no evangelho, que interpreta no contexto da sua cultura e da cultura do receptor.
O evangelho julga a totalidade da cultura e não apenas uma parte dela, destruindo o que é contrário à palavra de Deus e criando de novo aquilo que é fiel a revelação universal que Deus deu á humanidade
A adoração é a expressão mais profunda de uma cosmovisão religiosa, e tanto a beleza quanto feiura estão invariavelmente associados com ela, assim como na arte , na música, na poesia religiosa. É na adoração que a verdadeira contextualização deve ser mais claramente vista, expressando adoração a Deus.
No nível de valores morais, a contextualização do evangelho levará ao julgamento e à renovação da consciência como sendo a resposta sensível do homem à Palavra do Deus vivo e aos ditames da Sua lei moral.
4.4 OS UNIVERSAIS E OS VARIÁVEIS NA IGREJA INDÍGENA.
A crise em muitas igrejas é a da auto-identificação. É o caso das igrejas que são comunidades missionárias pequenas e socialmente fracas, lutando pela sua existência em situações hostis.
Pacto de Lausanne: “A igreja destas no mundo; o mundo não deve estar na igreja.
A igreja universal tem uma esperança em comum da consumação do reino no dia do Senhor final, quando, então, a totalidade da criação, agora sujeita à escravidão, será libertada (Rm 8:19-23).
É uma igreja peregrina que, desde Abraão, tem antegozado a cidade que tem alicerces, da qual Deus é o arquiteto e edificador (Hb 11:10).
As estruturas e o governo da igreja, as formas da sua adoração, sacramentos e comunhão fraternal, dos métodos de comunicar o evangelho e os padrões para o serviço no mundo, devem refletir as variáveis culturais e satisfazer as necessidades específicas de cada comunidade.
No curso da história da igreja, a acomodação a acréscimos culturais e o provincialismo têm destruído a vida de muitas igrejas. A igreja local ou nacional nunca deve ficar cativa à sua própria cultura.
4.5 A COMUNICAÇÃO TRANS-CULTURAL DO EVANGELHO.
A tensão dinâmica entre a universalidade e a convertibilidade na indigenização da igreja também se aplica à comunicação do evangelho. A contextualização só pode ocorrer no contexto da missão. Andrew Kirk diz: “Nossa crença é que o único contexto apropriado para o pensamento teológico sério é o crescimento da igreja na sua missão tríplice, da adoração, do engajamento profético do mundo, e da evangelização.
O único modelo supremo missiológico é a Encarnação. Nossa missão é modelada na dele: “Assim como o Pai me enviou, eu também vos envio” (Jo 20:21)
A comunicação trans-cultural é uma chamada para ser um mensageiro humilde do evangelho. Porque o evangelho não é negociável, o mensageiro deve adotar o papel do servo que o Mestre adotou, a fim de evitar a arrogância da superioridade teológica e cultural.
O Espírito Santo sempre é o missionário trans-cultural. Vai adiante para preparar o caminho para o evangelho. Convence do pecado e do julgamento até mesmo aqueles que nunca ouviram falar do nome de Cristo.
A contextualização verdadeira na missão diz respeito às necessidades das pessoas na sociedade bem como no seu relacionamento com Deus .
A evangelização, portanto, como um meio de reconciliação entre as pessoas e Deus não deve ser isolado do serviço social mediante as quais as pessoas são reconciliados umas com as outras.
A comunicação verdadeira e fiel do evangelho começa com a contextualização do evangelho na vida do comunicador. Isto ocorre com a adoração e a comunhão, através do serviço diacônico e a justiça profética e através de testemunho e discipulado evangelístico.
A igreja no mundo é chamada para ser um modelo do reino vindouro, e o sal preservador e a luz penetrante num mundo que está corrupto e perdeu seu caminho.
Uma teologia dinâmica da evangelho e da cultura é o fundamento necessário para o cumprimento da grande Comissão e para a obra do Espírito Santo que cria de novo o homem na sociedade conforme a imagem de cristo, o Criador-Salvador.