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EDUCAÇÃO

SEMINÁRIO CONCÓRDIA DE SÃO LEOPOLDO

ESCOLA SUPERIOR DE TEOLOGIA

Disciplina: Estudos na teologia de Lutero

Professor: Dr. Paulo W. Buss

Aluno: Marco Antônio Clemente

Introdução:

Neste, queremos lembrar a todos, que Lutero não foi apenas um reformador da igreja. Mas também um grande reformador nas escolas e um grande incentivador para que os pais mandem os seus filhos para as mesmas.

Lutero divide a educação em duas partes:

1) Educar para o ministério da igreja.

2) Educar para o governo secular e a sociedade.

#) Educar é dever dos pais e do Estado.

Aos conselheiros da Alemanha para fazerem e manterem escolas:

Lutero estava vendo o desleixo dos alemães em relação quanto a mandarem os seus filhos para a escola, por isso, ele intercede aos pais dizendo que esse desleixo é uma armadilha do diabo para acabar aos poucos com a nação alemã.

Escolas em decadência:

Lutero aponta ao fato de que as escolas estão em abandono, às universidades são poucas freqüentadas e os conventos estão em declínio. Este ainda estava indignado pelo fato dos pais não colocarem seus filhos nas escolas. A idéia dos alemães era a seguinte: Os filhos deveriam ir à escola, apenas se fossem estudar para serem clérigos. Veremos que isso reflete a preguiça dos alemães em não quererem trabalhar para se sustentar. Vejamos o que os alemães diziam: “Pois é, que haverão de estudar se não podem tornar-se padres, monges e freiras”.

Os pais estavam preocupados com o sustendo dos filhos, aí Lutero entrevem dizendo que eles devem procurar um outro oficio para se sustentar. A intenção dos pais ao colocar os filhos nos conventos, não eram para os mesmos aprenderem à palavra de Deus, mas sim, para garantir o sustento aos seus filhos (Nisto lembramos da idéia do pai de Galileu Galilei). Lutero aponta que os pais não estavam se preocupando com a alma dos seus filhos ao colocarem no convento, mas apenas com a barriga dos mesmos.

Um problema da época, em que Lutero aponta, é o caso de que os conventos não estavam mais educando na palavra de Deus. Segundo ele, as pessoas passavam vinte a trinta anos e mal sabiam ler e escrever. Lutero via que por trás de tudo isso, quem estava levando vantagem era o diabo, por isso ele faz tal apelo aos governantes. No obstante, ele disse que se alguém desse um ducado para a guerra, que deveria dar cem ducados de sorte que educasse um jovem a tornar-se verdadeiramente cristão. Isso porque uma pessoa verdadeiramente cristã é mais útil do que todos os seres humanos da terra.

Lutero reclama o fato de que anualmente era preciso levantar grande soma de dinheiro para comprar armas, arrumar estradas, e inúmeras outras coisas para que a cidade pudesse viver em segurança temporal. Então, pergunta ele: “Porque não levantar igual soma para a pobre juventude, sustentando um ou dois homens competente para o ensino?”.

O reformador também não apela somente aos governantes para manterem as escolas e a juventude nela. Ele vai mais longe, sua apelação também atinge o povo. “Cada cidadão deveria pensar o seguinte: que até agora gastou inutilmente dinheiro e outros bens com indulgências, missas, vigílias, doações, espólios testamentários, missas anuais pelos falecidos, ordens mendicantes, fraternidades, peregrinação e coisas semelhante, e agora que estamos livres dessas ladroeiras, que agora doem pela graça de Deus parte desse dinheiro para as escolas para educarem as pobres crianças para não acabarem na miséria”. Lutero afirma sem restrições que toda essa confusão e obra do diabo.

Ele ainda aponta três motivos pelo quais devem mandar a juventude à escola: 1º) O primeiro motivo é que se mandarmos os filhos as escolas estaremos resistindo o diabo, o qual é o inimigo secreto e o mais perigoso. 2º) É que não devemos receber a graça de Deus em vão. (Nessa época a Alemanha estava com mais sábios de todos os tempos, e com três anos formaria um menino, de forma que aos 15 e 18 anos saberiam muito mais do que até então se tinha ensinado nas universidades e conventos, do qual os jovens nada mais tinham aprendido do que serem burros e estúpidos. Lutero disse que houve quem estudasse 20 a 40 anos e não soubesse nem latim e nem o alemão).

Lutero via que Deus os tinha agraciado com pessoas sábias, por isso é que os governantes e pais não podiam deixar de enviar as crianças ás escolas. Isso significaria que não podiam deixar a graça de Deus bater em vão na “porta”. 3º) Os alemães devem saber que o mandamento de Deus estimula e exige com tanta freqüência aos pais que mandem os filhos a escola.

Mas se há aqueles filhos que não querem ir? Lutero disse que para esses tem o quarto mandamento. A pergunta que Lutero faz é a seguinte: “Para que servimos nós os mais velhos senão para cuidar da juventude e educá-la?” Para Lutero a educação era tão importante que ele disse uma frase de sua juventude: “Negligenciar um estudante não é crime menor do que violar uma virgem”.

Razões pelo fato dos pais não mandarem seus filho às escolas:

Mas o fato de os pais não cumprirem essa tarefa tem várias razões, afirma Lutero. 1º) Há os que se quer são leais e conscientes a ponto de fazê-lo, ainda que tenham condições. 2º) Infelizmente a maioria das pessoas mais velhas não tem aptidão para tanto, e não sabem como educar uma criança. Pois elas próprias nada aprenderam senão a encher a barriga. 3º) Mesmo que os pais fossem aptos e quisessem assumir, eles não tem tempo nem espaço em face de outras atividades e serviços doméstico Por isso, o governo precisa criar escolas e mantê-las, a não ser que cada um mantenha o seu filho em particular. Mas isso seria muito para um simples cidadão, e com isso muitos meninos inteligentes seriam prejudicados.

Lutero disse que a cidade não precisa apenas de acumulo de grandes tesouros, casa bonitas, muros, etc., mas sim, que o melhor tesouro e o mais rico progresso é quando uma cidade possui muitos homens bem instruídos, ajuizados, honestos e bem educados. Lutero quando se refere à educação, aponta para a cidade de Roma, dizendo que ela educava seus meninos, de sorte que dentre 15 a 18 anos eles dominavam perfeitamente o latim, o grego e outras artes liberais e que daí por diante estavam aptos a entrarem no serviço militar e público, e eram homens sensatos, ajuizados e excelentes. Lutero aponta esse “fracasso” como culpa das autoridades. E ainda mostra o fato de que o governo não pode olhar somente para o aqui agora, mas também para os que vêem depois deles.

A importância das línguas:

Lutero também reclama o fato de as universidades e os conventos não ensinarem o evangelho, mas também de corromperem a língua latina e a alemã. Fazendo com que as pessoas falem e escrevam muito mal. Outro ponto que Lutero da muita importância e reclama é a respeito de não ensinarem aos jovens as línguas de uma maneira correta. Ele disse que o Espírito Santo não é nenhum tolo, e não lida com coisas levianas e desnecessárias, e considerou as línguas algo tão útil que as trouxe do céu consigo. Afirma ainda que isso seja o suficiente para nos interessarmos e estudarmos com mais afinco. O reformador também atribui o fato de os pais eclesiásticos terem errados varias vezes é porque não conheceram as línguas. E por isso erram nas interpretações. Vejamos: “Quantas vezes santo Agostinho se enganou no Saltério e outras interpretações. Igualmente Hilário, e todos os outros que ousaram a explicar as Escrituras sem o conhecimento das línguas”.

Vemos que Lutero afirma que como o sol está para a sombra, assim também as línguas (originais) estão para a interpretação. Visto que os cristãos devem ler o seu livro e entendê-lo. Pois é uma vergonha quando não entendemos o nosso próprio livro. Ele afirma que com muito esforço os pais alcançaram apenas as migalhas, enquanto nós podemos alcançar o pão inteiro, e que a dedicação dos pais envergonha a nossa preguiça. Existe o fato de muito dizerem que não há necessidade de estudarem as línguas, isso pelo fato de possuírem o Espírito, assim como fazem os Valdenses. Mas Lutero afirmou que o diabo importa muito menos com o seu Espírito do que com sua língua e sua pena a favor da Escritura. Também, disse que não apóia os Valdenses pelo fato de desprezaram as línguas. Pois, ainda que ensinem corretamente, hão de errar muitas vezes na interpretação do texto. Era esse o sentido pelo qual Lutero disse que havia necessidade das línguas e das escolas cristã.

Casso fossemos apenas corpo e não alma, e não existisse nem céu e nem inferno?

Lutero ficava indignado quando ouvia o povo dizer: “Para que ir à escola quando não quer ser padres?” Só que Lutero faz uma bela explanação quando diz que deveríamos saber o quanto é útil e o quanto agrada a Deus quando um governante, príncipe, conselheiro ou outra pessoa instruída é apta para exerce esta função cristãmente. Mesmo que não precisasse de escolas para ensinar as línguas e as Sagradas Escrituras, somente isso seria motivo suficiente para instruir melhor as escolas, meninos e meninas em toda parte. Visto que o mundo necessita de pessoas excelentes para administrar o governo secular. E que os homens governem bem o povo e o seu país, e as mulheres governem bem as casa, os filhos e os empregados.

Vemos também que Lutero aponta ao fato de que a juventude necessita de dançar, pular e fazer algo semelhante. Neste caso, não se pode impedir, e nem seria bom, fazê-lo. Então, por que não construir escolas cristãs para ensinarem essas disciplinas?

Lutero aponta para o seguinte problema: “Esta é a falta de vontade e seriedade para educar a juventude e ajudar a socorrer o mundo com pessoas qualificadas. O diabo prefere grandes bobalhões e gente inútil para que as pessoas não vão bem na terra.” O mundo precisa de pessoas aptas, porque na maioria dos casos, essas não são capazes de instruir e orientar, pois não sabem mais nada do que cuidar da barriga. No entanto não teremos pessoas aptas para tais fins se negligenciarmos as escolas.

O reformador aponta ao povo que olhe para Salomão como rei. Como esse sempre ocupou com os jovens e escreveu o livro de Provérbios. Ele (Lutero) ainda afirma: “Vede como Cristo atrai para si as crianças e com quanto rigor no-las recomenda, para nos mostrar que grande é o serviço de educar bem a juventude e, por outro lado, como é grande a sua ira quando se lhe provoca escândalo e a deixa perecer”.

De volta ao apelo:

Ele volta ao apelo dizendo que são por esses motivos que se volta aos alemães pedindo que se interessem pela criação e manutenção das escolas, e que não poupem esforços e nem dinheiro para a instalação de livrarias ou biblioteca, especialmente nas grandes cidades. Lutero ainda usa o exemplo do apóstolo Paulo que recomenda a Timóteo que se dedicasse a leitura (1Tm 4. 13, 2Tm 4. 13).

Este ainda afirma que se a nação alemã está na miséria é porque ela merece. Isso porque deixaram de enviar os filhos a escolas, quando tinham oportunidade para estudar e manter as bibliotecas. Afirma ainda que, além disso, eles receberam e tomaram a máscara do diabo, isso porque sustentaram muitos monges e o fantasma da universidade e muitos outros doutores, mestres, monges, pregadores, padres, ou seja, grandes grosseiros e gordos burros que na verdade não ensinavam nada de bom. Pelo contrário, cegaram e confundiram o povo cada vez mais e, em recompensa devoraram todos os bens da nação e enganaram todos os conventos somente com sujeira e estercos dos livros “venenosos”.

Vemos a insistência de Lutero pelo fato da nação alemã não ter insistido numa educação verdadeiramente cristã e ativa. Afirma ainda que os outros paises nada sabem a respeito dos alemães. E que, além disso, são zombados por todos pelo fato de só saberem fazer guerras, comerem e beberem. Lutero tenta apontar para o passado das nações, que podem contar o que aconteceu com elas. Mas, os alemães nada têm a contar, a não ser vergonha. E que o povo ainda continua a querer ser os mesmo alemães, sem cultura, sem passado e sem escolas cristãs e dignidade.

Ele ainda aponta o caso de que, mesmo que ele fosse um tolo, mas que, de vez enquanto tem uma boa idéia, não deveria ser considerada vergonha por parte de nenhum sábio segui-lo. E afirma que já houve casos em que um tolo deu melhores conselhos do que todos os sábios da cidade (José no Egito). Ele ainda aponta para Getro que aconselhou seu genro Moisés.

Mensagem para toda a Alemanha.

Nesta, Lutero diz que escreveu um sermão e enviou para os pregadores da Alemanha. Isso com objetivo de que os mesmos predicassem nas igrejas, para que os pais podessem mandar os seus filhos para a escola. Lutero também aponta e agradece a Deus que antecipou em muito as pretensões do diabo e inspirou Melanchthon a instalar uma escola tão excelente e maravilhosa escolhendo e contratando pessoas capazes. Ele ainda afirma que nem mesmo em Paris teve uma universidade tão bem provida de docentes. Aí, mais uma vez Lutero apela aos pais que mandem os seus filhos para essa escola. Ele chama a atenção para que dessa vez nem um pai, por ser escravo do dinheiro tire o seu filho da escola, dizendo o seguinte: “Se meu filho já sabe calcular e ler é o que basta.” Fazendo com isso que outros cidadãos honrados seguirem o mau exemplo sem pensarem no prejuízo, pensando que estão agindo corretamente e dando mais uma chance para o diabo.

Uma coisa é certa, quando se ajuda, estimula e encoraja as crianças a irem à escola. E quando se contribui para tanto com dinheiro e conselho para que isso possa se tornar possível, a isso se chama, sem dúvida, ter encaminhado e levado os filhos para Cristo.

Um apelo em prédica para que mande os filhos à escola:

Amados, entre todas as artimanhas do diabo, uma das mais importantes (senão a mais importante), consiste em enganar as pessoas simples de tal maneira que não queiram mandar os seus filhos à escola, em encaminhá-los ao estudo.

Lutero estava percebendo que as pessoas simples estavam alheias a manutenção das escolas e que mantinham seus filhos totalmente afastados dos estudos, dedicando-se exclusivamente à alimentação e ao cuidado do estômago. Também não querem ou não podem avaliar que coisa horrível à anticristã que estão fazendo. Bem como o grande prejuízo e assassino que provocam no mundo inteiro a favor do diabo.

Este também reclama do atual clero, conventos e fundações semelhantes, porque essas a muito tempo se afastaram do seu estado original. Ele também insiste que forme pastores, professores, ministros, capelães, etc., pessoas verdadeiramente devotas a Deus para poderem auxiliar as crianças nas escolas.

Mas onde conseguir pessoas para tal função?

Mas onde buscaremos pessoas para tais finalidades acima citadas, senão juntos aqueles que têm filhos? Se nem tu, nem este, nem aquele querem educar seu filho para este fim, e se nenhum pai e nenhuma mãe querem entregar seu filho a Deus para essa finalidade, como poderá subsistir o ministério e o estado clerical? Os mais velhos que agora desempenham o papel, não viveram par sempre; morrem todos os dias e não há sucessores. Que diria Deus por esse fim? Crês que Lhe agrada o fato de desprezarmos tão escandalosamente seu ministério de instituição divina, conquistado a tão alto preço para o seu louvor, honra e salvação. E agora o abandonarmos e deixarmos perecer com tanta ingratidão.

Lutero também adverte aos pais que, se eles têm condições de pagar, e se seus filhos são capazes e tem vontade de aprender. E os pais desses não o fazem, então tais pais são culpados por tal dano e pelo desaparecimento do estado eclesiástico e do fato de nem Deus e nem a palavra de Deus permanecerem no mundo.

Vemos a seguinte advertência de Lutero aos pais: “Ainda que fosse um rei, não te julgue digno demais para empenhar teu filho com todos os teus bens, entregando-o para esse ministério e obra. Acaso teu dinheiro e trabalho que investes nesse teu filho não será mais honrado, abençoado de modo mais maravilhoso, melhor investido e mais valorizado aos olhos de Deus do que qualquer reino ou império?”

Críticas por questões de boas obras:

Os Sofistas criticam Lutero e os luteranos pelo fato de não praticarem boas obras. Pelo que Lutero respondeu: “Eles conhecem boas obras, bons camaradas são esses. Eles entendem boas obras, pois não. Por acaso não são boas obras as mencionadas acima? Será que educar os jovens tirando-os da ignorância e educando para Deus e para o bem do estado e de seus semelhantes será que não é uma boa obra para Deus bem como para as pessoas?”

Lutero continua: “Como pensas em subsistir quando Deus se dirigir a ti no leito de morte ou no juízo final dizendo: ‘Estive com fome, com sede, forasteiro, nu, doente, preso e não me servistes’ (Mt 25.42ss). Pois o que não fizeste as pessoas na terra em favor de meu reino e do Evangelho, antes ajudastes a reprimi-los e deixastes a alma perecer, isso fizestes a mim mesmo, pois poderia ter colaborado. Pois foi para isso que te dei filhos e bens. Mas você não fez, deixando sofre a mim e a meu reino e a todas as almas. E desse modo servistes ao diabo e foste contra mim e contra o meu reino. Que ele (o inferno) seja a tua recompensa. O que achas de tudo isso e muito mais?”

Nem todos devem ser educados para o ministério:

Não era intenção de Lutero que todos educassem seus filhos para o ministério, bem como não era necessário que todos os meninos fossem pastores, pregadores ou professores. Lutero dizia que os filhos dos patrões não se destinam a essa finalidade, porque o mundo também precisa de herdeiros. Ele se refere ao povo comum, que anteriormente só se preocupavam com o sustento.

Também os outros meninos comuns devem aprender pelo menos o latim, a escrever e a ler. Mesmo que não fossem tão capazes, pois não precisamos somente de doutores e mestres na Escritura. A igreja também precisa de pastores comuns, que preguem o evangelho e ensinem o catecismo, que batizem e administrem o sacramento, etc.

Lutero afirma que nesse momento, as pessoas podem aprender muito mais em três anos, do que se aprendia em 20 anos. Agora, até as mulheres e crianças podem aprender muito mais a respeito de Cristo com os livros em alemão, do que se aprendiam antes nas universidades, conventos, todo o papado e o mundo inteiro.

Em relação ao reino terreno:

Assim como no reino de Cristo, um falso pregador e herege é um diabo, ladrão, assassino, etc. Do mesmo modo, um falso jurista e desonesto na casa do imperador é um ladrão, traidor e um diabo de todos os reinos. Lutero dizia que devia viver entre os animais, aqueles que têm condições financeiras, mas não enviam seus filhos para ajudar o imperador a defender tanto o seu território, corpo, mulher, bens e honra. Lutero conclui: “Por acaso não é servir a Deus quando se colabora na manutenção de sua ordem e do regime secular?”.

Se por um lado Lutero enaltece aqueles que estudam e que mandam os seus filhos a estudarem. Por outro lado ele se ira contra aqueles que chegam desprezar e ridicularizar outras profissões. Como por exemplo, os juristas e escrivãezinhos que desprezam outras profissões, como se fossem os únicos capazes no mundo.

Lutero diz que ninguém vê onde aperta o sapato do outro. Por exemplo: Há os que pensam que a vida de um escritor é fácil. Mas que suportar calor, frio, sede, pó, etc., isso sim seria um trabalho de verdade. Lutero ainda afirma que gostaria de vê um escrivão montar num cavalo, correr os campos debaixo do calor do sol com uma espada do lado. Mas por outro lado ele gostaria de ver um cavalheiro conseguir ficar o dia todo sentado em frente um livro, com os olhos fixos no mesmo.

Como dito antes, muitos não mandavam seus filhos à escola pelo fato de serem pobres e precisarem trabalhar. Mas, em contraposição a isso, Lutero disse que existem muitas pessoas que eram pobres, e que hoje são advogados, escrivães, conselheiros, etc. E que agora subiram na vida a tal ponto que chegaram a ser senhores. Tudo isso por causa do estudo. Ele mesmo afirma que foi um mendicante, e que pedia pão nas portas das casas. Se bem que seu querido pai mais tarde o sustentou com muito carinho e fidelidade quando este estava na universidade de Erfurt.

Qual poderá ser a verdadeira recompensa de um professor ou daqueles que ensinam as crianças?

“A um professor ou mestre dedicado e piedoso, ou a quem quer que seja que eduque e instrua fielmente as crianças, jamais se pode recompensar o suficiente, e não há dinheiro que pague”.

Ainda afirma que se ele (Lutero) pudesse ou tivesse que abandonar o ministério, sem dúvidas ele desejaria ser um professor de meninos. Porque ao lado do ministério da pregação, esse é o ministério mais útil. Disse Lutero: “Inclusive tenho dúvidas sobre qual deles é o melhor, pois é mais difícil domesticar cachorros velhos e converter velhacos...se dedicar ao ministério da pregação trabalhando muitas vezes em vão...enquanto as arvorezinhas novas são fáceis de dobrar e criar, embora algumas também se quebrem nesse processo.”

Direito das autoridades:

Lutero acreditava que as autoridades também têm o direito de obrigar os súditos a mandarem os seus filhos à escola. Se podem obrigar os súditos capazes a carregarem a lança, escalar muros e outras coisas que devem ser feitos em tempo de guerra, também devem e podem mandar os súditos a enviarem os seus filhos à escola.

“Quanto mais às autoridades deveriam escolher meninos e mandá-los a escola, visto que não os estão tirando dos seus pais, pelo contrário, estão educando para os mesmo. E que estão educando para o seu bem e proveito comum. Se as autoridades descobrirem um menino sensato, e, se o seu pai for pobre, que use o recurso da igreja para tal fim. Os ricos deveriam destinar dinheiros para esse fim. Essa seria uma forma digna de doar dinheiro para a igreja. Com isso, não estarás tirando as almas dos falecidos do purgatório, mas, por meio da preservação dos ministérios divinos, estarás ajudando tanto aos que vivem atualmente como também as gerações futuras, que ainda não nasceram, para que não entrem no purgatório, mais ainda, para que sejam libertados do inferno e subam ao céu; e para que os vivos gozem paz e bem-estar.”

Apelo a uma reforma nas universidades:

Lutero afirmou que as universidades precisavam de uma boa e profunda reforma. Ele afirmava que ali se levava uma vida de libertinagem e pouco se ensinava a respeito da Sagrada Escritura e da fé cristã, e que ali Cristo quase não era pregado. O que ali se regia era unicamente o cego e mestre pagão Aristóteles. Lutero tinha em mente de que os livros de Metafísica, Ética e outros que ufanam a cerca das coisas naturais deveriam ser abolidos. Isso porque desses nada se aprendem, nem das coisas espirituais, nem das coisas naturais.

Havia o livro de Aristóteles de dizia respeito ao Tratado da alma. Quanto a esses e outros Lutero disse: “Que afastem esses livros de todos os cristãos!... Pois conheço Aristóteles quanto tu e os teus. Ninguém pode me acusar de falar o que não sei”. Segundo Lutero, deveria ler A Lógica de Aristóteles sem muitos comentários. Ele afirmava que os jovens deveriam estudar o latim, o grego e o hebraico, pois disso dependem muitas coisas. Pois é nisso que se deveria ser instruir a juventude cristã e a gente mais nobre, nas quais reside o futuro da cristandade. Por isso, o reformador disse que não há tarefa mais nobre de um papa ou de um imperador do que fazer brevemente uma reforma nas universidades. Em contrapartida, não há nada mais diabólico do que uma universidade não-reformada.

Uma das coisas que indignava Lutero; era que o papa preceituava com palavras severas de que suas leis deveriam ser lidas e usadas nas escolas. Porém, com o evangelho, pouco se importava.

Lutero ainda afirmou que os que têm o título de professor das Sagradas Escrituras, deveriam ser “obrigados” de acordo com o título a ensinar a Sagrada Escritura e nenhuma outra. Este ainda ensinou que deveria selecionar os melhores livros, pois muito livro não torna ninguém sábio, tampouco muita leitura. Mas, por menos que seja; ler coisas boas e com muita freqüência é que torna uma pessoa sábia na Sagrada Escritura, e ainda, piedoso. Este continua afirmando que nas escolas superiores e inferiores, a lição mais importante deveria ser a Sagrada Escritura. Bem como em cada cidade deveria ter também uma escola de meninas, na qual deveriam ouvir o evangelho pelo menos uma hora por dia.

Outro ponto destacado por Lutero; é que, mesmo que as escolas superiores se apliquem com diligência a Sagrada Escritura, não deveríamos mandar todos para lá. Mas, o príncipe e os conselheiros deveriam permitir que enviassem apenas os mais hábeis. Porém, Lutero não aconselha que ninguém mande os seus filhos para onde não reina o espírito da Escritura. Este também temia profundamente que as escolas superiores sejam grandes portões para o inferno. Isso, caso não ensinassem rapidamente e com afinco a Escritura Sagrada os jovens.

Mas se alguns nos envergonharem com os muitos estudos?

Também não podemos deixar de enviar os jovens para a escola por causa de alguns que se desencaminharam causando com isso grande prejuízo, vergonha e desonrar. Isso, porém, não deve afugentar ninguém da escola. Todas as criaturas de Deus por natureza estão sujeitas ao abuso, e isso sem exceção, como diz São Paulo em Rm 8. 20. Não se deve desprezar a boa criatura de Deus por causa do abuso. Do contrário se deveria desprezar todos os anjos, porque deles procederam os diabos. Também deveria desprezar todos os reis, príncipes, senhores e autoridades, porque dentre eles surgiram tiranos, assassinos, incendiários e os piores patifes. Se observássemos isso, nenhum apóstolo seria digno de respeito, porque dentre eles surgiu Judas, o traidor. Se olhássemos isso, nenhuma virgem nem mulher seria honrada, porque todas as prostitutas procedem de mulheres virgens, e todos os fornicadores de pessoas honrada.

Mas se meu filho tornar-se um herege por causa dos estudos?

É verdade, mas precisa-se arriscar. Nem por isso teu empenho e esforço estará perdido. Apesar disso, Deus reconhecerá o teu fiel serviço e o recompensará como se tivesse sido bem aplicado. O que aconteceu com Abraão, cujo filho Ismael também fracassou? E a Isaque com seu filho Esaú? E a Adão com o seu filho Caim? Teria por isso Abraão desistido de educar o seu filho Isaque, Isaque o seu filho Jacó e Adão o seu filho Abel para o serviço de Deus?

Se as coisas continuarem assim, onde conseguiremos pastores, professore, e sacristãos dentre três anos? Lembre-se que: “A sabedoria é melhor do que couraças e armas, e é melhor do que a força.”.

Conclusão:

Podemos concluir esse nosso trabalho a respeito da educação fazendo a seguinte pergunta: Será que todo esse incentivo, escrito, esforço e trabalho de Lutero a respeito da educação não serve para todos os países do mundo, inclusive para o nosso querido Brasil?

Bibliografia:

BECK, Nestor. Igreja, Sociedade e Educação – estudos em torno de Lutero. Porto Alegre: Concórdia, 1988.

LUTERO, Martinho. Obras Selecionadas. 2ª edição, Vol. II. São Leopoldo e Porto Alegre: Sinodal e Concórdia, 2000.

LUTERO, Martinho. Obras Selecionadas. Vol. V. São Leopoldo e Porto Alegre: Sinodal e Concórdia, 1995.

LUTERO, Martinho. Educação e Reforma – Lutero Para Hoje. São Leopoldo e Porto Alegre: Sinodal e Concórdia: Sinodal e Concórdia, 2000.

UMA ANÁLISE DOS HINOS DE LUTERO

IGREJA EVANGÉLICA LUTERANA DO BRASIL

SEMINÁRIO CONCÓRDIA

FACULDADE DE TEOLOGIA

LEOCIR MADERI DALMAN

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UMA ANÁLISE DOS HINOS DE LUTERO

São Leopoldo

2009

LEOCIR MADERI DALMAN

UMA ANÁLISE DOS HINOS DE LUTERO

Colóquio Teológico Pastoral

Para obtenção do título de especialista em Teologia com Habilitação ao Ministério Pastoral

Seminário Concórdia

Orientador: Raul Blum

São Leopoldo

2009

FOLHA DE APROVAÇÃO

clip_image003Autor: Leocir Maderi Dalman

Título do Trabalho: Uma Análise dos Hinos de Lutero

Trabalho de Conclusão do Curso de Especialização em Teologia

SEMINÁRIO CONCÓRDIA – Faculdade de Teologia

São Leopoldo

09 de Junho de 2009

Professor Orientador: MS. Raul Blum, B.D.; M.C.M. Professor de Teologia Prática.

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MS. Raul Blum

Banca Examinadora: Dr. Acir Raymann, B.A., B.D., S.T.M., Professor de Teologia Exegética.

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Dr. Acir Raymann

Reverendo - Marcos Jair Fester – Pastor da CEL SS. Trindade – Scharlau – São Leopoldo – RS.

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Reverendo - Marcos Jair Fester

DEDICATÓRIA

Dedico aos meus familiares e amigos que contribuíram em minha formação ministerial, tanto financeiramente quanto por meio de orações.

AGRADECIMENTOS

Agradeço a Deus pelas imensas bênçãos que Ele concedeu para que eu tivesse forças de poder chegar ao final deste curso;

Ao meu professor orientador, Raul Blum pela dedicação e a orientação deste trabalho. Se pude fazer um bom trabalho, foi graças a ele e a Deus.

RESUMO

Este trabalho apresenta uma análise dos hinos de Lutero. Os conceitos que Lutero observou em suas composições, bem como as técnicas e formas utilizadas e suas motivações e objetivos. Lutero expressa em seus hinos, toda a ânsia por proclamar o Evangelho. Lutero o faz de forma clara e proposital, utilizando-se dos hinos como forma de ensinar e fixar o conteúdo da fé cristã. As composições de Lutero eram sempre impulsionadas por uma situação ou necessidade especifica. Assim, temos Lutero compondo hinos para a liturgia, para suas pregações expondo situações especificas. São hinos riquíssimos no seu conteúdo, baseados nos textos bíblicos, apresentando uma forma artística à boa nova da salvação.

Palavras – Chaves

Lutero – Música – Simplicidade – Comunidade

ABSTRACT

This paper presents an analysis of Luther’s hymns. The concepts that Luther observed in his compositions, as well as the technics and forms used by him, and his motivations and objectives. Luther expresses in his hymns all anxiety for proclaiming the Gospel. Luther does it in a clear and proposital way making use of hymns as a form to teach and to fix the content of the Christian faith. Luther’s compositions were always upgraded by a specific situation or necessity. So, we will have Luther composing hymns for the Liturgy, for his preaching’s exposing specific situations. These are rich hymns in their content, based on biblical texts, presenting an artistic form to the good news of salvation.

Key – Words

Lutero – music – Simplicity - Community

SUMÁRIO

INTRODUÇÃO........................................................................................................................11

1. CONTEXTOS DOS HINOS DE LUTERO...........................................................................13

1.1 A EUROPA DO SÉCULO XVI..........................................................................................13

1.2 CONTEXTOS POLÍTICOS DA EUROPA NO SÉCULO XVI...........................................13

1.3 CARACTERÍSTICAS CULTURAIS DA EUROPA DO SÉCULO XVI.............................14

1.3.1 O Renascimento...........................................................................................................14

1.3.2 O Humanismo...............................................................................................................14

1.3.3 A Igreja no Século XVI.................................................................................................15

1.3.4 A Reforma.....................................................................................................................15

1.3.5 A Música no Século XVI..............................................................................................16

1.4 OBSERVAÇÕES SOBRE A FORMA..............................................................................17

1.4.1 Os Textos......................................................................................................................18

1.4.2 Motivação Pedagógica................................................................................................19

2 LUTERO COMO MÚSICO...................................................................................................20

2.1 NASCIMENTO..................................................................................................................20

2.2 LUTERO E A MÚSICA.....................................................................................................20

2.3 LUTERO COMPOSITOR.................................................................................................26

3 CONTEÚDO DOS HINOS DE LUTERO.............................................................................36

3.1 UM BELO HINO DOS MÁRTIRES DE CRISTO, QUEIMADO EM BRUXELAS PELOS SOFISTAS DE LOVAINA MARTINHO LUTERO...........................................................36

3.2 ALEGRAI-VOS, CAROS CRISTÃOS..............................................................................36

3.3 O SALMO "DAS PROFUNDEZAS" / DAS PROFUNDEZAS CLAMO, Ó DEUS................37

3.4 Ó DEUS DOS CÉUS, VOLTA O SEU OLHAR................................................................37

3.5 DIZ A BOCA DOS NÉSCIOS ..........................................................................................38

3.6 O SALMO DEUS MISEREATUR NOSTRI (DEUS SE COMISERE DE NÓS)................38

3.7 SE DEUS ESTIVESSE CONOSCO NESTA ÉPOCA.......................................................38

3.8 FELIZ AQUELE QUE TEME A DEUS..............................................................................38

3.9 EM MEIO À VIDA, ESTAMOS ENVOLVIDOS PELA MORTE........................................39

3.10 ESTES SÃO OS SANTOS DEZ MANDAMENTOS.......................................................40

3.11 JESUS CRISTO, NOSSO SALVADOR, QUE NOS AFASTOU DA IRA DE DEUS. Ó JESUS, TU NOS SALVASTE.......................................................................................................40

3.12 LOUVADO SEJAS, JESUS CRISTO.....................................................................................................41

3.13 VEM, Ó SALVADOR DOS GENTIOS...................................................................................................

41

3.14 DEVEMOS DAR A CRISTO BELO LOUVOR...........................................................................

42

3.15 COM PAZ E ALEGRIA EU SIGO.....................................................................................................

42

3.16 CRISTO ESTAVA PRESO NAS AMARRAS DA MORTE........................................

42

3.17 JESUS CRISTO NOSSO SALVADOR, QUE VENCEU A MORTE.............................................

43

3.18 VEM DEUS CRIADOR, ESPÍRITO SANTO...............................................................................

43

3.19 AGORA PEDIMOS AO ESPÍRITO SANTO.................................................................................

43

3.20 VEM, SANTO ESPÍRITO, SENHOR DEUS.......................................................................

44

3.21 NÓS CREMOS TODOS NUM SÓ DEUS..................................................................................................

44

3.22 DEUS, O PAI, SEJA CONOSCO.................................................................................

44

3.23 DEUS SEJA LOUVADO E BENDITO................................................................................

45

3.24 O SALMO 46. DEUS NOSTER REFUGIUM ET VIRTUS (NOSSO DEUS [É] REFÚGIO E FORÇA) (MAR.LUTH.) CASTELO FORTE...................................................

45

3.25 O SANCTUS ALEMÃO...............................................................................................................................

46

3.26 DA PACEM DOMINE (CONCEDE-NOS A PAZ, SENHOR) ALEMÃO MARTINHO LUTERO..........................................................................................................................................

46

3.27 CANÇÃO INFANTIL A SER CANTADA CONTRA OS DOIS ARQUI-INIMIGOS DE CRISTO E DE SUA SANTA IGREJA (O PAPA, OS TURCOS, ETC.) OH! GUARDA-NOS, SENHOR DOS CÉUS.......................................................................................................

46

3.28 TE DEUM LAUDAMUS (SENHOR, NÓS TE LOUVAMOS), TRADUZIDO PELO DR. MARTINHO LUTERO................................................................................................................

47

3.29 UM HINO DA SANTA IGREJA CRISTÃ DO CAP. 12 DO APOCALIPSE. MARTINHO LUTERO.............................................................................................................................................

47

3.30 CANÇÃO INFANTIL PARA O NATAL DE CRISTO MARTINHO LUTERO. EU VENHO DESDE OS ALTOS CÉUS..................................................................................

47

3.31 OUTRO HINO DE NATAL CONFORME A MELODIA ANTERIOR MART....................

48

3.32 O HINO HOSTIS HERODES (INIMIGO HERODES) SEGUNDO A MELODIA A SOLIS ORTUS, ETC. (DESDE O NASCER DO SOL) DR. MART. LUTERO...................................

48

3.33 O PAI-NOSSO BREVEMENTE INTERPRETADO E MUSICADO PELO DOUTOR MART. LUTERO..........................................................................................................................

49

3.34 HINO SACRO SOBRE NOSSO SANTO BATISMO, DE MODO BEM RESUMIDO O QUE ELE É, QUEM O INSTITUIU, QUAL SEU PROVEITO, ETC. DR. MART. LUTERO..................................................................................................................................

49

3.35 HINO O LUX BEATA (O LUZ BEATA) TRADUZIDO PELO DR. MART. LUTERO...

49

3.36 GLORIA IN EXCELSIS DEO (TODA A GLÓRIA E LOUVOR SEJAM DE DEUS)...

59

3.37 LITANIA ALEMÃ...........................................................................................................................

50

3.38 OS HINOS DE LUTERO NO HINÁRIO DA IELB..........................................

50

CONCLUSÃO...................................................................................................................

52

REFERÊNCIAS.................................................................................................................

54

ANEXOS...........................................................................................................................

55

INTRODUÇÃO

Juntamente com a Reforma luterana do séc. XVI nasce um novo capítulo da hinologia cristã ocidental. Um dos principais compositores de hinos é o próprio reformador, Lutero. Seus hinos são ainda hoje largamente utilizados e são material de estudo musical e teológico de grande importância.

Que conceitos podemos observar nas composições de Lutero? Quais formas utilizadas? Quais foram suas motivações e objetivos? E como as respostas a essas perguntas podem ser úteis a quem hoje se utiliza dos hinos de Lutero, ou mesmo para quem se propõe a compor novos hinos?

A análise dos hinos busca algumas das respostas para as perguntas acima. Primeiramente será esboçado um breve relato do contexto no qual os hinos surgiram, descrevendo o contexto político, social e cultural do séc. XVI, bem como aspectos específicos sobre a Reforma e a vida de Lutero.

No segundo capitulo será análisado a pessoa de Lutero, o seu trabalho como músico e como ele se tornou músico, poeta e acima de tudo teve a sensibilidade de ver e perceber que o canto também deveria ser congragacional.

No terceiro capítulo será feito uma análise dos hinos, buscando observar aspectos da forma, melodia, texto e intenção. Buscando nos hinos diretrizes e preceitos para composição de letra e música.

Ao estudar a música em Lutero, percebe-se que a voz da congregação havia por quase mil anos sido abafada. Lutero muda esta história, trazendo de volta a voz da congregação. Tanto Lutero como outros compositores que aderiram a Lutero transformaram a música numa serva fiel da palavra de Deus, tanto para pregar a doutrina pura da palavra de Deus, como para defender a palavra de Deus contra doutrinas falsas, para que os fiéis tivessem em suas mãos letras e melodias com as quais pudessem confessar sua fé e prestar culto autêntico ao Senhor. Com a preocupação de que hovesse nos hinos a manisfestação da doutrina pura, vemos como resutado, no conteúdo dos hinos, uma grande riqueza das verdades escriturísticas.

Muitas pesquisas e estudos são realizados sobre os hinos de Lutero, O contato com seus hinos abre imensas possibilidades e questionamentos é uma imensa riqueza a ser descoberta.

1 CONTEXTOS DOS HINOS DE LUTERO

1.1 A EUROPA DO SÉCULO XVI

Para melhor compreender o conteúdo e significado dos hinos de Lutero, é necessário que conhecer um pouco do contexto histórico no qual se deu o seu surgimento. Descreveremos abaixo o contexto politico, religioso do séc. XVI e alguns aspectos específicos sobre a história da Reforma, da música e da vida de Lutero.

1.2 CONTEXTO POLÍTICO DA EUROPA NO SÉCULO XVI

Os acontecimentos deste século marcam o fim da sociedade feudal e o surgimento da sociedade aristocrática, um processo resultante de sucessivos conflitos sociais. Surgem aí os estados nacionais, que se estruturaram primeiramente na Europa Ocidental.[1] Já a situação na Europa Central se apresentava muito diferente, nem a Alemanha, nem a Itália haviam ainda conquistado uma hegemonia politica.[2] E encontraremos a Alemanha num estado de desordem tanto social quanto política.[3]

Um dos principais problemas da Europa neste periodo eram os Turcos. Eles já se encontravam às portas de Viena e ameaçavam o restante da Europa. A ajuda financeira, fornecida pelos estamentos alemães, necessária para arcar com as despesas da guerra foi uma forma de garantir vantagens para a Reforma.[4] Podemos dizer que a "Reforma deve sua expansão em grande parte às guerras que foram travadas na Europa.”[5]

1. 3 CARACTERÍSTICAS CULTURAIS DA EUROPA DO SÉCULO XVI

1.3.1 O Renascimento

É importante observar que no séc. XVI estaremos dentro do periodo denominado Renascimento Cultural, que já se inicia no séc. XIV na Itália.[6] Neste periodo a humanidade se volta para a antiguidade clássica, ao estudo dos autores clássicos gregos e romanos, bem como da lingua hebraica.[7]

O Renascimento auxiliou na formação de um espirito nacional e provocou um novo sentimento de vida. O ser humano se volta mais para si, aumenta a importância da história e da técnica e há um aumento de sensibilidade.[8] “O Renascimento causa uma mudança na atitude do homem para com o problema da existência humana.”[9]

1.3.2 O Humanismo

O Humanismo e o Renascimento se confundem, no entanto são fenômenos distintos.[10] Podemos definir o Humanismo como a corrente de pensamento reinante no Renascimento, que lutava contra o pensamento escolástico, baseando-se no conhecimento da civilização greco-latina. O humanismo buscava mostrar a dignidade do espirito humano, abrindo um movimento de confiança na razão e no espirito crítico.

Dentro dessa mudança na forma de pensar podemos enquadrar o que diz Hubert Jedin:

Los traídos y llevados abusos no eram ciertamente mayores a fines del siglo XV que a mediados del XVI. Pero las gentes los soportaban com menos facilidad, estaban más alerta, tenian más viva conciencia y más espíritu critico, e eran, en el buen sentido, más exigentes; es decir, más sensibles a la contradicción entre ideas y realidad, doctrina y vida, aspiración y realización.[11]

1.3.3 A Igreja No Século XVI

A Reforma religiosa no séc. XVI brota da situação em que se encontrava a Igreja neste período. A atuação do papado estava marcada pelos abusos e por uma vida desregrada. Os pontificados eram marcados por assassinatos, adultérios, e por todo tipo de descalabro imaginável. o movimento da Reforma terá seu inicio no pontificado de Leão X.[12]

O clero refletia diretamente a situação encontrada no papado. A grande maioria do clero tinha suas paróquias como fonte de dividendos e exploração para o seu prazer. As paróquias e bispados criados visavam a obtenção de ganhos financeiros e não ao atendimento espiritual. Bispos e sacerdotes não se viam no ministério, mas compreendiam-se donos e senhores, com direito a exploração.[13]

A grande preocupação reinante era a falta de dinheiro, as despesas com guerra e com a corte de Roma eram imensas. Assim, grandes taxações eram impostas e não havia dinheiro que chegasse, situação que nos levará às indulgências, estopim da Reforma.[14]

Outro fator importante, presente no dia-a-dia da Igreja, eram as incertezas teológicas.[15] Haviam grandes controvérsias e dúvidas quanto às temáticas da justificação por graça e fé, que nos levam à doutrina. da penitência e à consequente venda de indulgências.[16]

1.3.4 A Reforma

Não faremos uma descrição dos acontecimentos em torno da Reforma, apenas descreveremos de forma rápida aqueles que terão ligação direta com a composição dos hinos de Lutero.

Devemos observar que a Reforma é um encaminhamento histórico resultante da situação politica, religiosa e social do inicio do séc. XVI. Toda a situação em que se encontra o Império e a Igreja são resultantes da dissolução da ordem medieval e de seus principais pressupostos; dentre os quais o principal é a unidade da vida politica, espiritual e religiosa.[17]

Lutero foi professor da cátedra biblica na Faculdade de Teologia da Universidade de Wittenberg a partir do ano de 1512. Até o ano de 1519 desenvolveu estudos sobre vários livros bíblicos. Neste período surge a formulação das noventa e cinco teses, postas a público em 31 de outubro de 1517 e também a experiência da descoberta da justificação por graça e fé.[18]

Depois de um período de discussões e a exigência de retratação, Lutero foi excomungado com a bula Decet Romanum Pontificem. Em maio de 1521 Lutero foi levado a Wartburgo e no mesmo mês seria proscrito pelo edito de Worms, assinado por Carlos V.[19]

Lutero retorna a Wittenberg em 1522, onde vem combater os entusiastas, que diziam-se inspirados pelo Espirito Santo, e vinham causando sérias confusões.[20] Posteriormente, em 1523, vai ocupar-se com a elaboração de uma nova ordem do culto, e da composição do primeiro de seus hinos, "Ein hübsch Lied von den zwei Märtyrern Christi".[21] A publicação da Missa Alemã se dará no ano de 1526.[22]

1.3.5 A Música No Século XVI

O ambiente musical encontrado no período da Reforma tem suas raizes nos conceitos musicais praticados durante a Idade Média. Estes estavam baseados numa visão neo-platônica, que criou um abismo entre a música profana e a música sagrada, sujeitando a música ao propósito religioso. Com o Renascimento Cultural e a consequente secularização, a música profana volta pouco a pouco a ser considerada, pelo seu próprio valor, mesmo que não tivesse uma função religiosa.

O humanismo terá uma grande influência sobre a música na medida em que associará esta mais estreitamente com as artes literárias. Os poetas passaram a preocupar-se mais com o som dos seus versos e os compositores com a imitação desse som. As imagens e o sentido do texto inspiravam os motivos e as texturas da música, a mistura de consonâncias e dissonâncias, os ritmos e a duração das notas. Procuravam-se novas formas de dramatizar o texto. Os compositores passaram a respeitar a regra de seguir o ritmo da fala, não violando a acentuação natural das sílabas, quer em latim, quer em língua vernácula.

A música medieval baseava-se no antigo conceito ético da música, segundo o qual a música pode tornar alguém bom ou mau, aproximar de Deus ou afastar. Cada modo era tido como portador de uma qualidade moral e até mesmo religiosa. As melodias eram assim construídas sobre um número variado de modos. A noção harmônica estava se desenvolvendo, mas ainda estavamos em pleno período polifônico.

Caminha-se neste período para uma tendência a simplificação e para a unidade, bem como para uma maior racionalidade.

1.4 OBSERVAÇÕES SOBRE A FORMA

Observar as formas musicais utilizadas por Lutero é se deparar com um compositor que coloca a forma a serviço do conteúdo.[23] Assim não veremos Lutero se utilizando das formas complexas em uso no séc. XVI, como o moteto. Mesmo assim podemos considerar Lutero como tendo características conservadoras em relação à tradição musical.[24]

Dos trinta e sete hinos compostos por Lutero, trinta e dois deles se encontram dentro da forma estrófica. Esta forma é caracterizada pela utilização da mesma música para cada estrofe de um poema.

O surgimento e desenvolvimento da forma estrófica não é plenamente reconhecível e identificável. Podemos supor que algumas das canções profanas existentes na época da Reforma tenham tido a forma estrófica; mas será o hino reformatório que firmará seu uso.

A composição dos hinos "Jesaja, dem Propheten das geschah", "Verleih uns Frieden gnädiglich", "Herr Gott, dich loben wir - Te Deum laudamos" e "All Ehr und Lob soll Gottes sein", se utiliza da forma denominada Durchkomponiert, onde cada parte da poesia ganha sua própria composição musical.

Outra característica formal encontrada em algumas composições de Lutero é a utilização do Leise.[25]

Estas observações quanto a forma nos fazem ver que Lutero se mantém, de certa maneira, dentro da tradição quanto ao uso das formas. A utilização da forma estrófica denota uma preocupação pedagógica de Lutero. As comunidades não tinham uma participação ativa no canto comunitário, e os hinos tinham de ser decorados, pela falta de hinários para todas as pessoas. Assim a forma estrófica se mostra a mais apropriada para a aprendizagem e fixação.

1.4.1 Os Textos

As poesias dos hinos de Lutero têm, assim como as melodias, origens e inspirações diversas. Todos eles são um trabalho original de Lutero, que busca expressar de forma cuidadosa seu pensamento e intenção. Mesmo as traduções e versões denotam sempre um trabalho cuidadoso de Lutero. Em alguns hinos apenas a primeira estrofe é uma tradução ou versão, Lutero geralmente lhe acrescentará mais estrofes, para desenvolver a temática a que se propõem.

Os hinos de Lutero têm um reconhecimento pela qualidade de seus textos, pois “em seus hinos e canções não se consegue encontrar uma única palavra desnecessária. Tudo flui em beleza e arte, cheio de espirito e doutrina, e cada palavra parece uma prédica, ou no minimo uma referência a uma prédica. Não há ali nada forçado ou artificial. As rimas são boas, as palavras bem escolhidas e artísticas, o sentido é claro e sem dúvidas...”[26] a simplicidade das letras é um traço característico de Lutero, para ele era importante que o povo compreendesse o que estava cantando, assim as palavras são simples e comuns, mas cheias de sentido.[27]

Lutero tem um estilo direto nas suas letras, as frases são curtas, e se utiliza do costume da época de comprimir e compactar palavras. Esta objetividade fará também com que Lutero se expresse no indicativo e no imperativo.[28]

1.4.2 Motivação Pedagógica

Lutero se utiliza dos seus hinos como meio de ensinar e fixar o conteúdo do “Evangelho que ora voltou a brotar”. Assim temos a presença de seus hinos no catecismo e nas suas pregações.

2 LUTERO COMO MÚSICO

2.1 NASCIMENTO

Em dez de novembro de mil quatrocentos e oitenta e três nascia Lutero, uma das mais poderosas personalidades que o mundo conheceu. Em Eisleben na Alemanha, no lar de Hans e Margarete Lutero havia animação e felicidade, Deus lhes tinha dado seu primeiro filho, um menino.

Com apenas um dia de idade o menino foi levado à igreja pelo pai. Onze de novembro era o dia dedicado a são Martinho de Tours: em sua homenagem, o menino recebeu o nome de Martinho.

2.2 LUTERO E A MÚSICA

As primeiras experiências que Lutero teve com música se deram em sua casa, cantando os hinos dos mineiros.[29] Posteriormente Lutero teve contato com música na escola de Mansfeld, onde cantou no coro infantil que acompanhava as missas,[30] em Magdeburg e Eisenach continuou sua participação nos coros,[31] nestas cidades Lutero ganhava seu sustento cantando de porta em porta, como era costume na época.[32]

Continuou a estudar música na universidade, pois a música era uma das Artes liberales. Aprendeu sozinho a tocar alaúde, instrumento com o qual acompanhava seus hinos quando cantava,[33] e como monge, aprendeu o canto gregoriano.

A trajetória de Lutero com a música ao longo de sua vida lhe dará possibilidade para que desenvolva sua capacidade de compor, de maneira a que seus hinos permanecem entre nós até os dias de hoje.

Lutero se tornou músico e admirava as artes, das quais, a música caía na sua preferência. Tocava alguns instrumentos, especial­mente o alaúde e a flauta. Também gostava de cantar. Aliás, cantar fazia parte da sua vida, provavelmente desde a infância. Quando, aos 14 anos, ingressou na escola de Magdeburgo, já estava afinado para cantar de porta em porta. Só assim garantia o pão de cada dia. Ganhando a vida com a voz é que ele parou na casa de Úrsula Cotta, esposa de um rico comerciante. Úrsula se agradou da voz de Lutero e o convidou para morar em sua casa. Descomprometido com a questão financeira, teve, a partir de então, tempo para dedicar-se à escola e à música. Com o dom de cantar e tocar, teve portas abertas para reintroduzir a música na igreja. “Para Lutero, a música tinha um valor muito especial. Ela não era apenas mais uma atividade que fazia parte da sua vida e seu trabalho, mas do seu próprio sentimento. Suas declarações sobre o lugar da música na igreja são muito impressionantes.”[34]

Lutero era um grande estudioso da Escritura. Ele compreendia muito bem o valor que a música exerceu nos tempos bíblicos. Nos seus escritos, percebe-se que ele tem objetivos claros sobre a função da música na igreja e o lugar que ela devia ocupar na propagação do reino de Deus. No prefácio do Hinário de Wittemberg, de 1524, o primeiro hinário luterano, ele revela alguns destes objetivos: "Acredito que nenhum cristão ignora que cantar hinos sacros é coisa boa e agradável a Deus".[35]

O primeiro hinário surgiu em 1524 com apenas oito hinos acompanhados de notas musicais, conhecido como Achtlíederbuch[36]. Quando foi editado, estes hinos já eram cantados em Wittenberg em folhas avulsas. Quatro deles eram da autoria de Lutero. Uma das primeiras composições de Lutero foi o hino: “Nun freut euch, lieben Christen gmein”[37] (Alegrai-vos, Caros Cristãos). Com este hino Lutero abriu o caminho para um elemento deixado de lado na igreja cristã: o canto congregacional. Não que antes não houvesse música na igreja. Mas a partir da Reforma ela recomeça a tomar um grande lugar na vida do povo de Deus. O povo de Deus se identifica hoje muito mais com a música do que antes da Reforma. Milhares de hinos foram escritos depois deste primeiro pelo mundo afora. E hoje seria impossível alguém contar os hinos cristãos existentes no mundo.

Os hinos de Lutero surgiram das suas experiências de lutas e vitórias de fé, mas especialmente do seu conhecimento bíblico. Em Lutero podemos ver, com clareza, os princípios bíblicos de uso da música na igreja. São acima de tudo, uma confissão de fé cristã. O conteúdo bíblico e doutrinário deles revela esta convicção cristã e denuncia que ele perseguia o objetivo de proclamar a palavra de Deus através da música. A música é um dos fatores presentes na igreja desde o seu início. Mas é a partir da Reforma que as grandes campanhas evangelísticas e mesmo o trabalho em geral das igrejas vêm se aliando e apoiando na música e encontrando por meio dela uma facilidade maior de propagar aquilo que ensinam.[38]

É nesta visão de música que surge o primeiro hinário luterano. Apesar da profundidade doutrinária, da clareza dos seus hinos, da riqueza poética, Lutero era humilde em dizer que não possuía o dom da poesia. Além disso, ele só descobriu esta veia poética, em 1523, aos 40 anos, quando surgiu o seu primeiro hino. Mesmo assim não foi tarde para sentir o quanto os hinos eram importantes para que o povo pudesse aprender a Palavra por meio da música, e melhor louvar a Deus. Por isso ele teve o desejo de colocar nas mãos do povo uma coletânea de hinos. Procurando concluir este objetivo, Lutero incentivou amigos a colaborarem. Em fins 1523 escrevia a Espalatino:[39] “seguindo o exemplo dos profetas e patriarcas da igreja, estou disposto a compor salmos em língua alemã para o povo, cantos espirituais, para que a palavra de Deus seja preservada entre o povo também por meio do canto.[40]

Martinho Lutero foi bastante conservador em relação à tradição musical. Seguindo a expressão “reteremos o que é bom”[41], Lutero não desprezou a música contemporânea, nem tampouco a música de dança, logicamente, refutando o que é mau, com um criticismo cuidadoso.

Lutero foi um apaixonado pela música, valorizou-a como poucos e soube fazer dela um excepcional instrumento para o louvor a Deus e um importante meio na educação de crianças e jovens no lar, nas escolas e na sociedade. Da mesma forma, Lutero insistiu que a prática musical da igreja deve estar sempre acompanhada de reflexão teológica.[42]

Até o período que antecedeu a Reforma, em torno de mil anos, a voz da congregação foi silenciada. A língua usada oficialmente na igreja era o latim. No entanto, a grande parte do povo cristão, pelo mundo afora, não o compreendia plenamente e, em consequência disso, entendia poucas palavras que ouvia na igreja. Naturalmente o canto da congregação e toda participação do povo no culto foi afetado. Com isso a missa e o canto da congregação foram legados cada vez mais ao clero, restringindo, assim, a voz da congregação. Pela graça de Deus, porém, este período nebuloso da igreja terminou.[43] "A adoração agora não se restringia apenas aos clérigos e meninos de coro, mas era a própria assembléia dos fiéis que devia cantar seus hinos em louvor a Deus, e isso, em sua querida língua materna".[44]

Todos os cristãos deviam fazer parte da adoração pública. Foi por isso que Lutero batalhou para que a Palavra de Deus e o hinário fossem colocados nas mãos do povo, em sua própria língua. Lutero é conhecido como aquele que recuperou a doutrina do sacerdócio de todos os crentes. E foi no aspecto da adoração onde esta doutrina teve suas maiores realizações. Assim Lutero reintegrou a participação do povo no culto da igreja.[45]

Os hinos chegaram a ser publicados em cartazes e pregados pelas ruas da Europa. Eles foram levados de um lugar para outro por meio de panfletos e até por trovadores ambulantes. Eram memorizados na língua alemã e assim abriam o caminho para a Reforma.

A voz da congregação por tantos anos em silêncio, agora, além de poder cantar, cantava confessando a fé e a alegria pela salvação. No culto havia mais participação do povo, pois podiam adorar na língua que sabiam falar. E as pessoas não se cansavam de cantar. "Houve casos em que, quando o Reformador era atacado na igreja pelos sacerdotes católicos, o povo se levantava e se retirava entoando hinos de Lutero".[46]

É portanto desta época que vem o conceito “A Igreja Luterana é a Igreja que canta”.[47] Os hinos de Lutero realmente deixaram profundas marcas na história da igreja. Mas todo este impacto não se deve simplesmente ao momento popular de Lutero. Eles não foram cantados pelo povo como uma simples adesão aos idéais de um líder ou como uma força de campanha em prol de um objetivo. Eles tinham conteúdo e eram a pura verdade de Deus. Deus agiu por meio deles e aí se explica o sucesso da Reforma. Além disso há outros fatores que os tornaram importantes para a Reforma:

1. Eram fáceis de assimilar. Percebe-se nos hinos de Lutero uma sequência lógica do pensamento. Ele não despeja muitos conteúdos num hino só. É como contar uma história, ou como um sermão, que tem tema e partes, o que ajuda na assimilação do conteúdo dos hinos. 2. Tinham a linguagem do povo, simples e direta. Tudo o que Lutero escreveu e traduziu estava apoiado numa preocupação: fazer com que o povo compreendesse. Seus hinos não fugiram desta regra. 3. Tinham objetivos pedagógicos e doutrinários. Os hinos de Lutero serviram para ensinar as ênfases principais da doutrina luterana. Neles Lutero descreve sobre pecado, arrependimento, perdão, graça, fé, salvação, nova vida em Cristo, palavra de Deus, batismo, santa ceia, morte e eternidade. 4. Tinham mensagem de profundo consolo. Através dos hinos, o povo pôde aprender os ensinos da reforma. Depois de um longo período de trevas, agora podia-se ouvir e cantar hinos que confortavam as almas tristes. E os hinos de Lutero eram, acima de tudo, escriturísticos e de um conteúdo profundo que não é possível jogar fora uma palavra sequer. Eram, portanto, o consolo da infinita graça de Deus revelada na Palavra.[48]

É verdade que grande parte dos hinos de Lutero não é original. Muitos são parafraseados da Escritura, de maneira particular os salmos, e outros estão baseados em hinos em latim, grego e alemão. Em última instância, contudo, o grande reformador encheu as pessoas com sua fé fervente e espírito militante, e estes hinos trouxeram uma nova luz e deram uma nova vida, um novo vigor à mensagem proclamada pela igreja.[49]

Lutero e outros basearam seus hinos nos salmos, nos dez mandamentos e em histórias da Bíblia. Canções folclóricas e populares foram transformadas em hinos novos para a igreja. Alguns hinos foram parafraseados de hinos latinos, eliminando, principalmente, erros doutrinários. Outros tiveram apenas algumas palavras modificadas. Além disso Lutero e outros receberam influências dos estilos musicais e poéticos do seu tempo. Estes aspectos não eram considerados exatamente um plágio na época, pois ainda não haviam leis de autoria. Um hino era objeto de domínio público.[50]

Um dos objetivos de Lutero com a música é simplicitas, ou seja, a simplicidade. Além disso, texto e música devem corresponder; “as duas coisas, texto e notas; acento, modo e trejeito devem provir de autêntica língua e voz materna, senão tudo será imitação, como fazem os macacos”.[51]

Às muitas dádivas valiosas pelas quais a cristandade tem de agradecer a Lutero, somam-se, também, seus incomparáveis hinos e cânticos, que nos cativam pela sua simplicidade e ternura, pela sua suavidade e força. Ao estabelecer a ordem do culto divino, Lutero se preocupou muito com o fato de que o canto não se restringisse apenas aos clérigos e meninos de coro, mas que a comunidade toda devesse cantar seus hinos em louvor a Deus nos céus, e isso em sua querida língua materna. Acontece, porém, que, naquele tempo, existiam poucas composições em língua alemã que pudessem ser cantadas nos cultos.[52]

Percebe-se, assim, o motivo do sucesso da música ao proclamar a palavra de Deus e transmitir a mensagem da Reforma. Ela falava diretamente ao coração das pessoas. Os hinos de Lutero refletem fielmente o espírito da época em que surgiram. Época de lutas constates e muitos conflitos. A nota estridente que às vezes aparece nos hinos de Lutero pode ser facilmente compreendida quando lembramos que o reformador olhava para o papa, bem como para os outros que se opunham aos ensinos luteranos, como o próprio “anticristo”.[53]

Lutero aceitou também esse desafio, pondo-se a trabalhar na elaboração de um hinário. Assim, já em 1524, veio à luz o primeiro hinário luterano, contendo oito cânticos com as respectivas notas musicais, dos quais quatro eram da sua própria autoria. A primeira composição evangélica que brotou da pena de Lutero foi o maravilhoso hino: "Vós crentes, todos, exultai". No mesmo ele descreve, baseado em sua própria experiência, a miséria humana para, logo depois, louvar e enaltecer a obra redentora de Deus. Vieram em seguida: "Atende-nos, ó Deus dos céus" e "Das profundezas clamo, ó Deus". Ambos esses hinos são brados de socorro que partem do fundo de uma existência pecaminosa, nos quais a comunidade e cada cristão arrependido elevam sua voz ao trono de Deus e encontram atendimento.[54]

2.3 LUTERO COMPOSITOR

Os hinos compostos por Lutero tornaram-se razão para diversas discussões e estudos ao longo da história. Muitas foram as controvérsias quanto ao número de hinos compostos, bem como um número maior de pequenas divergências quanto à real autoria de um ou outro.

Baseamos nossas observações nos 37 hinos apresentados nas Obras Selecionadas de Lutero, volume 7. Primeiramente apresentaremos uma lista dos hinos e seu provável ano de composição.

Nome Original

Tradução

Ano

Ein hübsch Lied von den zwei Märtyrern Christi

Um Belo Hino dos Mártires de Cristo, Queimado em Bruxelas Pelos Sofistas de Lovaina Martinho Lutero.

1523

Nun freut euch, lieben Christen gmein

Alegrai-vos, Caros Cristãos

1523

Aus tiefer Not schrei ich zu dir

O salmo "Das profundezas" / Das Profundezas Clamo, ó Deus

1523

Wohl dem, der in Gottes Furcht steht

Feliz Aquele Que Teme a Deus

1524

Ach Gott, vom Himmel sieh darein

Ó Deus Dos Céus, Volta o Seu Olhar

1523

Es spricht der Unweisen Mund wohl

Diz a Boca Dos Néscios

1523-24

All Ehr und Lob soll Gottes sein

Gloria in excelsis Deo (Toda a glória e louvor sejam de Deus)

1537

Christ lag in Todesbanden

Cristo estava preso nas amarras da morte

1524

Christ, unser Herr, zum Jordan kam

Hino sacro sobre nosso santo Batismo, de modo bem resumido o que ele é, quem o instituiu, qual seu proveito, etc. Dr. Mart. Lutero

1541

Christum wir sollen loben schon

Devemos dar a Cristo belo louvor

1523

Der du bist drei in Einigkeit

Hino O lux beata (O luz beata) traduzido pelo Dr. Mart. Lutero

1543

Die Deutsche Litanei

Litania Alemã

1529

Dies sind die heil 'gen zehn Gebot

Estes São os Santos Dez Mandamentos

1524

Ein feste Burg ist unser Gott

O Salmo 46. Deus noster refugium et virtus (Nosso Deus [é] refúgio e força) (Mar.Luth.) Castelo Forte.

1521

1528

Erhalt uns, Herr, bei deinem Wort

Canção infantil a ser cantada contra os dois arqui-inimigos de Cristo e de sua Santa Igreja (o papa, os turcos, etc.) Oh! Guarda-nos, Senhor dos Céus.

1542

Es wollt uns Gott gnädig sein

O Salmo Deus Misereatur Nostri (Deus se Comisere de nós)

1524

Gelobet seist du, Jesu Christ

Louvado sejas, Jesus Cristo

1523-24

Gott der Vater wohn uns bei

Deus, o Pai, seja conosco

1524

Gott sei Gelobet und gebenedeiet

Deus seja louvado e bendito

1524

Jesaja, dem Propheten das geschah

O Sanctus alemão

1526

Jesus Christus, unser Heiland, der von uns den Gott’s Zorn wand

Jesus Cristo, nosso Salvador, que nos afastou da ira de Deus. Ó Jesus, tu nos Salvaste

1524

Jesus Cristus, unser Heiland der den Tod überwand

Jesus Cristo nosso Salvador, que venceu a morte

1524

Komm, Gott Schöpfer, Heiliger Geist

Vem Deus criador, Espírito Santo

1524

Komm, Heiliger Geist, Herre, Gott

Vem, Santo Espírito, Senhor Deus

1524

Mit Fried und Freud ich fahr dahin

Com paz e alegria eu sigo

1524

Mitten wir im Leben sind von dem Tod umpfangen

Em Meio à Vida, Estamos Envolvidos pela Morte

1524

Nun bitten wir den Heiligen Geist

Agora pedimos ao Espírito Santo

1523

1526

1542

Nun komm, der Heiden Heiland

Vem, ó Salvador dos gentios

1523-24

Sie ist mir lieb, die werte Magd

Um hino da Santa Igreja Cristã do cap. 12 do Apocalipse. Martinho Lutero

1535

Te Deum laudamus

Te deum laudamus (Senhor, nós te louvamos), traduzido pelo Dr. Martinho Lutero

1529

Vater unser im Himmelreich

O Pai-Nosso brevemente interpretado e musicado pelo Doutor Mart. Lutero

1539

Verleih uns Frieden gnädiglich

Da Pacem Domine (Concede-nos a paz, Senhor) Alemão Martinho Lutero

1531

Vom Himmel kam der Engel Schar

Outro hino de Natal conforme a melodia anterior Mart.

1543

Vom Himmel hoch da komm ich her

Canção infantil para o Natal de Cristo Martinho Lutero. Eu Venho Desde os Altos Céus

1535

Wär Gott nicht mit uns diese Zeit

Se Deus Estivesse Conosco Nesta Época

1524

Was fürchtest du, Feind Herodes sehr

O hino hostis Herodes (Inimigo Herodes) segundo a melodia A solis ortus, etc. (Desde o nascer do Sol) Dr. Mart. Lutero.

1541

Wir glauben all an einen Gott

Nós cremos todos num só Deus

1524

Lutero apresenta no prefácio do hinário Wittenberguense de 1524 a principal e central motivação para a composição de seus hinos: "a fim de propagar e dar impulso ao santo Evangelho que ora voltou a brotar pela graça de Deus, para que também nós possamos nos gloriar, como o faz Moisés em seu cântico, em Êx 15. Cristo é nosso louvor e canto, e nada saibamos cantar nem dizer senão a Jesus Cristo nosso Salvador, como diz Paulo em 1Co 2.”[55] Lutero quer que os hinos sejam uma outra forma de propagar o Evangelho, para que todos o conheçam.[56]

Foi em Lutero que a arte perdida do canto congregacional foi recuperada e o hino cristão recebeu seu merecido lugar no culto público. Lutero desafiou os grandes poderosos, a grade cúpula eclesiástica da época, a mais poderosa que o mundo já conheceu e trouxe para a religião e para o mundo político uma revolução que mudou o curso da historia humana. O que deu a Lutero um reconhecimento, uma fama imortal. Quem conheceu Lutero apenas como reformador, sabe muito pouco sobre seus dons, seus talentos e suas obras.

Lutero escreveu também um bom número de hinos maravilhosos. Em 1524 publicou o primeiro hinário evangélico, e animou outros escritores e compositores hábeis a escreverem bons hinos com bonitas melodias.

Em 1524, editou o primeiro hinário, uma coletânea ainda muito pequena de hinos próprios e transcrições. Evidentemente ainda não satisfeito, continuou estimulando a outros a darem sua contribuição, como o fez na carta a Ludwig Senfl. Novas edições surgiram, ampliadas, ricas e selecionadas. E Lutero estava vigilante, para que se publicassem hinos realmente evangélicos.[57]

Mais tarde, apareceram os hinos dedicados às datas festivas: "Louvado sejas, ó Jesus" para o Advento; "Eu venho desde os altos céus" para o Natal; "Jesus sofreu a morte" para a Páscoa; "Ao Santo Espírito com fervor" para Pentecostes. Acima de todos, porém, destaca-se o seu cântico de luta e vitória, o insuperável hino da Reforma: "Castelo Forte é o nosso Deus".[58]

Lutero possuía um profundo conhecimento na arte da composição e seus conhecimentos técnicos também impressionavam. Lutero cresceu cercado de música, participando de coros desde a sua infância, tanto na escola quanto na igreja.

Martinho Lutero é considerado o pai dos hinos evangélicos.

Até hoje um dos hinos evangélicos mais cantados no mundo é o "Castelo Forte" de Lutero. Ele se tornou desde a Reforma uma espécie de hino de batalha, não só para luteranos, mas também para outras igrejas cristãs. Os hinos de Lutero foram como as veias de um corpo, por onde passa o sangue e abastece o corpo. A Reforma se tornou realidade, em grande parte, porque seus hinos produziram um impacto fora do comum. O povo cantava na igreja e fora dela. Desta forma, Lutero tornou-se o pai do hino evangélico.[59]

No final do século XVI se afirmou que Lutero compôs cerca de 137 músicas. Porém, esse número é, ainda hoje, questionado. O fato, no entanto, é que Lutero teve notável importância musical.

Sua primeira composição[60] foi “Um belo Hino dos Mártires de Cristo, queimados em Bruxelas pelos sofistas” em Lovaina, no qual canta o martírio de dois monges agostinianos em Bruxelas, 1523. A poesia foi muito presente na obra de Lutero.

Lutero também publicou diversos hinários. A história dos hinários está intimamente ligada à história de Lutero e da Reforma. Antes, ainda, os hinos de Lutero eram publicados em folhas avulsas. Com o passar do tempo, foi necessário que fossem juntados em hinários, originando assim essa atividade. Para Lutero são as notas que dão vida ao texto, por isso publicava texto e notas (partituras) em seus hinários. Assim, também a comunidade participaria efetivamente do canto no culto.

Naquela época, os hinos de Lutero produziram um efeito fora do comum. As pessoas não se cansavam de cantá-los e, em muitos lugares, o sermão evangélico era introduzido pelo entusiasmo contagiante dos hinos luteranos, entoados pelas vozes vibrantes dos cristãos congregados. Em razão disso, os adversários faziam o seguinte comentário: "É cantando que o povo adere à igreja herética; os hinos de Lutero atraíram mais almas do que seus escritos e sermões."[61]

Em Braunschweig, um sacerdote manifestou ao duque o seu descontentamento pelo fato de que até na capela do paço se cantavam hinos luteranos. O duque, que comumente se mostrava aborrecido em relação a Lutero, quis saber de que hino se tratava e qual era o seu conteúdo. Quando o sacerdote informou que o nome do hino era: "Queira Deus nos ser gracioso", o duque repreendeu-o, dizendo: "Ora, deve, por acaso, o diabo nos ser gracioso? Quem, afinal, deve ser gracioso", para conosco, se não o próprio Deus?"[62]

Lutero foi um grande defensor do canto comunitário, não somente efetuado pelo coro, mas com a participação da comunidade. Isso pode ser percebido quando escreve em um de seus prefácios a um hinário, onde Lutero inicia citando o Salmo 96.1 “Cantai ao Senhor um cântico novo, cantai ao Senhor todo mundo”.

No prefácio ao hinário de Wittenberg de 1524, Lutero afirma que:

“Nenhum cristão ignora que o canto de hinos sacros seja bom e agradável a Deus... para isso eu, junto com vários outros, para fazer um início e motivar aqueles que possam fazê-lo melhor, reuni alguns hinos sacros a fim de propagar e dar impulso ao santo Evangelho que ora voltou a brotar pela graça de Deus... além disso, foram arranjados a quatro vozes por nenhuma outra razão senão o meu desejo que a juventude, a qual afinal de contas deve e precisa ser educada na música e em outras artes dignas, tenha algo com que se livre das canções de amor e dos cantos carnais para, em lugar desses, aprender algo sadio, de modo que o bem seja assimilado com vontade pelos jovens, como lhes compete”.[63]

Sobre a eficácia dos hinos de Lutero, assim se manifesta um amigo dele:

"Não tenho dúvida de que este singelo hino de Lutero: “Vós crentes, todos, exultai” levou centenas de pessoas a abraçarem a fé cristã, pessoas que antes nem suportavam que se pronunciasse o nome Lutero. Mas as palavras sinceras e preciosas deste homem de fé conquistaram-lhes o coração, fazendo-os aceitar a verdade."[64]

Lutero reconheceu que em seus dias a música atingia seu ápice, tanto é que afirmou: “Creio que se Davi ressuscitasse dos mortos admirar-se-ia de quão longe as pessoas chegaram com a música”.[65]

Lutero colocou a música na mais alta e honrada posição, e a prova disso está em uma de suas cartas a Ludovico Senfl:

Pois sabemos que os demônios odeiam e não suportam a música. Dou minha opinião bem franca e não hesito em afirmar que, depois da teologia, não existe arte que se possa equiparar à música, porque somente ela, depois da teologia, é a que consegue uma coisa que no mais só a teologia proporciona: um coração tranqüilo e alegre. Uma prova muito clara disto é que o diabo, o causador de tristes preocupações e de tumultos perturbadores, foge do som da música quase tanto como da palavra da teologia.[66]

Foi grande a contribuição dos hinos de Lutero para a difusão da mensagem da reforma, como observa Ilson Kayser na Introdução à Carta de Lutero a Ludovico Senfl:

Os cantos luteranos contribuíram em muito para a difusão da reforma, pois com eles o povo participava com entusiasmo do novo culto e em publico anunciava a mensagem da Reforma. A grande reverberação do canto da Reforma pode ser avaliada no desabafo de um dos adversários da Reforma: “Os hinos de Lutero”, assim constatava, “levaram à perdição mais almas do que os seus livros e sermões.”[67]

Lutero vê especialmente na música a finalidade de “difundir e promover o sagrado Evangelho”. Citando o apóstolo Paulo, o qual recomenda aos colossenses cantarem (Cl 3.16), Lutero diz:

Que a música na igreja deve servir para "difundir a doutrina cristã, a fim de que ela seja praticada de toda maneira possível".[68] Ele vê as artes como dom de Deus e diz que "gostaria de ver todas as artes, particularmente a música a serviço daquele que as doou e criou".[69]

Lutero preocupou-se em compor hinos sacros na língua do povo, que tivessem conteúdo bíblico, especialmente de acordo com os salmos, que pudessem ocupar o lugar dos hinos que antes eram cantados em latim.

Lutero viu na música um aliado importante na propagação da verdade eterna. E nisso ele se empenhou com todas as suas forças. Esse esforço podemos ver na própria quantidade de hinos. Do primeiro hinário eram de sua autoria a metade dos hinos. Do segundo, além de ter sido lançado pouco tempo depois, mais da metade eram de sua autoria. No total, Lutero compôs aproximadamente 37 hinos. Este não é um número exato, pois de alguns hinos ele apenas modificou algumas palavras e de outros apenas acrescentou uma ou duas estrofes. Por outro lado, também precisamos considerar que alguns dos seus hinos contêm de dez à quinze estrofes e de seis à nove linhas cada uma, uma verdadeira obra literária. Temos muito a aprender com este fenômeno poético-musical presente em Lutero na propagação da causa da reforma. Precisamos redescobri-lo na igreja de hoje.[70]

A declaração a seguir pode sintetizar todo o seu pensamento:

A música é um dos mais belos e gloriosos dons de Deus. Ela é inimiga de Satanás, através da qual pode-se espantar muita tentação e maus pensamentos. O diabo não a aprecia. A música é uma das mais belas artes. A melodia dá vida ao texto. A música espanta o espírito da tristeza, como se pode ver na história do rei Saul. A música é o melhor remédio para quem está triste, pois devolve paz ao coração, renova e refrigera. A música é um belo e glorioso presente de Deus, muito semelhante à teologia. Eu não trocaria meus poucos dons de música por nada neste mundo. Deveríamos ensinar esta arte aos jovens, pois ela os torna gente boa e habilidosa.[71]

Para ele o cantar é uma reação natural do cristão para adorar ao Senhor. Depois, Lutero vê a música como meio educativo. Neste mesmo prefácio ele diz: que gostaria que a juventude fosse ser educada na música e outras artes e "que tivesse algo que lhe permitisse libertar-se das canções de amor e outros cantos profanos, aprendendo algo de sadio em seu lugar".[72]

Lutero foi um apaixonado pela música, valorizou-a como poucos e soube fazer dela um excepcional instrumento para o louvor a Deus e um importante meio na educação de crianças e jovens no lar, nas escolas e na sociedade. Da mesma forma, Lutero insistiu que a prática musical da igreja deve estar sempre acompanhada de reflexão teológica.[73]

Lutero também teve importância destacada na Liturgia, trabalhando musicalmente a Missa Alemã, algumas Ordens de Culto entre outras composições de ordem litúrgica. Além disso, Lutero tinha grande apreço pelo Agnus Dei (Cordeiro Divino), o qual foi incluído, posteriormente na “Missa Alemã”.

Na visão de Paul Henry Lang, Lutero não foi um diletante, amador, apreciador, apaixonado em música.

No centro do novo movimento musical que acompanhou a Reforma encontra-se a proeminente figura de Martim Lutero. Ele ocupa essa posição não por causa de seu papel de liderança no movimento protestante, e nada é mais injusto do que considerá-lo como uma espécie de entusiástico e bem-intencionado diletante. O derradeiro destino da música protestante alemã dependeu deste homem, o qual, em seu tempo de estudante na cidade de Eisenach, cantando todos os tipos de canções juvenis, e como sacerdote familiarizando com o gradual e as missas polifônicas e motetos, vivia com música soando em seus ouvidos.[74]

Ele deu sua filosofia musical e mais profunda expressão em prefácios às numerosas publicações que, nos primeiros anos da Reforma suplicava-se pelo seu uso nas igrejas luteranas e nas escolas.

O valor que Lutero dava à música mostra que seu amor por ela era tão grande que não era sectário, mas um amor de um devotado praticante amador da arte.

Lutero fala de uma simples melodia em uma voz, com as outras, ele está descrevendo o assim chamado Tenorlied uma nota alemã, que serviu de modelo para a composição dos hinos da igreja luterana primitiva. Para Martinho Lutero,

a música é uma esplêndida dádiva de Deus e eu gostaria de exaltá-la com todo o meu coração e recomendá-la a todos. Mas eu estou tão dominado pela diversidade e magnitude de suas virtudes e benefícios que (...), por mais que eu queira deixá-la, minha exaltação será insuficiente e inadequada (...). Se queres confortar os tristes, aterrorizar os felizes, encorajar os desesperados, tornar humildes os orgulhosos, acalmar os inquietos ou tranqüilizar os que estão tomados por ódio (...) que meio mais efetivo do que a música poderia encontrar?[75]

Desde a Reforma a música vem sendo uma das características mais significativas da igreja. A Reforma teria acontecido sem os hinos de Lutero, pois afinal, ela foi obra de Deus, mas jamais teria o impacto que teve. Ela se divulgou muito rápido por toda Europa. Isto se deve não apenas aos escritos e conferências de Lutero, mas em grande parte aos seus hinos.[76]

3 CONTEÚDO DOS HINOS DE LUTERO

Grande número dos hinos foram compostos e utilizados por Lutero em função de suas pregações, para que o conteúdo fosse melhor absorvido pelos seus ouvintes. Abaixo uma lista de hinos que foram compostos e utilizados dentro desta perspectiva. Aproveitando o que os tradutores da edição portuguesa das obras Selecionadas Vol.07 de Lutero comentaram a respeito dos seus 37 hinos.

3.1 UM BELO HINO DOS MÁRTIRES DE CRISTO, QUEIMADOS EM BRUXELAS PELOS SOFISTAS DE LOVAINA MARTINHO LUTERO.

Este foi o primeiro hino de Lutero, uma verdadeira composição poética que trazia a história dos mártires de Cristo, revelada no próprio nome do hino, onde dois jovens monges agostinianos são queimados em praça publica pelos sofistas em Lovaina por confessarem sua fé em 1523. Lutero provavelmente tinha 40 anos e foi nesta época que descobrira a habilidade da poesia.

A 1º de julho de 1523, dois monges agostinianos, Heinrich Voes e Johann Von Eschen, do convento de Antuérpia, foram queimados em fogueira na praça do mercado de Bruxelas por haverem professado ensinamentos de Lutero. Pouco após o acontecido, Lutero redigiu “Carta aos Cristãos nos Países Baixos”, na qual comenta o fato. No mesmo período, provavelmente nos primeiros dias de agosto de 1523, deve ter surgido o presente hino. As duas últimas estrofes foram compostas mais tarde. De modo algum deveriam ser intercaladas entre a 8ª e a 9ª estrofes, pois provocariam quebra de sentido.[77]

3.2 ALEGRAI-VOS, CAROS CRISTÃOS

Toda alegria que Lutero expressa no texto deste hino, brota também da melodia vigorosa e exultante, que mostra no movimento da primeira frase um salto de alegria. Os vários saltos de quarta ascendentes conferem uma energia e um vigor exigido pela narrativa do texto.

Este foi o hino que levou a explosão hinológica, ele é uma balada como o hino dos mártires de Cristo. E é em 1524 que Lutero mais publicou hinos.

Este hino foi publicado em folha avulsa, em 1523. É autobiográfico e relata com grande liberdade a caminhada de Lutero desde seu ingresso no convento até a descoberta do Evangelho como justificação do pecador. Hino pascal popular ("Alegrem-se mulheres e homens... ") auxiliou na formulação das estrofes e forneceu a melodia. É provável que nosso hino tenha surgido pouco após a composição do hino anterior. Os dois têm o estilo de balada épica.[78]

3.3 O SALMO "DAS PROFUNDEZAS" / DAS PROFUNDEZAS CLAMO, Ó DEUS[79]

Uma primeira observação que pode ser feita em relação a este hino refere-se ao movimento melódico da primeira linha. Lutero descreve a profundidade da angústia com o arco descendente - ascendente formado pelas três primeiras notas, descrevendo ascendentemente o clamor que se dirige ao "Senhor Deus", encerrando a primeira frase musical e o hino na nota que descreve a profundeza da angústia.

O hino deve ter surgido em fins de 1523. É provável que tenha anexado por Lutero a uma carta escrita a Espalatino na passagem do ano de 1523 para 1524. No final dessa carta, escreve: “De profundis a me versus est” (traduzi o de profundis). Temos aqui salmo transformado em hino. Lutero tem profundo amor pelo saltério. No Salmo 130, encontra expressão de sua própria experiência. Assim temos aqui expressa a felicidade da pessoa que sabe da experiência do perdão dos pecados. Repete-se o cantus firmus da descoberta reformatória. Faz, aliás, parte da pedagogia de Lutero repeti-lo até a exaustão para que se grave no coração dos fieis.

Para Lutero, a certeza do perdão dos pecados é a única coisa que pode consolar ante a morte. Por isso, já em 1524, o presente hino passou a ser cantado por ocasião de sepultamento.[80]

3.4 Ó DEUS DOS CÉUS, VOLTA O SEU OLHAR

O texto apresenta livre versão do Salmo 12, tendo sido publicado pela primeira vez em 1524, em Nürnberg. Deve, porém, ter sido cantado em Wittenberg antes desta data. Seu contexto são as discussões tidas por Lutero com os entusiastas, em 1523. O hino está prenhe das dores causadas por essas discussões: "Não deixam tua palavra ser verdade". A Palavra de Deus não é mais o critério determinante para os entusiastas que seguem pretensas iluminações, dadas diretamente pelo Espírito San­to: "A fé também está totalmente extinta". No entanto, as revelações em que se fundam os entusiastas são "falsas aparências"; trata-se de invenções do "entendi­mento próprio". A consequência é que não se entendem ("Um escolhe isto, outro aquilo") e provocam cisões entre os cristãos ("dividem-nos sem qualquer crité­rio"). Quando se os admoesta, ufanam-se abertamente. O próprio Deus deve intervir para que "essa geração perversa", "não se insinue entre nós".

A estrofe 7a, segundo pesquisas feitas, com toda a certeza não é de Lutero.[81]

3.5 DIZ A BOCA DOS NÉSCIOS

Trata-se de versão do Salmo 14, publicada pela primeira vez em 1524. No mesmo ano, houve publicações em Erfurt e em Wittenberg. Seu contexto são, assim como no hino anterior, as discussões com os entusiastas. Deve ter sido composto no final de 1523 ou início de 1524.[82]

3.6 O SALMO DEUS MISEREATUR NOSTRI (DEUS SE COMISERE DE NÓS)

Temos neste hino versão do Salmo 67. Paulo Speratus colocou-o no final de sua tradução do “Formulário da Missa e da Comunhão”. Trata-se, pois, do primeiro hino de encerramento do novo culto luterano. Essa intenção é corroborada pelo acréscimo da formulação “Agora dizei amém de coração”. Tal acréscimo é novida­de em relação ao Salmo 67, que não conclui com "amém".[83]

3.7 SE DEUS ESTIVESSE CONOSCO NESTA ÉPOCA

O hino teve sua primeira impressão no Hinário de Wittenberg, de 1524. Parte do Salmo 124, em cujo versículo 8 se encontra a formulação: Adiutorium nostrum in nomine domini, (Nosso auxílio em nome do Senhor), que é também oração gra­dual da missa romana, encontrando-se, pois, no início da liturgia anterior à reforma luterana. Por isso, Lutero deve ter composto o hino para ser cantado no início do culto.[84]

3.8 FELIZ AQUELE QUE TEME A DEUS

Este hino foi provavelmente composto para o segundo domingo de Epifania, para a pregação sobre o texto de Jo 2.1-11. Este hino é um louvor ao matrimônio.

Certamente Lutero se utilizou de seus e de outros hinos para facilitar a compreensão e fixação do conteúdo de suas pregações. Prática esta ainda hoje utilizada quando da escolha dos hinos que emolduram as pregações dominicais.

Este arranjo do Salmo 128 foi, igualmente, publicado em 1524, mas deve ter sido composto por volta de 17 de janeiro daquele ano. Naquele dia, Lutero pregou a respeito do Evangelho do Domingo da Epifania, João 2.1-11, as bodas de Caná. O Salmo 128 foi, em Israel e, posteriormente, na Igreja, salmo a ser lido por ocasião de bodas. A Lutero deve ter parecido apropriado cantá-lo no Domingo da Epifa­nia de 1524.

O hino é louvor do matrimônio, seguindo a tendência da Reforma de valorizar o matrimônio.[85]

3.9 EM MEIO À VIDA, ESTAMOS ENVOLVIDOS PELA MORTE

“Lutero conhecia da Igreja medieval a antífona De morte. O povo a cantava como intercessão, lamento, em favor dos mortos, mas também em meio a batalhas. Em sua versão original dizia:”

Media vita in morte sumus

quem quaerimus adiutorem

nisi te, domine?

Qui pro peccatis nostris

iuste irasceris

Sancte deus,

sancte fortis,

sancte et misericors salvator

amarae morti ne tradas nos.[86]

“O hino já fora traduzido antes de Lutero para o alemão:”

In mittel unsers lebens zeyt

im tod seind wir umbfangen:

Wen suchen wir, der unb hilffe geyt,

von dem wir huld erlangen,

denn dich, herr, alleine?

der du umb unser missetat

rechtlichen zürnen thust.

Heiliger herre gott,

Heiliger starker Gott

Heiliger und barmherziger Heiler ewiger,

Got lab uns nit gewalt thun des bitteren tods not.[87]

“Vale a pena comparar este texto com a tradução de Lutero. Não é o medo ante a morte próxima a tónica em Lutero, mas o arrependimento por causa do pecado que provocou a ira de Deus. A morte faz lembrar o pecado. A correção de nossa inter­pretação é corroborada pelas duas estrofes acrescentadas por Lutero ao hino. Nelas não se fala mais da morte física, mas do pecado, do inferno, da misericórdia de Deus, da satisfação feita pelo pecado, através do sacrifício de Cristo, do consolo que vem para a fé que nele confia.”[88]

O fato concreto que levou Lutero a recompor o hino e a acrescentar-lhe duas estrofes é acontecimento de 5 de julho de 1524. Naquela data, afogou-se no rio Elba o humanista Guilherme Nesen, quando o barco no qual remava com o Prior Brisger bateu em tronco de árvore. Diversas cartas de Lutero dão testemunho do impacto que nele causou a morte do humanista. Mas não é só isso. As cartas tam­bém testemunham a grande preocupação que lhe causam os entusiastas. A morte do amigo e os entusiastas fazem com que o hino culmine no grito "Ó Deus eterno, não permitas que abandonemos o consolo da verdadeira fé."[89]

3.10 ESTES SÃO OS SANTOS DEZ MANDAMENTOS

Com o hino “Dies sind die heil’ gen zehn Gebot", Lutero tem a clara intenção de fazer com que o povo aprenda os Dez Mandamentos com facilidade.

Era tradição medieval pregar acerca dos dez mandamentos na época da paixão. Lutero deu continuidade a essa tradição. De suas reflexões sobre o decálogo surgi­ram hinos. Qual a razão dos hinos? É simples: “fazer com que o povo apreenda os 10 mandamentos com facilidade”. Além desta versão, mais longa, Lutero compoem outra, abreviada, que leva por título: Mensch, wiltu leben seliglich (ser humano, queres viver em bem-aventurança). Ambas devem ter surgido em 1524. No ano se­guinte, foram cantadas durante a quaresma.[90]

3.11 JESUS CRISTO, NOSSO SALVADOR, QUE NOS AFASTOU DA IRA DE DEUS. Ó JESUS, TU NOS SALVASTE[91]

Também no ano de 1524, no Domingo de Ramos, Lutero fala sobre Confissão e Santa Ceia, apresentando idéias presentes de forma semelhante neste hino. Na quinta-feira daquele mesmo ano fala sobre os frutos da Santa Ceia, presentes na última estrofe.

O hino foi publicado em 1524 em Wittenberg e em Erfurt e deve ter surgido em data próxima à Semana Santa daquele mesmo ano. No Domingo de Ramos daquele ano, Lutero pregou a respeito de Confissão e Santa Ceia, reproduzindo alguns pensamentos do hino em prosa. Na Quinta Feira Santa, falou do fruto da santa Ceia que aparece na prática do amor ao próximo, em palavras muito próximas da última estrofe do hino.[92]

3.12 LOUVADO SEJAS, JESUS CRISTO

De forma semelhante ao hino “Von Himmel hoch da komm Ich her”, também este demonstra nas suas linhas descendentes o movimento que Deus faz em direção ao ser humano.

Outras observações sobre a unidade entre texto e melodia nos hinos de Lutero podem ser tecidas. No entanto, este tipo de análise incorre com facilidade em erros ou exageros, o que não nos deve impedir de percebermos a importância que Lutero dá para um trabalho de composição em que melodia e texto sejam cúmplices na transmissão da mensagem dos hinos.

“O hino foi publicado em 1524, em Wittenberg e em Erfurt, tendo sido compos­to na passagem de 1523 para 1524. Seu primeiro verso está composto de acordo com estrofe medieval, sendo de gosto popular, no mínimo desde 1370. Na época, em baixo-alemão, tinha a seguinte formulação:”[93]

Loust sistu isu crist,

dat du hute gheboren bist

von eyner maghet. Dat is war.

Des vrow sik olde hemmelsche schar. Kyr.[94]

“Lutero acrescentou mais seis estrofes a esta primeira. Seu acento, porém, não está mais no nascimento virginal, mas no paradoxo do que acontece no Natal. É importante verificar a terceira estrofe. Neste paradoxo está contido, para Lutero, o centro da história natalina. Toda a Bíblia tem nele seu centro gravitacional.”[95]

3.13 VEM, Ó SALVADOR DOS GENTIOS

Também este hino foi publicado em 1524, em Wittenberg e em Erfurt, tendo sido, igualmente, composto na passagem de 1523 para 1524. Lutero verte para o alemão hino ambrosiano, intitulado Veni redemptor gentium. Já antes de Lutero houve versões alemãs do mesmo, inclusive uma de Tomás Muntzer. Lutero tam­bém fez algumas poucas alterações na melodia. Seja observado aqui o apreço de Lutero pelos hinos medievais, principalmente por aqueles que acentuam a divindade da criança da manjedoura. Veja-se, neste sentido, a segunda estrofe do hino. Lutero não acentua o dogma pelo dogma, mas por causa do Evangelho nele contido.[96]

3.14 DEVEMOS DAR A CRISTO BELO LOUVOR

Em meados do século V, o bispo Caio Célio Sedúlio, da Acaia, compôs A solis ortus cardine. Lutero traduziu esta composição, mas conhecia também traduções alemãs, inclusive uma tradução de Müntzer. A tradução de Lutero, possivelmente, surgiu por volta do Natal de 1523.[97]

3.15 COM PAZ E ALEGRIA EU SIGO

Até o século XVIII, a Igreja Luterana festejou, a 2 de fevereiro, a festa da Puri ficação de Maria. O Evangelho do dia (Lucas 2.22-32) foi muito apreciado por Lutero. Nele está contido o cântico de Simeão. A celebração da festa, em 2 de fevereiro de 1524, levou Lutero a transformar o cântico de Simeão em hino. Doravante não seria mais cantado apenas pelo sacerdote ou pelo coro, mas por toda a comunidade. O hino foi impresso em Wittenberg, em 1524. No fundo, não se trata de tradução de Lucas 2.22-32, mas de recomposição a partir da compreensão que Lutero tem do Evangelho. Numa edição de 1545, foi-lhe acrescida a última estrofe.[98]

3.16 CRISTO ESTAVA PRESO NAS AMARRAS DA MORTE

Lutero cita partes deste hino em seu sermão de páscoa do ano de 1524, provável ano de seu surgimento.

O título do canto remete ao mais antigo hino sacro alemão. Trata-se do hino pascal Christ ist erstanden (Cristo ressuscitou), conhecido desde o século XIII. A predileção de Lutero por este hino está expressa nas palavras: Com o tempo cansamos de cantar qualquer hino, mas o “Cristo ressuscitou” a gente tem que cantar todos os anos. Considera-o especial, pois, ao contrário dos demais hinos pascais medievais, não fica descrevendo os tormentos do Cristo, mas a centralidade de sua ressurreição.

Ao compor o presente hino, Lutero fundiu Christ ist erstanden (Cristo ressucitou) com a sequência pascal latina Victimae paschali laudes immolent Christiani (os cristãos oferecem louvores à vítima pascal), conseguindo incutir-lhe toda a alegria e júbilo que brotam da ressurreição. Seus sermões pascais de 1524 refletem isso, pois neles reproduz passagens do hino. Isso também significa que o hino deve ter surgido na Páscoa de 1524.[99]

3.17 JESUS CRISTO NOSSO SALVADOR, QUE VENCEU A MORTE

“O hino, surgido em 1524, apresenta o resumo da pregação pascal de Lutero. No tocante ao conteúdo, traz complementação do hino Christ ist erstanden (Cristo ressuscitou).”[100]

3.18 VEM DEUS CRIADOR, ESPÍRITO SANTO

“Gregório Magno compôs In feste Pentecoste: Veni creator spiritus (Na festa de Pentecostes: vem Espírito Criador). O hino teve diversas traduções alemãs, inclusive uma feita por Tomás Müntzer. A versão de Lutero é de 1524 e parece ter sido composta às pressas para a impressão.[101]

3.19 AGORA PEDIMOS AO ESPÍRITO SANTO

A primeira estrofe do presente hino é quanto a seu gênero a mais antiga “leise” alemã. Na missa medieval, o povo só podia cantar o “Kyrie-eleison” (tem piedade de nós, Senhor). Todas as demais partes da missa eram cantadas pelo sacerdote e/ou pelo coro. Quando o povo compunha hinos sacros, que cantava fora do templo, acrescentava-lhes o Kyrie-eleison, como se estivesse pedindo perdão por sua ousadia. A primeira estrofe deste hino é mencionada por Bertoldo de Ratisbona, falecido em 1272. Tomás Müntzer também a usou em seu culto em língua alemã em Allstedt, em 1523. No "Formulário da Missa" de 1523, Lutero recomenda seu uso. Logo após a publicação do "Formulário da Missa", Lutero deve ter lhe acrescentado mais três estrofes. Na “Missa Alemã”, de 1526, Lutero dá-lhe lugar de destaque e, em 1542, coloca-o entre os hinos que podem ser cantados por ocasião de sepultamentos. As semanas em que o hino foi composto eram especialmente difíceis. Os entu­siastas agiam e os camponeses estavam sobremaneira inquietos.[102]

3.20 VEM, SANTO ESPÍRITO, SENHOR DEUS

O hino deve ter surgido na época de Pentecostes de 1524, sendo contemporâ­neo do hino “Agora pedimos ao Espírito Santo”. As concepções expostas nos dois hinos são bastante similares. No entanto, o presente hino é mais alegre. É hino de louvor. A comparação dos dois hinos é importante. Enquanto o anterior fala de pre­ocupações, este dá sinais de gratidão por causa do progresso da causa. Mais uma vez, Lutero toma estrofe medieval, do século XV, tradução da Antiphona in vigília pentecostes: Veni sancte spiritus (Antífona na vigília de Pentecostes: Vem Espírito Santo). Lutero retrabalha a estrofe medieval e acrescenta-lhe outras duas.[103]

3.21 NÓS CREMOS TODOS NUM SÓ DEUS

Este é o hino do Credo Niceno. É provável que Lutero tenha composto este hino para o Domingo da Trindade. Antes que Lutero publicasse a “Missa Alemã”, ele passou a ser cantado em cultos evangélicos.

Em 1526, o próprio Lutero passou a adotar este costume em Wittenberg. Como hino de confissão de fé, passou a ser cantado também fora do culto, em sepultamentos.Em 1542, Lutero incluiu-o entre os hinos a serem cantados por ocasião de sepultamentos. Para estudar seu conteúdo teológico, é importante consultar os catecismos do reformador. Na melodia, Lutero manteve o velho modo gregoriano dos credos latinos cantados. O hino deve ter sido composto em 1524.

É usado ainda hoje no culto luterano, como forma de confessar/expressar a fé cristã.[104]

3.22 DEUS, O PAI, SEJA CONOSCO

Hino composto para ser cantado na época da Trindade, em 1524.Como já afirmamos na introdução a outro hino, a época era crítica e exigia perseverança: "Mantém-nos em fé firme".[105]

Na Idade Média, havia um número muito grande de estrofes semelhantes ao presente hino. Se verificarmos seu texto, veremos que Lutero adapta a estrofe, originalmente dedicada à invocação dos santos, à redescoberta do centro da mensagem evangélica. O próprio Deus é, agora, invocado. Eis a versão original, ante­rior à de Lutero:

Santa Maria, socorre-nos,

se tivermos que morrer.

Livra-nos de todos os pecados

e não nos deixes perecer.

Guarda-nos do diabo,

pura virgem Maria,

ajuda-nos com a multidão dos anjos,

e cantaremos aleluia.

Todos os profetas, socorrei-nos, ete...

A melodia é do século XIII ou XIV.[106]

3.23 DEUS SEJA LOUVADO E BENDITO

“O hino foi publicado em 1524, em Wittenberg e Erfurt. Deve ter surgido por volta da festa de Corpus Christi de 1524.”[107]

Esta suposição se deve ao fato de a estrofe que lhe serve de base ter sido sempre cantada nesta festa. Lutero eliminou dela aquelas partes que julgava anti-evangélicas e acrescentou-lhe mais duas estrofes. No hino, Lutero encontra a comprovação de que a celebração do Sacramento sob duas espécies não era novidade para o povo.[108]

3.24 O SALMO 46. DEUS NOSTER REFUGIUM ET VIRTUS (NOSSO DEUS [É] REFÚGIO E FORÇA) (MAR.LUTH.) CASTELO FORTE.

Pode-se perceber a influência de Lutero no hinário Luterano, com hinos tradicionalmente conhecidos, como por exemplo, o “Castelo Forte é Nosso Deus”, em algumas traduções aparece como “Castelo Firme é Nosso Deus” ou ainda, “Nosso Deus [é] Refúgio e Força”

Este hino possui um cunho teológico profundo. Retrata da melhor forma a nossa tradução para Deus, através de metáforas. Deus é nosso Refúgio, nossa força, sem Ele nada conseguiremos. Nos livra de aflições e de tormentos, nos assiste com Sua poderosa mão. Mostra-nos que sozinhos nada somos e nada conseguimos, mas Deus quis nos salvar e por isso nos deu o Seu próprio Filho. Deus batalha por nós contra o “malfeitor”, Satanás e, de fato, vence. Com Deus ao nosso lado nada precisaremos temer, mesmo que inúmeros demônios queiram nos devorar, pois o rei do mal já foi vencido, não tem mais força sobre nós. Deus é nosso refúgio, nEle encontramos a força de que precisamos. Mesmo que percamos a vida, família, bens e até mesmo nossa honra; que tudo se vá, temos a certeza de que o Reino porvir (dos céus) será nosso.

O hino mais conhecido de Lutero é o que provocou a maior controvérsia quanto à data de sua composição. Os temas que aparecem no hino não nos possibilitam fixá-lo em um determinado ano. Podem apontar tanto para 1521 quanto para 1530, como também para os anos entre estas datas. Lutero, de fato, viu toda a sua vida como tempo de luta contra “o velho e malvado inimigo”. Em todos os casos, o hino já consta de hinário publicado, em Wittenberg, no ano de 1528. Isso significa que deve ter sido composto antes desta data. Não há como conseguir data mais exala.[109]

3.25 O SANCTUS ALEMÃO

O hino foi publicado pela primeira vez na "Missa Alemã", de 1526, tendo como título "O Sanctus alemão". Por sua localização é óbvio chegarmos à conclusão de que Lutero pretendia que ele substituísse o Sanctus latino. O texto baseia-se em Isaías 6.1-14, reproduzindo, no entanto, apenas a visão de Isaías. Logo foi assumido por diversos hinários e passou a ser cantado pelas comunidades evangélicas nas celebrações eucarísticas. A melodia é do próprio Lutero.[110]

3.26 DA PACEM DOMINE (CONCEDE-NOS A PAZ, SENHOR) ALEMÃO MARTINHO LUTERO

A primeira publicação do hino data de 1531. É provável que tenha surgido em 1529. Trata-se de versão da antífona latina em favor da paz, do século VI: Da pacem domine (Dá paz, Senhor). Na maioria das edições, o hino é publicado com os se­guintes versos:

Deus dá paz neste país,

Felicidade e salvação a todo o estamento.

Além disso, segue-se-lhe a oração: “Senhor Deus, Pai celestial, que crias santa coragem, bom conselho e boas obras, concede a teus servos a paz que o mundo não pode dar, para que nossos corações vivam em segurança frente a inimigos. Por Je­sus Cristo, teu Filho, nosso Senhor. Amém.”

Em 1529, a situação para os partidários da nova fé era complicada. Por isso, a prece em favor da preservação da paz. Estava prestes a acontecer a segunda Dieta de Espira e os turcos eram grande ameaça. Em sua “Exortação à Oração Contra os Turcos”, Lutero recomenda o canto deste hino.[111]

3.27 CANÇÃO INFANTIL A SER CANTADA CONTRA OS DOIS ARQUI-INIMIGOS DE CRISTO E DE SUA SANTA IGREJA (O PAPA, OS TURCOS, ETC.) OH! GUARDA-NOS, SENHOR DOS CÉUS

Seu titulo original é: Canção infantil a ser cantada contra os dois arqui-inimigos de Cristo e de sua Santa Igreja - o papa, os turcos, ete.

O texto foi publicado pela primeira vez em Wittenberg, em 1543, devendo ter sido escrito entre 1541 e 1543. É possível que tenha surgido em meados de 1542. Essa afirmação baseia-se nos seguintes fatos. Em agosto de 1541, as tropas de Fernando de Habsburgo foram batidas em Ofen. Lutero refere-se ao fato em diversas cartas. Em outubro do mesmo ano, a frota de Carlos V foi destruída por um temporal na costa da Argélia. Em julho de 1542, o rei francês e o sultão turco estabeleciam alianças contra o imperador. Poucos depois, espalhava-se o boato de que o papa teria aderido à aliança franco-turca. Papa e turco unidos para destruir a cristandade; isso significaria o juízo de Deus sobre a cristandade. Só há um auxílio: a oração e principalmente, a oração dos inocentes, das crianças. Daí a referência às crianças que antecede o hino.

Em anos posteriores, o hino teve o 2º verso da 1º estrofe alterado e hoje se encontra também em hinários católico-romanos. [112]

3.28 TE DEUM LAUDAMUS (SENHOR, NÓS TE LOUVAMOS), TRADUZIDO PELO DR. MARTINHO LUTERO

O Te Deum alemão é livre versão do canto de louvor ambrosiano, que já na Igreja Antiga era visto como expressão clássica da fé cristã e equiparado ao Credo Apostólico. Muito foi discutida a autoria do Te Deum, sem que se conseguisse comprovar a autoria de Ambrósio de Milão. É provável que a versão de Lutero tenha sido feita em 1529.[113]

3.29 UM HINO DA SANTA IGREJA CRISTÃ DO CAP. 12 DO APOCALIPSE. MARTINHO LUTERO

“O hino foi publicado pela primeira vez em 1535 e evidencia que Lutero interpreta o capítulo do Apocalipse de João como estando relacionado com a Igreja. Não é a única vez que assim procede.”[114]

3.30 CANÇÃO INFANTIL PARA O NATAL DE CRISTO MARTINHO LUTERO. EU VENHO DESDE OS ALTOS CÉUS[115]

Podemos observar neste hino que Lutero utiliza o movimento descendente, que ocorre em todas as frases para descrever o grande ato de Deus - tornar-se ser humano e viver entre nós.

O hino foi publicado pela primeira vez em 1535. A causa da composição são os próprios filhos do reformador. Na realidade, trata-se de peça natalina. Antes o altar, apresenta-se Maria, José, anjos e pastores, cercando a manjedoura. No hino, Lutero dramatiza o evangelho de natal. As estrofes 1-5 são cantadas pelo anjo; todos respondem com a estrofe 6. Então, as crianças se aproximam da manjedoura e cada uma delas canta uma estrofe. Para tanto são usadas as estrofes 7 a 12. A estrofe 13 é cantada por todos, em conjunto. A estrofe 14 está a indicar que, para finalizar, todos se davam as mãos e dançavam ao redor da manjedoura.[116]

Esta é uma bela peça encenada para o Natal, mostra a alegria do povo de Deus com a chegada do Salvador, anunciada por um anjo. Assim, nesta mesma alegria nos movemos nós ainda hoje a adorar o Menino-Deus em cada Natal, cantando de forma alegre este hino de Lutero. É tradicionalmente usado até hoje.

Lutero compõe este hino para seus filhos, ele é uma demonstração clara do carinho de Lutero para com seus filhos e sua preocupação para que conheçam o conteúdo do evangelho. Vemos Lutero compor um hino destinado especificamente às crianças, que juntamente com o canto e a encenação servirá para o ensino e celebração familiar da história de Natal.

Os hinos têm para Lutero sempre a função de ensinar a guardar o evangelho verdadeiro. Assim, as grandes temáticas da Reforma, também os grandes conflitos brotarão em cada estrofe dos hinos.

3.31 OUTRO HINO DE NATAL CONFORME A MELODIA ANTERIOR MART.

“O hino foi publicado em 1543 e deve ter surgido por volta do Natal de 1542. Há a suspeita de que tenha sido composto para uma comunidade de adultos, enquanto “Dos altos céus eu venho" foi composto para comunidade infantil.”[117]

3.32 O HINO HOSTIS HERODES (INIMIGO HERODES) SEGUNDO A MELODIA A SOLIS ORTUS, ETC. (DESDE O NASCER DO SOL) DR. MART. LUTERO.

O hino foi composto em 12 de dezembro de 1541 e apresenta tradução de anti­go hino de Epifania. Lutero acompanha a Igreja Antiga na interpretação da festa de 6 de janeiro: é o dia em que a estrela conduziu os magos até o presépio; em que a água foi transformada em vinho, em Caná; em que João Batista batizou a Jesus.[118]

3.33 O PAI-NOSSO BREVEMENTE INTERPRETADO E MUSICADO PELO DOUTOR MART. LUTERO

Assim também se dá com o Pai Nosso no hino “Vater unser im Himmelreich” incluído no catecismo com a finalidade de fixar o significado de cada parte do mesmo.

Com a composição deste hino, nos anos de 1538 ou 1539, Lutero formula ou­tro hino relativo ao Catecismo. O hino foi impresso pela primeira vez em 1539. Quanto à teologia do hino confira-se a interpretação feita por Lutero no Catecismo Maior.[119]

3.34 HINO SACRO SOBRE NOSSO SANTO BATISMO, DE MODO BEM RESUMIDO O QUE ELE É, QUEM O INSTITUIU, QUAL SEU PROVEITO, ETC. DR. MART. LUTERO

Christ, unser Herr, zum Jordan kam” - Este hino é um resumo do conteúdo, proveito e instituição do Batismo. A primeira impressão deste hino se deu no ano de 1541, suas principais idéias podem ser encontradas em dois sermões sobre o Batismo, baseados em Mateus 3 no ano de 1540.

Este hino batismal foi impresso, inicialmente, como folha avulsa, em 1541. Em 1543 passou a integrar diversos hinários. As principais idéias do hino podem ser encontradas em dois sermões sobre o Batismo, baseados no capítulo 3 de Mateus", do ano de 1540.[120]

3.35 HINO O LUX BEATA (O LUZ BEATA) TRADUZIDO PELO DR. MART. LUTERO

“Lux beata trinitas (Luz beata trindade) é hino que data do século V. Foi publica­do pela primeira vez em 1543, na tradução de Lutero.”[121]

3.36 GLORIA IN EXCELSIS DEO (TODA A GLÓRIA E LOUVOR SEJAM DE DEUS)

Há discussões quanto à autoria deste hino. Há autores que negam a autoria de Lutero; outros a afirmam. Ele foi publicado pela primeira vez em Naumburgo, em 1537. Trata-se de tradução fiel do Hymnus angelicus (hino angélico) da missa romana: gloria in excelsis deo (Glória a Deus nas alturas).[122]

3.37 LITANIA ALEMÃ

Quando da reforma do culto em Wittenberg, diversas práticas, nas quais a litania era usada, caíram em desuso. Não é possível precisar quando isso terá acontecido. Em 1519, Lutero ainda considera a extrema-unção necessária e menciona a litania. É possível que não se tenha mais usado a litania quando das reformas introduzidas por Karlstadt. Em carta de 29 de maio de 1522, Lutero diz a João Lang que não ora mais aos santos. Em sermão proferido no Domingo Rogate, de 1525, sobre João 16.23ss. afirma o mesmo.

No entanto, a litania não foi eliminada por ser litania, mas por causa dos atos cúlticos com os quais se rompeu (extrema-unção, procissões, ete...). Prova disso é o fato de Lutero voltar a usar a litania em 1529. Em carta a Nicolau Hausmann, Lutero diz que está cantando a litania em latim e em alemão. Qual a razão dessa reintrodução? Aparentemente a razão é o perigo que representam os turcos. Mas não só os turcos são causa de uso da litania. Antes do início da Dieta de Augsburgo, Lutero pediu que se a orasse. O mesmo deveria acontecer também durante a Die­ta.

Em todos os casos, Lutero deve ter concluído a tradução e a “correção” do texto da litania em 1529.[123]

É importante observarmos como Lutero liga seu trabalho de composição às necessidades e realidades da comunidade à sua volta. Suas composições se fazem presente buscando confortar e fortalecer nas dificuldades. Assim também seu conteúdo teológico tem direta ligação com a situação apresentada, demonstrando sua doutrina sobre os pontos ainda em divergência na época e encontrando nos hinos uma forma comunitária de proclamar verdades frente às dúvidas e de clamar por auxilio divino diante da fraqueza.

3.38 OS HINOS DE LUTERO NO HINÁRIO DA IELB

A IELB adotou um hinário oficial, contendo os mais diversos cantos cristãos para cada período litúrgico do ano cristão. Neste hinário podemos perceber a influência de Martinho Lutero, tanto na composição de letras, como também em melodias. No Hinário Luterano adotado pela IELB encontra-se 21 hinos dos trinta e sete compostos por Lutero, são eles:

35 - Louvado sejas ó Jesus, 1524 (Natal)

40 - Aos bons pastores de Belém, 1543 (Natal)

109 - Cristo entregou-se a morte vil, 1524 (Páscoa)

137 - Ao Santo Espírito com fervor, 1524 (Pentecostes)

142 - Santo Espírito, ó nosso Deus, 1524 (Pentecostes)

162 - Oh guarda-nos, Senhor dos céus, 1542, mel 1543 (Reforma)

165 - Castelo Forte é nosso Deus, 1528 (Reforma) cf. Rm 8.38,39

199 - A paz nos queira conceder, 1531, mel 1529 (Adoração)

230 - Louvor e glória ao Deus dos céus (?), 1537, mel 1541 (Litúrgicos)

233 - Credo Niceno, 1524 (Cantos Litúrgicos)

234 - Sanctus, 1526 (Cantos Litúrgicos)

237 - Bênção, trad. da Bíblia Alemã (?) (Cantos Litúrgicos)

241 - Atende-nos ó Deus dos céus, 1524 (Palavra de Deus)

258 - Ó Jesus Tu nos salvaste, 1524 (Santa Ceia)

264 - A Deus louvemos e lhe bendigamos, 1524 (Santa Ceia)

349 - Das profundezas clamo, ó Deus, 1524 (Arrependimento e Confissão)

376 - Vós crentes todos exultai, 1523 (Fé e Justificação)

381 - A fé nos faz com Deus viver (Os Dez Mandamentos), 1524 (Santificação, Amor e Obediência)

443 - Pai Nosso, 1539 (Oração)

499 - A Luz do dia és Tu, Senhor, (?) 1526; mel. 1543 (Noite)

Os hinos do Hinário Luterano mostram a doutrina luterana. Além de expressarem a adoração e o louvor, também apresentam súplicas e consolo, proclamação e edificação, e são igualmente uma confissão de fé. Tem melodias que podem ser cantadas facilmente nas congregações e nos lares, demonstrando a alegria pelo nascimento, morte e ressurreição do Salvador.

CONCLUSÃO

Percorrer e observar a coletânea de hinos de Lutero é deparar-se com uma grandiosidade em termos de conteúdo e forma. Lutero expressa em seus hinos, toda a ânsia por proclamar o Evangelho, esta que ele considera sua única missão.

Este é o principal ponto no qual deve-se focar nossa atenção. Devemos redescobrir a importância que os hinos têm na proclamação sempre renovada do Evangelho. Entoar um hino é confessar a fé naqueIe que vem para nos redimir e salvar. Compor um hino é tornar-se instrumento a serviço daquele que veio a nós.

É preciso recuperar o caráter pedagógico de nossos hinos. Lutero o faz de forma clara e proposital, utilizando-se dos mesmos como forma de ensinar e fixar o conteúdo da fé cristã. Nossas composições devem ter em seu horizonte uma preocupação pedagógica, dirigindo-se a grupos e situações especificas, para que a comunidade possa utilizar-se dos hinos para o ensino, proclamação e adoração.

Não podemos compor para crianças da mesma forma como compomos hinos para adultos. Cada composição deve ter em mente o grupo ao qual se destina, considerando suas características especificas.

As composições de Lutero eram sempre impulsionadas por uma situação ou necessidade bem especifica. Assim, teremos Lutero compondo hinos para a liturgia, para suas pregações e falando de situações bem especificas. Nossas composições não deveriam afastar-se deste impulso, buscando um marco histórico claro e um objetivo especifico. Deveríamos buscar mais composições voltadas ao ano litúrgico e a liturgia do culto dominical.

Lutero reúne em si e em suas composições três características fundamentais para que uma composição seja sólida o suficiente para ter valor até nossos dias:

· um sólido conhecimento teológico, que proporciona ao hino um texto não “consumivel”, mas rico e consistente a ponto de expressar a fé de várias gerações;

· um sólido conhecimento musical, que viabiliza a criação de melodias originais e adaptações que respeitem o texto e o enriquecem;

· um sólido conhecimento linguístico, que juntamente com o conhecimento musical possibilite um respeito à métrica, bem como possibilitar a criação de uma poesia consistente e bem estruturada; um contato constante com a realidade e as necessidades da comunidade, que centra o conteúdo dos hinos, visando objetivos e necessidades especificas, atingindo em cheio os anseios de quem entoará os mesmos.

Nada mais natural do que obtermos das características acima, a qualificação necessária para um compositor de hinos em nossos dias. As lacunas das composições aparecem desde o conteúdo, passando pela parte melódica e não pouco pela prosódia musical, sem referir-se à distância que os hinos muitas vezes mantém das necessidades e preocupações comunitárias. Assim, um compositor deveria ter sólida formação na área teológica, musical e linguística. Juntando-se a isso uma forte inserção e envolvimento comunitário.

Os hinos cristológicos do nosso Hinário Luterano, além de sua beleza musical, são hinos riquíssimos no seu conteúdo, baseados nos textos bíblicos, apresentando uma forma artística a boa nova da salvação. O nascimento de Jesus Cristo é abordado desde as profecias do Antigo Testamento, nas quais notamos a promessa da vinda do Messias e de seu nascimento. O universo cristão louva com alegria este evento, o Natal. Na Quaresma, pelos hinos da paixão e morte, cantamos com muita reverencia o sofrimento de Jesus Cristo, revelado nas escrituras, e agradecemos por este sacrifício, por este grande amor demonstrado por nosso Salvador. Na Páscoa, voltamos a cantar aleluias, cantando a vitória de Cristo sobre a morte. Toda a cristandade canta com paz no coração, sendo que nós espelhamos a nossa ressurreição na sua. Nos hinos de Ascensão cantamos o Jesus glorificado que subiu aos céus e foi preparar-nos lugar junto ao Pai. Os hinos apresentam em palavras os atos salvíficos de Cristo.

Façamos valer a exortação de Paulo aos colossenses: “Habite ricamente em vós a palavra de Cristo; instrui-vos e aconselhai-vos mutuamente em toda a sabedoria, louvando a Deus, com salmos e hinos e cânticos espirituais, com gratidão, em vossos corações” (Colossenses 3.16).

REFERÊNCIAS

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SCHALK, Carl F. LUTERO e a Música: paradigmas de louvor. Trad. Werner Ewald – São Leopoldo: Sinodal, 2006.

ANEXOS – Hinos de Lutero

1 Um Belo Hino dos Mártires de Cristo, Queimado em Bruxelas Pelos Sofistas de Lovaina Martinho Lutero

1 - Entoamos nova canção em nome de Deus nosso Senhor, para cantar o que fez Deus para seu louvor e glória.Em Bruxelas, no País Baixo, por meio de dois moços, ele fez conhecido seu poder prodigioso, os quais com seus dons ornou tão ricamente.

[412] - 2 O primeiro chama-se, apropriadamente João, por ser tão rico das graças de Deus Seu irmão Henrique, pelo espírito, autêntico cristão sem faltas. Partiram deste mundo,granjearam a coroa, como os bravos filhos de Deus morreram por sua palavra, tornaram-se seus mártires.

3- O velho inimigo mandou prendê-los, atemorizou-os longamente com ameaças, mandou-os arrenegar a Palavra de Deus, com astúcia também quis neutralizá-los. Muitos sofistas de Lovaina com sua ira e arte vã, ele reuniu para esta jogada; o Espírito os fez de imbecis, nada puderam conseguir.

4- Cantaram suave, cantaram azedo, tentaram vários ardis, os jovens resistiram feito muralhas, desprezando os sofistas. Isto muito irritou o velho inimigo, por ter sido vencido a tal ponto por esses jovens, doravante foi tomado pela ira, e procurou levá-los à fogueira.

5- Roubaram-lhes as vestes conventuais, tiraram-lhes também a ordenação, os jovens estavam prontos para tal, e disseram alegremente amém. [413] Agradeceram a seu Deus e Pai pela perspectiva de se livrarem da hipocrisia e blasfêmia do diabo com as quais, por meio de um jogo falso, ele enganava totalmente o mundo.

6- Isso Deus estabeleceu por sua graça para que se tornassem verdadeiros sacerdotes, sacrificando-se a ele ali, ingressaram na ordem cristã. Morreram totalmente para o mundo,despiram-se da hipocrisia, entraram no céu livres e puros, varreram a monjaria e deixaram aqui a futilidade humana.

7- Forjaram-lhes um pequeno documento, mandando que o lessem [publicamente]. Ali assinalaram todos os artigos de sua fé. Sua maior heresia teria sido: deve-se crer somente em Deus,o ser humano engana e mente sempre. Nele não se deve confiar. Por isso tiveram que morrer na fogueira.

8- Acenderam duas fogueiras, trouxeram os dois jovens. Todos se admiraram muito por desprezarem semelhante tortura. Com alegria se conformaram, louvando e cantando a Deus; o ânimo dos sofistas se encolheu ante estas novidades em que Deus assim se manifestou.

[414] 9 - Mesmo assim não deixam de sua Mentiras para disfarçar o grande assassinato. Alegam um pretexto falso, sua consciência os incomoda; mesmo após a morte, os santos de Deus são por eles caluniados. Dizem que, na extrema necessidade, ainda neste mundo, os jovens teriam voltado atrás.

10 - Deixem-nos continuar mentindo, isso pouco lhes adianta. Devemos agradecer a Deus porque sua palavra retornou. O verão está à porta, o inverno se foi, as delicadas flores estão brotando, aquele que o iniciou certamente o consumará.[124]

8a - Arrependeram-se da brincadeira, queriam salvar as aparências, não ousam ufanar-se do ato, abafam totalmente o caso. A vergonha lhes rói o coração e confessam a seus companheiros, pois o espírito não pode calar aqui, o sangue derramado de Abel tem que denunciar Caim.

[415] - 8b - A cinza não pára de se espalhar por todas as terras, nada a impede, nem arroio, poço, valo ou cova. Ela arrasa com o inimigo. Aos que em vida forçou a calar pelo assassinato ele tem que, depois de mortos, deixar cantar muito alegres a plena voz e com todas as línguas.

Alegrai-vos, Caros Cristãos

1 - Alegrai-vos, caros cristãos, e alegres saltitemos, [423] que confiantes e unânimes cantemos com prazer e amor, o que Deus fez por nós, e seu doce milagre, pelo que pagou mui alto preço.

2- Eu era prisioneiro do diabo, estava perdido na morte, meu pecado me torturava dia e noite, no qual eu fora nascido. Nele também me afundava sempre mais, em minha vida não havia o que prestasse, o pecado havia tomado conta de mim.

3- Minhas boas obras não valiam, elas estavam corrompidas. O livre-arbítrio odiava o juízo de Deus, havia morrido para o bem. [424] O medo me levou ao desespero nada me restava senão morrer, eu só podia afundar-me no inferno

4- Então Deus na eternidade se afligiu sobremaneira com minha miséria. Lembrou de sua misericórdia, quis conceder-me auxílio. Voltou a mim seu coração paterno, de fato, não estava a brincar, deu o melhor que tinha.

5 - Disse ele a seu Filho amado: Está na hora de comiserar-se. Vai, coroa preciosa de meu coração, e sê a salvação ao pobre, e ajuda-o a sair da aflição do pecado, estrangula por ele a morte amarga e deixa-o viver contigo.

6- O Filho obedeceu ao Pai, veio até mim sobre a terra de uma virgem pura e delicada, para tornar-se meu irmão. Exerceu seu poder mui ocultamente, entrou em minha pobre condição, para prender o diabo.

7- Ele me disse: Atém-te a mim, agora o conseguirás. Entrego-me todo por ti, e então lutarei por ti, [425] pois eu sou teu, e tu és meu, e onde eu estiver, tu estarás, o inimigo não nos apartará.

8- Ele há de derramar meu sangue, roubar-me a minha vida, tudo isso sofrerei para o teu bem, atém-te a isso com firme fé. Minha vida devora a morte, minha inocência carrega teu pecado, por isso foste salvo.

9- Rumo ao céu para meu Pai eu parto desta vida, aí quero ser teu mestre, eu te darei o Espírito, que há de consolar-te na tristeza e ensinará a reconhecer-me bem e conduzirá à verdade.

10- O que eu fiz e ensinei farás e ensinarás, para que se amplie o reino de Deus para seu louvor e glória. E cuida-te dos estatutos humanos, eles corrompem o nobre tesouro, isso te deixo em despedida.

O salmo "Das profundezas"

1- De profunda angústia clamo a ti Senhor Deus, ouve meu clamor. Volta para mim teus ouvidos compassivos e abre-os a minha súplica. Pois se quiseres levar em consideração pecado e injustiça cometidos, quem poderá subsistir perante ti?

2- Perante ti só valem graça e bondade para perdoar os pecados. [420] Pois nosso fazer é vão, mesmo no melhor viver. Diante de ti ninguém pode ufanar-se, por isso todo o mundo precisa temer-te e viver da tua graça.

3 - Por isso quero esperar em Deus, não me basearei em meu mérito. Meu coração deve descansar nele, e confiar em sua benignidade, que me é prometida por sua preciosa palavra. Este é meu consolo e minha fiel guarida, nisto sempre depositarei minha confiança.

4 - E ainda que demore noite a dentro e até a madrugada,meu coração não há de desesperar do poder de Deus nem preocupar-se. Assim proceda o verdadeiro Israel, gerado do Espírito, depositando sua esperança em Deus.

5 - Mesmo que entre nós haja muito pecado, junto a Deus há muito mais graça. O auxílio de sua mão não tem limite, por maior que seja o dano. Somente ele é o Bom Pastor, que há de redimir Israel de todos os seus pecados.[125]

[421] 6a - Glória seja ao Pai e ao Filho e também ao Espírito Santo,como era no princípio e agora, ele nos conceda a sua graça, para que trilhemos sua senda, que o pecado não nos prejudique a alma. Quem por isso anseia diga amém.

6b - Glória seja ao Pai e ao Filho, Também a Deus, o Espírito Santo. Ele é o Supremo no trono celestial, o regente primordial sobre todas as criaturas: louvamos em alta voz, enquanto vivermos sobre a terra. Deus dê-nos sua bênção.[126]

Ó Deus Dos Céus, Volta o Seu Olhar

1 - Ó Deus do céu, volta teu olhar e tem compaixão.Quão poucos são os teus santos, nós pobres estamos abandonados! Nao deixam tua palavra ser verdade, a fé também está totalmente extinta em todos os seres humanos.

[416] 2 - Somente ensinam falsidades, inventadas pelo entendimento próprio, seu coração não tem unanimidade, fundada na palavra de Deus. Um escolhe isto, outro aquilo, dividem-nos sem qualquer critério e mostram uma bela aparência exterior.

3 - Deus queira exterminar todas as doutrinas que nos ensinam falsas aparências! Além disso, sua língua, ufanando-se abertamente diz: Ai de quem tentar nos impedir! Somente nós temos o direito e o poder, o que nós determinamos vale para todos. Quem é que vai mandar em nós?

4 - Por isso Deus diz: Preciso levantar-me,os pobres estão confundidos. Seus suspiros chegam a meus ouvidos, ouvi seu lamento. Minha palavra santa deve entrar em ação,atacá-los corajosa e resolutamente e ser a força dos pobres.

5 - A prata provada sete vezes pelo fogo é considerada pura. Assim se deve perseverar na Palavra de Deus em todas as ocasiões. [417] Ela quer ser posta à prova pela cruz então sua força será reconhecida, brilhando e iluminando intensamente toda a terra.

[417] 6 - Deus, queiras mantê-la pura ante essa geração perversa. Recomendamo-nos a ti, para que não se insinue entre nós. O povo ímpio se aglomera em torno dessa gente dissoluta que se levanta em meio a teu povo.

7a - Glória seja a Deus Pai para sempre, também a Cristo, o Unigênito, e ao Santo Espírito Consolador no alto, em coros celestiais. Como no princípio e também agora foi e sempre será no mundo, no mundo. Amém.

7b - Glória seja ao Pai e ao Filho e também ao Espírito Santo, como no princípio era e agora, que nos conceda sua graça. que andemos em seu trilho, que o pecado não nos prejudique a alma. Quem deseja isso diga amém.

Diz a Boca Dos Néscios

1 - Diz a boca dos néscios: Referimo-nos ao Deus verdadeiro. Entretanto seu coração está cheio de descrença, eles o negam com atos. Na verdade, sua natureza está corrompida, é uma abominação perante Deus. Nenhum deles faz o bem.

2- O próprio Deus olhou dos céus sobre os filhos dos homens; pôs-se a observá-los para ver se encontraria alguém [442] que tivesse voltado a sua mente com seriedade para as palavras de Deus, perguntando por sua vontade.

3 - Ninguém estava no caminho certo todos estavam transviados, cada qual seguia seu delírio e seguia costumes corrompidos. Nenhum deles praticava bem algum, embora muitos vivessem na ilusão de que seu procedimento agradaria a Deus.

4 - Por quanto tempo querem ficar ignorantes os que se impõem tanto esforço, devorando, em compensação, meu povo e nutrindo-se com seu prejuízo? Sua confiança não está depositada em Deus, não o invocam na necessidade, querem suprir-se a si mesmos.

5 - Por isso seu coração nunca se aquieta, e está atemorizado o tempo todo. Deus quer ficar junto aos retos que lhe obedecem na fé. Vós, porém, desprezais o conselho do pobre e zombais de tudo que ele diz, que Deus se tornou seu consolo.

6 - Quem ao pobre Israel há de obter a salvação em Sião? [443] Deus se comiserará de seu povo e livrará os que estão presos. Isso fará por meio de seu Filho, nisso Jacó se aprazerá e Israel se alegrará.

O Salmo Deus Misereatur Nostri (Deus se Comisere de nós)

1 - Deus nos seja misericordioso e nos dê sua bênção, sua face com claro brilho nos ilumine o caminho para a vida eterna. Que reconheçamos suas obras e o que é do seu agrado sobre a terra, e que a salvação e o poder de Jesus Cristo se tornem conhecidos aos pagãos e os convertam a Deus.

2 - Assim agradecem e te louvam os gentios por toda a parte, e o mundo inteiro se alegre e cante em alta voz, que tu és juiz sobre a terra e não permites que reine o pecado. Tua Palavra é a proteção e o pasto que preservam o povo inteiro a andar na trilha certa.

[419] 3 - Agradeça a Deus e te louve o povo em boas ações. A terra frutifica e melhora, tua Palavra teve bom fruto. Abençoem-nos o Pai e o Filho, abençoe-nos Deus Espírito Santo, ao qual o mundo todo glorifica. A ele tema acima de tudo. Agora dizei amém de coração.

Se Deus Estivesse Conosco Nesta Época

1 - Se Deus não estivesse conosco nesta época, - diga Israel - se Deus não estivesse conosco nesta época, teríamos caído no desespero, nós que somos grupelho tão miserável, desprezados por tantos seres humanos, que todos nos atacam.

2 - A mente deles está tão irada contra nós, que, se Deus o tivesse permitido, nos teriam devorado de todo, em corpo e vida. Seríamos como que afogados na enchente, sobre os quais corre grande torrente e violentamente encobertos.

3 - Graças e louvor a Deus, que não permitiu que sua voragem nos pegasse; como um pássaro foge do laço, assim escapou nossa alma. [441] O laço partiu-se, e estamos livres, o nome do Senhor nos dá apoio,o Deus do céu e da terra.[127]

Feliz Aquele Que Teme a Deus

1- Feliz aquele que teme a Deus e anda em seu caminho. Tua própria mão deve alimentar-te, e estarás vivendo certo e passarás bem.

2- Tua esposa será, em tua casa,um cacho cheio de uvas lindas, e teus filhos, ao redor de tua mesa, como oliveiras sadias e viçosas.

[438] 3 - Vê, tão rica bênção se prende ao homem que vive no temor de Deus. Abandona-o a velha maldição e ira inata aos seres humanos.

4- De Sião Deus te abençoará, para que vejas constantemente a felicidade da cidade de Jerusalém agradável a Deus, em graças.

5- Ele preservará tua vida e sempre estará com bondade junto de ti, de modo que verás os filhos dos filhos e Israel encontrará paz.

Em Meio à Vida, Estamos Envolvidos pela Morte

1 - Em meio à vida, estamos envoltos pela morte. A quem buscaremos que nos possa ajudar a alcançarmos a graça? [454] És tu, Senhor, somente. Arrependemo-nos de nossa transgressão,a qual te encolerizou, Senhor. Santo Senhor Deus, Santo Deus forte, Santo Salvador misericordioso, ó Deus terno, não permitas que afundemos na aflição da amarga morte. Kyrie eleison.

2- Em meio à morte atribula-nos a fauce do inferno; quem de semelhante aperto há de nos livrar? Somente tu, Senhor, o fazes. Tua misericórdia se compadece de nossa lamentação e grande sofrimento. Santo Deus Senhor, Santo Deus forte, Santo Salvador misericordioso, ó, Deus eterno, não nos deixes cair no desespero diante do fogo do abismo do inferno. Kyrie eleison.

3 - Em meio à angústia infernal nos inquietam os nossos pecados.
Para onde fugiremos, para que não sucumbamos? Para ti, Cristo Senhor, exclusivamente. Derramado foi teu precioso sangue, que faz satisfação por nosso pecado. Santo Senhor Deus, Santo Deus forte, Santo Salvador misericordioso, ó, Deus eterno, não permitas que abandonemos o consolo da verdadeira fé. Kyrie eleison.

Estes São os Santos Dez Mandamentos

1 - Estes são os santos dez mandamentos os quais nos deu nosso Senhor Deus por meio de Moisés, seu fiel servidor, no alto do monte Sinai. Kyrioleis.

2 - Somente eu sou teu Deus, o Senhor, não deves ter outros deuses; deves confiar-te totalmente a mim. amar-me do fundo do coração. Kyrioleis.

3 - Não usarás para desonra o nome de Deus, teu Senhor, Não elogiarás como certo ou bom senão o que o próprio Deus diz e faz. Kyrioleis.

[427] 4 - Santificarás o sétimo dia, para que tu e tua casa possam descansar. Deixarás teus afazeres, para que Deus possa realizar sua obra em ti.Kyrioleis.

5 - Honrarás e obedecerás a teu pai e a tua mãe. Servir-lhes-ás sempre que estiver a teu alcance, e terás vida longa. Kyrioleis.

6- Não matarás, raivoso,nem odiarás, nem vingar-te-ás a ti mesmo. Terás paciência e ânimo manso e farás o bem também ao inimigo. Kyrioleis.

7- Manterás puro teu matrimónio que também teu coração não busque outro, e mantenhas casta a tua vida com boa disciplina e moderação. Kyrioleis.

8- Não furtarás dinheiro nem bens, não explorarás o suor e sangue de ninguém. Deves abrir a tua mão generosamente para os pobres na tua terra. Kyrioleis.

[428] 9 - Não deves ser testemunha falsa, nem mentir para teu próximo. Deves também salvar a inocência dele e encobrir sua desonra. Kyrioleis.

10 - A mulher e casa de teu próximo não desejarás, nem qualquer propriedade sua. Hás de desejar-lhe todo o bem, como o faz teu coração contigo mesmo. Kyrioleis.

11 - Todos esses mandamentos nos foram dados para que o teu pecado, ó filho do homem, reconheças e aprendas bem como se deve viver diante de Deus.Kyrioleis.

12 - Para tal nos ajude o Senhor Jesus Cristo, que se tornou nosso Mediador. Afinal, o nosso esforço é vão, só merecemos a ira. Kyrioleis.

Jesus Cristo, nosso Salvador, que nos afastou da ira de Deus

1 - Jesus Cristo, nosso Salvador, que de nós afastou a ira de Deus, por seu amargo sofrimento tirou-nos da tortura infernal.

2 - Para que jamais esqueçamos, deu-nos de comer seu corpo [436]oculto no pão tão insignificante, e de beber seu sangue no vinho.

3 - Quem quiser se aproximar da mesa, que cuide bem de sua intenção. Quem vem a ela indignamente, recebe a morte em vez da vida.

4 - Deves enaltecer a Deus, o Pai, por tão bem querer alimentar-te, e por teu delito ter entregue à morte seu Filho.

5 - Deves crer e não duvidar de que seja alimento dos fracos,cujo coração está pesado de pecados, muito conturbado pelo medo.

6- Tão grande graça e misericórdia busca um coração, em grande esforço;
se estás bem, então não vai, para não receberes recompensa má.

7- Ele mesmo diz: Vinde, vós pobres,deixai compadecer-me de vós. O forte não precisa de médico nele sua arte é vã.

8- Se pudesses granjear alguma coisa, para que precisaria eu morrer por ti?
Esta mesa também não se destina a ti, caso queiras ajudar-te a ti próprio.

[437] 9 - Se crês isso do fundo do coração e o confessas com a boca, então és digno, e o alimento saciará a tua alma.

10 - O fruto não deve deixar de aparecer deves amar teu próximo, para que possa fruir de ti como Deus o fez em ti.

Louvado sejas, Jesus Cristo

1 - Louvado sejas, Jesus Cristo, por teres nascido pessoa humana de uma virgem, é verdade, disso se alegra a multidão dos anjos.Kyrieleis.

2-0 Filho único do Pai eterno é encontrado agora na manjedoura, de nossa pobre carne e sanguereveste-se o bem eterno. Kyrieleis.

3 - Aquele que o universo jamais conteve está deitado no colo de Maria. Tornou-se criança pequenina o que sozinho sustenta todas as coisas. Kyrieleis.

4 - Entra ali a luz eterna concede ao mundo novo clarão. Reluz no meio da noite e transforma-nos em filhos da luz. Kyrieleis.

[435] 5-0 Filho do Pai, Deus por natureza, tornou-se hóspede no mundo e nos conduz para fora do vale da aflição, torna-nos herdeiros em sua sala. Kyrieleis.

6- Veio pobre para a terra, para de nós se comiserar e nos tornar ricos no céu e iguais a seus caros anjos. Kyrieleis.

7- Tudo isso ele nos fez para mostrar seu grande amor. Disso se alegre toda a cristandade e lhe agradeça em eternidade. Kyrieleis.

Vem, ó Salvador dos gentios

1 - Vem, ó Salvador dos gentios, reconhecido como filho da virgem; para que se admire o mundo todo, por Deus lhe ter providenciado tal nascimento,

2 - Nem de sangue nem de carne humana, exclusivamente do Espírito Santo, a palavra de Deus tornou-se pessoa humana e floresceu como fruto da carne de mulher.

3- O ventre da virgem engravidou, porém a castidade foi conservada pura. Resplandeceram ali belas virtudes, Deus estava presente em seu trono.

4 - Ele saiu de sua câmara,da régia sala, tão pura. Deus por natureza, e ser humano, herói,apressa-se em seguir o seu caminho.

[431] 5 - Seu caminho veio do Pai e retorna ao Pai. Levou-o ao inferno e de volta para o trono de Deus.

6 - Tu que és igual ao Pai conquistaste a vitória na carne, que teu eterno poder divino preserve em nós a fraca carne.

7- Tua manjedoura reluz em brilho e claridade,a noite brilha em nova luz.A escuridão não pode entrar, a fé permaneça sempre visível.

8- Louvado seja Deus e Pai, louvado seja Deus, seu Filho Unigénito, louvado seja Deus, o Espírito Santo sempre e em eternidade.

Devemos dar a Cristo belo louvor

1 - Devemos dar a Cristo belo louvor, filho de Maria, a serva pura, até aonde o caro sol resplandecer atingindo os confins do mundo inteiro.

2- O venturoso criador de todas as coisas vestiu-se de humilde corpo de servo para conquistar a carne pela carne e não perecesse toda a sua criatura.

3 - A graça divina abundantemente do céu derramou-se sobre a casta mãe, uma mocinha carregava misteriosa prenda que a natureza não conhecia.

4- A casta casa do delicado coração logo transformou-se em templo de Deus. A que nenhum homem tocara em conhecera foi encontrada grávida da Palavra de Deus.

5- A nobre mãe deu à luz aquele que Gabriel prometera anteriormente, que São João apontara através de pulos,quando ainda se achava no ventre da mãe.

6- Estava deitado na palha, em grande pobreza, a dura manjedoura não o incomodou.
Um pouco leite foi o alimento daquele que jamais deixou passar fome um passarinho.

7- Os coros celestiais se alegram com isso e os anjos cantam louvor a Deus.
Aos pobres pastores é anunciado o pastor e criador de todo o mundo.

[433] 8 - Louvor, glória e graças te sejam dados ó Cristo, nascido da serva pura, com o Pai e o Espírito Santo de agora até a eternidade.

Com paz e alegria eu sigo

1 - Com paz e alegria eu sigo na vontade de Deus. Confiantes estão meu coração e mente tranquilos e aquietados. [439] Conforme Deus me prometeu,a morte passou a ser meu sono.

2 - Isso faz Cristo, verdadeiro Filho de Deus, o Salvador fiel, o qual tu, Senhor, me deixaste ver e me revelaste que ele é a vida e salvação na aflição e morte.

3 - Este a todos apresentaste com formidável graça. Para seu reino o mundo inteiro mandaste convidar por meio de tua cara e salutar Palavra anunciada por toda a parte.

4 - Ele é a clara e venturosa luz para os gentios, para iluminar os que não te conhecem e pastoreá-los. Ele é de teu povo Israel o louvor, glória, alegria e prazer.

[128]5 - Glória seja a Deus Pai e ao Filho e ao Espírito Santo, que neste mundo mau nos conceda a sua graça. Como era e agora é e permanece para sempre. Amém.

Cristo estava preso nas amarras da morte

1 - Cristo estava preso nas amarras da morte, entregue por nosso pecado Ele ressurgiu novamente e nos trouxe a vida. Regozijemo-nos por isso, louvemos e demos graças a Deus e cantemos aleluia. [Aleluia.]

2 - Ninguém conseguia subjugar a morte entre os filhos dos homens. Culpado disso é nosso pecado; não se conseguia encontrar inocência. Daí logo veio a morte e passou a nos dominar mantendo-nos presos em seu reino. [Aleluia.]

3 - Jesus Cristo, Filho de Deus, assumiu nosso lugar [444J e eliminou o pecado tirando assim da morte todo seu direito e poder. Sobrou somente a aparência da morte, os aguilhões ela perdeu. [Aleluia.]

4 - Foi uma guerra assombrosa, quando morte e vida se degladiaram. A vida alcançou a vitória, ela tragou a morte. A Escritura anunciou como uma morte devorou a outra, a morte virou [motivo de] escárnio. [Aleluia.]

5 - Eis aqui o verdadeiro cordeiro pascoal preceituado por Deus; no tronco da cruz em ardoroso amor ele foi assado, seu sangue marca nossa porta. Com isso a fé enfrenta a morte, o estrangulador não consegue nos tocar. [Aleluia.]

6 - Celebramos essa magna festa de coração, com alegria e prazer, que o Senhor faz brilhar sobre nós. Ele próprio é o sol; pelo brilho de sua graça quer iluminar por inteiro o coração. A noite do pecado se foi. [Aleluia.]

7 - Nós comemos e vivemos em fartura com o verdadeiro bolo pascoal. [445] O velho fermento não deve ficar misturado à palavra da graça. Cristo quer ser o alimento e nutrir sozinho a alma, a fé não quer viver de outro. [Aleluia.]

Jesus Cristo nosso Salvador, que venceu a morte

1 - Jesus Cristo nosso Salvador, que venceu a morte, ressuscitou, o pecado ele prendeu. Kyrie eleison.

2-0 nascido sem pecados carregou por nós a ira de Deus reconciliou-nos, para que Deus nos concedesse seu favor. Kyrie eleison.

3 - Morte, pecado, vida e também graça, tudo ele tem em suas mãos. Ele pode salvar a todos que vêm a ele. Kyrie eleison.

Vem Deus criador, Espírito Santo

1- Vem Deus Criador, Espírito Santo, visita o coração dos seres humanos teus, preenche-os com graça, pois sabes que são tuas criaturas desde o princípio.

2- Pois és chamado o Consolador, preciosa dádiva do Supremo, espiritual unguento a nós aplicado, um poço vivo, amor e fogo.

3 - Acende uma luz em nosso entendimento, põe-nos no coração o fogo do amor. Tua força e favor mantenham firme a fraca carne em nós - tu a conheces,

4- Tu és, com sete dons, o dedo na mão direita de Deus. A palavra do Pai envias audaciosamente com línguas para todas as terras.

5- Afasta de nós a astúcia do inimigo, tua graça crie em nós a paz, [447] para que sigamos de bom grado tua condução e evitemos o dano na alma.

6 - Ensina-nos a conhecer bem o Pai, e também a Jesus Cristo, seu Filho, para que fiquemos cheios de fé, para entender a ti, Espírito de ambos.

7 - Louvor seja a Deus Pai e ao Filho, dos mortos ressuscitado, ao Consolador se faça o mesmo todas as horas em eternidade.

Agora pedimos ao Espírito Santo

1 - Agora pedimos ao Espírito Santo principalmente a verdadeira fé, para que nos guarde no fim da vida, quando voltarmos deste desterro para o lar. Kyrioleis.

[448] 2 - Luz preciosa, concede-nos tua claridade, ensina-nos a conhecer somente a Jesus Cristo, que fiquemos nele, o fiel Salvador, que nos trouxe para a verdadeira pátria. Kyrioleis.

3 - O doce amor, concede-nos teu favor, faze-nos sentir o ardor do amor, que sinceramente nos amemos uns aos outros e em paz permaneçamos em unanimidade. Kyrioleis.

4- O supremo Consolador em toda aflição, dá que não temamos a infâmia nem a morte, que nosso ânimo não desespere, quando o inimigo nos acusar, sob ameaça de morte. Kyrioleis.

Vem, Santo Espírito, Senhor Deus

1 - Vem, Santo Espírito, Senhor Deus, enche com o bem de tua graça coração ânimo e mente de teus crentes, acende neles teu ardente amor. [449] Senhor, pelo brilho de tua luz reuniste para a fé o povo de línguas do mundo inteiro. Por isso cantamos teu louvor, Senhor. Aleluia, aleluia.

2 - Tu, santa luz, nobre consolo, faze-nos raiar a palavra da vida e ensina-nos a conhecer Deus verdadeiramente, chamá-lo de Pai sinceramente. Senhor, guarda-nos de doutrina estranha, que não busquemos outros mestres, senão Jesus, em fé verdadeira, e nele confiemos com todas as forças. Aleluia, aleluia.

3 - Tu sagrado ardor, doce conforto, ajuda-nos agora a, alegres e confiantes, permanecer em teu serviço constantemente, que a aflição não nos afaste. Senhor, por tua força nos prepara e fortalece a timidez da carne, para que aqui lutemos como cavaleiros e, através de morte e vida, até ti avancemos. Aleluia, aleluia.

Nós cremos todos num só Deus

1 - Nós cremos todos num só Deus, criador do céu e da terra,que se fez Pai,para que nos tornemos seus filhos. Ele quer alimentar-nos sempre e também preservar o corpo e a alma; quer impedir toda a desgraça, que nenhum mal nos aconteça. Ele cuida de nós, guarda e vigia, tudo depende de seu poder.

2 - Cremos também em Jesus Cristo, seu Filho e nosso Senhor, que está eternamente junto ao Pai, Deus igual, em poder e glória. De Maria, a virgem, nasceu verdadeiro ser humano por meio do Espírito Santo na fé. Por nós, que estávamos perdidos, morreu na cruz, e da morte ressuscitou por intermédio de Deus.

[452] 3- Nós cremos no Espírito Santo, Deus com o Pai e o Filho, Consolador de todos os desalentados, que os dota maravilhosamente com seus dons. A cristandade inteira sobre a terra ele mantém em concórdia; aqui todos os pecados são perdoados, a carne também há de voltar a viver. Depois deste exílio espera-nos uma vida em eternidade.

Deus, o Pai, seja conosco

1 - Deus, o Pai, seja conosco e não nos deixes perecer! Livra-nos de todos os pecados e concede-nos uma morte bem-aventurada! Guarda-nos do diabo. Mantém-nos em fé firme e permite que contemos contigo: que confiemos de todo o coração, nos entreguemos inteiramente a ti, com todos os cristãos verdadeiros possamos fugir dos ardis do diabo, e proteger-nos com armas de Deus. Amém, amém, que assim seja, e cantaremos aleluia.

2 - Jesus Cristo, sê tu conosco, e não nos deixes, etc. etc.

3 - Santo Espírito, sê tu conosco, e não nos deixes, etc.

Deus seja louvado e bendito

1 - Deus seja louvado e bendito, por nos ter alimentado pessoalmente com sua própria carne e com seu sangue. Dá-nos isso, Senhor Deus, para nosso bem. Kyrie eleison. Senhor, por meio do teu santo corpo, oriundo de tua mãe Maria, e por meio do sagrado sangue, ajuda-nos, Senhor, a sair de toda a tribulação. Kyrie eleison.

2 - O santo corpo foi entregue por nós à morte, para que por meio dele tivéssemos vida. [453] Não poderia ter-me concedido bem maior, por meio do qual devemos celebrar sua memória, Kyrie eleison. Senhor, teu amor imenso te obrigou a que teu sangue fizesse grande prodígio em nós e pagasse nossa culpa, de modo que Deus se nos tornou favorável. Kyrie eleison.

3 - Deus nos dê a todos a bênção de sua graça, para que andemos em seus caminhos, em verdadeiro amor e fraternal fidelidade, para que não nos arrependamos deste alimento, Kyrie eleison. Senhor, teu Santo Espírito jamais nos deixe, que ele nos conceda adequado comedimento, para que tua pobre cristandade viva em paz e unidade. Kyrie eleison.

O Salmo 46. Deus noster refugium et virtus (Nosso Deus [é] refúgio e força) (Mar.Luth.)

1- Castelo firme é nosso Deus, boa defesa e armamento. [456] Ele nos livra de toda a aflição que agora nos atingiu. O velho e malvado inimigo agora investe para valer, grande poder e muita astúcia são seu cruel armamento, sobre a terra não existe igual a ele.

2- Com nossa força nada alcançaremos, logo estaremos perdidos. Por nós luta o homem certo, que o próprio Deus escolheu. Perguntas quem é ele? Seu nome é Jesus Cristo, o Senhor Zebaote, e não há outro Deus. Ele há de vencer.

3- Ainda que o mundo estivesse cheio de demónios e nos quisesse devorar, não nos apavoremos demais, pois venceremos apesar de tudo. O príncipe deste mundo, por mais raivoso que ele se apresente, [457] nada nos fará, isto porque já está julgado, uma palavrinha pode derrubá-lo.

4- A Palavra eles têm de deixar de pé mesmo que não o queiram. Ele está agindo entre nós com seu Espírito e dons. Se [nos] tirarem o corpo, bens, honra, filhos e esposa, que se vá! Isso não lhes traz nenhum proveito, o Reino mesmo assim há de ser nosso.

O Sanctus alemão

A Isaías, o profeta, aconteceu que viu no espírito o Senhor sentado sobre um alto trono em luminoso brilho, a orla de sua veste enchia todo o coro. Dois serafins estavam postados a seu lado. Viu que cada um tinha seis asas:

com duas cobriam seus claros semblantes, com duas encobriam totalmente os pés, e com as outras duas voavam livremente, e bradavam um para o outro em alta voz: Santo é Deus, o Senhor Zebaote. Santo é Deus, o Senhor Zebaote. Santo é Deus, o Senhor Zebaote. Sua glória encheu o mundo inteiro. Desse brado estremeceram as vigas e as traves, o prédio também estava tomado de fumaça e névoa.

Da Pacem Domine (Concede-nos a paz, Senhor) Alemão Martinho Lutero

Concede-nos a paz misericordiosamente, conceder, Senhor Deus, nestes [nossos] tempos. Afinal, não há outro que por nós pudesse lutar senão tu, nosso Deus, unicamente.

Canção infantil a ser cantada contra os dois arqui-inimigos de Cristo e de sua Santa Igreja (o papa, os turcos, etc.)

1 - Preserva-nos, Senhor, em tua Palavra. Contém a matança do papa e do turco, que a Jesus Cristo, o Filho teu, querem derrubar de teu trono.

[468] 2 - Demonstra teu poder, SENHOR Jesus Cristo, Que és Senhor de todos os senhores. Protege tua pobre cristandade, que ela há de louvar-te em eternidade.

3 - Deus, Santo Espírito, querido Consolador, concede a teu povo unanimidade sobre a terra, Ajuda-nos na agonia derradeira, conduze-nos da morte para a vida.

Te deum laudamus (Senhor, nós te louvamos), traduzido pelo Dr. Martinho Lutero

Coro I

Senhor Deus, nós te louvamos, Deus, nós de agradecemos, A ti, Pai, em eternidade O mundo inteiro glorifica. Todos os anjos e exércitos do céu E o que serve para a tua glória, Também querubins e serafins Cantam sempre em alta voz: Santo é nosso Deus, Santo é nosso Deus, Santo é nosso Deus, o Senhor Zebaote. Teu poder e glória divinos Se estendem por todo céu e terra, O número dos santos doze apóstolos E todos os caros profetas, Todos os dignos mártires Louvam-te, Senhor, em alta voz. Toda a cara cristandade Glorifica-te na terra o tempo todo. A ti, Deus Pai, no supremo trono, A teu verdadeiro e único Filho, Ao Espírito Santo e caro Consolador Ela louva e honra com reto serviço

Tu, rei da glória, Jesus Cristo, És Filho eterno de Deus Pai, O ventre da virgem não desprezaste Para redimir o género humano. Destruíste o poder da morte Levando todos os cristãos ao céu, Estás à destra de Deus por igual Com toda a honra no reino do Pai, Como juiz virás Sobre tudo que é morto ou vivo. Ajuda agora, Senhor, a teus servos, Redimidos com o sangue precioso. Permite que participemos do céu Com os santos, em eterna bem-aventurança Ajuda a teu povo, Senhor Jesus, E abençoa a tua herança. Guarda e cuida deles por todo sempre, E eleva-os para a eternidade. Diariamente, Deus, te louvamos E glorificamos o teu nome sempre. Preserva-nos hoje, ó Deus fiel, De todo pecado e transgressão. Tem misericórdia, ó Deus Senhor, Tem misericórdia em toda a aflição. Mostra-nos tua misericórdia, Conforme nossa esperança em ti. Em ti esperamos, amado Senhor, Jamais nos deixes passar vergonha. Ambos os coros AMÉM.

Um hino da Santa Igreja Cristã do cap. 12 do Apocalipse. Martinho Lutero

1 - Ela me é cara, a digna moça, e não consigo esquecê-la. Fazem-lhe elogios, enaltecem-na e dizem: Ela tomou conta de meu coração. Tenho-lhe afeição, e se eu tiver grande desgraça, isso não importa. Ela quer recompensar-me com seu amor e sua fidelidade, com os quais ela me auxiliará, e satisfará todos os meus desejos.

2 - Ela porta uma coroa de ouro tão puro, em que brilham doze estrelas, sua veste é bela como o sol, brilhando forte e até longe. E sobre a lua repousam seus pés; ela é a noiva comprometida com o Senhor. Sente dores [de parto] e haverá de dar à luz uma bela criança, o nobre Filho e Senhor do mundo inteiro, a ele está sujeita.

[463] 3 - Isso enfurece o velho dragão que quer devorar a criança; sua fúria é totalmente vã, ele não o conseguirá. Pois a criança ao alto céu é alçada, e o deixa bufando violentamente sobre a terra. A mãe tem que ficar bem sozinha, mas Deus quer protegê-la e ser o verdadeiro Pai.

Canção infantil para o Natal de Cristo Martinho Lutero

1- Dos altos céus eu venho, trago-vos boa novidade, tanta novidade trago, dela quero falar e cantar.

2 - Nasceu-vos hoje um bebé de uma virgem eleita, criancinha tão tenra e delicada, ela há de ser vossa alegria e prazer.

3 - É o Senhor Cristo, nosso Deus, que vos tirará de toda a miséria. Ele próprio quer ser vosso salvador, purificar de todos os pecados.

4 - Ele vos traz toda a bem-aventurança preparada por Deus Pai:que conosco no reino dos céus vivais agora e eternamente.

5- Prestai atenção para este sinal: a manjedoura, fraldas muito simples, ali encontrareis deitada a criança que sustenta e carrega o mundo inteiro.

6- Regozijemos por isso todos e entremos com os pastores para ver o que Deus nos proporcionou, o que nos concedeu com seu amado Filho.

7- Presta atenção, meu coração e olha ali: Quem é que está deitado na manjedoura?
Quem é este lindo menininho? É o caro Jesusinho.

8- És bem-vindo, nobre hóspede, não desprezaste o pecador, e vens a mim, para a terra estranha, como hei de agradecer-te?

9 - Ah, Senhor, criador de todas as coisas, como te rebaixaste tanto, a ponto de estares deitado sobre capim seco de que se alimentavam um boi e um burro.

[461] 10 - E se o mundo fosse muitas vezes maior, feito de ouro e pedras preciosas, ainda assim seria pequeno demais para ti, para ser um estreito bercinho.

11- Teu veludo e seda são grosseira palha e fraldinhas, sobre elas, ó rei tão grande e rico, brilhas como se fosse teu reino celestial.

12 - Portanto a ti aprouve mostrar-me a verdade: que todo poder, glória e riqueza do mundo perante ti nada valem, nada adiantam nem alcançam.

13 - Ah, Jesusinho amado do meu coração, faze para ti uma caminha macia e limpa, para repousar no recôndito de meu coração, para que jamais te esqueça.

14 - Que isso me seja uma permanente alegria para dançar e cantar sem parar a extremosa canção de ninar de coração a doce melodia.

15 - Louvor e glória a Deus no extremo trono, que nos presenteia com seu próprio Filho; do que se regozija a multidão dos anjos e nos cantam esse novo ano.

Outro hino de Natal conforme a melodia anterior Mart.

1 - Dos céus veio a multidão dos anjos, Apareceu manifestamente aos pastores; Disseram-lhes: uma meiga criancinha Está deitada ali na dura manjedoura,

2 - Em Belém, cidade de Davi, Conforme o anunciou Miquéias. É o Senhor Jesus Cristo, Salvador de todos vós.

[472] 3 - Alegrai-vos, pois, com boa razão, Porque Deus tornou-se um convosco, Ele nasceu em vossa carne e sangue, O Bem Eterno é vosso irmão.

4 - Que podem fazer-nos pecado e morte? Tendes convosco o Deus verdadeiro. Deixai que se enraiveçam diabo e inferno, O Filho de Deus tornou-se vosso companheiro.

5 - Ele não quer nem pode deixar-vos, Se nele depositardes vossa esperança; Muitos podem pôr-vos à prova, Mas há de ser barrado o que sempre fica atribulando.

6 - Por fim vós tereis ganho de causa, Agora passastes a ser estirpe de Deus, Por isso dai graças a Deus em eternidade, Pacientes e contentes o tempo todo.

O hino hostis Herodes (Inimigo Herodes) segundo a melodia A solis ortus, etc. (Desde o nascer do Sol) Dr. Mart. Lutero

1- Por que temes tanto, inimigo Herodes, O nascimento de Cristo, o SENHOR? Não busca reino mortal Aquele que traz seu reino celestial.

2 - Os magos seguem a estrela, Essa luz os conduziu à luz verdadeira. [471] Com os três presentes eles confessam Que esta criança é Deus, ser humano e rei.

3 - Recebeu o batismo no Jordão, O celestial Cordeiro de Deus, Pelo que aquele que nunca cometeu pecado algum Nos lavou dos pecados.

4- Novo milagre ali aconteceu: Seis jarras de pedra ali se encontravam, Cheias de água, a qual perdeu sua natureza, Por sua palavra ela se transformou em vinho tinto.

5 - Louvor, glória e graça a ti sejam dados, [Cristo, nascido da virgem pura, Com o Pai e o Santo Espírito, Desde agora até a eternidade.]

O Pai-Nosso brevemente interpretado e musicado pelo Doutor Mart. Lutero

1 - Pai nosso, no reino celestia Que a nós todos mandas por igual Sermos irmãos e te invocar, E queres que oremos: Dá que não ore somente a boca, Ajuda que venha do fundo do coração.

2 - Santificado seja o nome teu, Ajuda a manter pura tua Palavra entre nós, Que também levemos uma vida santificada Condignamente segundo teu nome. Guarda-nos, Senhor, de falsa doutrina, Converte o pobre povo seduzido.

[464] 3 - Teu Reino venha neste tempo E depois na eternidade. O Santo Espírito nos assista Com seus diversificados dons. A ira e o grande poder de Satã Quebra, preserva dele tua Igreja.

4- Tua vontade aconteça, Senhor Deus, ao mesmo tempo Sobre a terra como no reino do céu. Dá-nos paciência em época de sofrimento. Para sermos obedientes no amor e no sofrimento. Contém e reprime a toda carne e sangue Que age contra tua vontade.

5- Dá-nos hoje o pão nosso de cada dia E o necessário para o corpo, Protege-nos, SENHOR, da desavença e disputa, De pragas e da carestia. Que tenhamos boa paz, Livres de preocupação e ganância.

6- Perdoa-nos a nossa culpa, Senhor, Que ela não mais nos entristeça. Assim como nós também a nossos devedores De bom grado perdoamos sua dívida e falta. Torna-nos todos dispostos a servir Em verdadeiro amor e unidade.

7- Não nos conduzas em tentação, SENHOR, Quando nos põe à prova o espírito maligno. A esquerda e à direita Ajuda-nos a oferecer forte resistência, Firmes e bem munidos na fé E por intermédio do consolo do Espírito Santo.

14651 8 - Livra-nos de todo o mal, A época e os dias são maus. Livra-nos da morte eterna e conforta-nos na agonia derradeira. Concede-nos também um fim venturoso, Toma nossa alma em tuas mãos.

9 - Amém, isso é, que assim seja, Fortalece nossa fé constantemente, Para que de forma alguma duvidemos Daquilo que acabamos de suplicar. Sobre tua palavra, em teu nome, Dizemos, como bem cabe, amém.

Hino sacro sobre nosso santo Batismo, de modo bem resumido o que ele é, quem o instituiu, qual seu proveito, etc. Dr. Mart. Lutero

1 - Cristo, nosso Senhor, veio ao Jordão, Segundo a vontade de seu Pai, Recebeu de S. João o Batismo, Para cumprir sua obra e ministério. [469] Ali quis instituir-nos um banho, Para lavar-nos de pecados, Afogar também a morte amarga Por seu próprio sangue e suas próprias chagas. Estava em jogo uma nova vida.

2 - Ouvi, pois, e ficai sabendo todos o que o próprio Deus declara a respeito do Batismo, E o que um cristão deve crer Para evitar bandos de hereges. Deus diz e quer que a água seja Não apenas simples água; Sua santa Palavra também está presente Com rico Espírito, sem medida. É ele quem aqui batiza.

3 - Isto ele nos demonstrou claramente Com imagens e com palavras. A voz do Pai com clareza Se ouviu ali no Jordão. Ele disse: Este é meu filho amado, no qual me comprazo, ESTE vos quero ter recomendado, Para que a ELE ouçais todos E sigais seu ensinamento.

4 - Também o Filho de Deus se encontra ali pessoalmente Em sua frágil humanidade. O Santo Espírito desce Vestido em imagem de pomba. Disto não deves duvidar Ao sermos batizados: Todas as três Pessoas batizaram, Com o que entre nós na terra Vieram morar.

5 - A seus discípulos o Senhor Cristo ordena: Ide ao mundo inteiro ensinar Que ele está perdido em pecados E deve voltar-se à penitência. [470] Quem crer e se deixar batizar Assim há de salvar-se, É considerado pessoa renascida, Que não mais pode morrer. Herdará o reino de Deus.

6 - Quem não acreditar nessa grande graça Permanecerá em seus pecados E está condenado à morte eterna, No fundo do abismo do inferno. Sua própria santidade não adianta, Todo seu fazer é vão, O pecado hereditário o torna nulo, No qual ele nasceu. É incapaz de ajudar a si próprio.

7- O olho vê apenas a água, Pessoas derramando água. A fé no Espírito entende a força Do sangue de Jesus Cristo. É para ele um rio vermelho,Tingido pelo sangue de Cristo, Que cura todo o dano Herdado de Adão, Cometido também por nós mesmos.

Hino O lux beata (O luz beata) traduzido pelo Dr. Mart. Lutero

1 - Tu, que és três em unidade, Verdadeiro Deus desde a eternidade, O sol nos deixa com o dia, Faze luzir tua luz divina.

2 - De manha, Senhor, nós te louvamos, Ao anoitecer também oramos a ti, Nosso mísero hino te enaltece Agora, sempre e eternamente.

3 - A Deus Pai seja eterna glória, A Deus Filho, que é Senhor único, E ao Consolador, Espírito Santo, Desde agora até a eternidade. Amém.

Gloria in excelsis Deo (Toda a glória e louvor sejam de Deus)

Toda a glória e louvor sejam de Deus, Somente ele é e se chama o Supremo.

Et in terra [pax]

Sua ira na terra tenha um fim, Sua paz e graça se voltem para nós. Que as pessoas nisso se comprazam, Pelo que se deve agradecer de coração. O Deus amado, louvamos-te E exaltamos-te fervorosamente. Também te adoramos de joelhos, Tua glória enaltecemos constantemente. Graças a ti em todas as ocasiões Por tua grande magnificência. Senhor Deus, no céu tu és rei, Um Pai todo-poderoso.

Tu, Senhor Jesus Cristo, És o Unigénito do Pai. Senhor, Deus, frágil cordeiro de Deus, Filho do tronco de Deus Pai, Que carregas o pecado do mundo, Sê-nos clemente, misericordioso, Que carregas o pecado do mundo, Aceita a nossa prece. Que estás sentado ao lado de teu Pai, Sê-nos clemente, misericordioso. Somente tu és e permaneces santo, Tu és o único Senhor de tudo.

Somente tu és o Supremo, Amado Salvador Jesus Cristo. Juntamente com o Pai e o Santo Espírito Igual em majestade divina. Amém, isto é certamente verdade, Toda a multidão dos anjos o professa, E o mundo inteiro em toda parte, Desde o princípio até a eternidade. AMÉM.

Litania Alemã

Christe Eleison Kyrie Eleison Cristo, Escuta-nos.

SENHOR Deus, Pai no céu, Senhor Deus Filho, Salvador do mundo, Senhor Deus, Espírito Santo,

Sê clemente conosco, Sê clemente conosco, De todos os pecados

Coro I

De todo engano De todo mal. Do engano e da astúcia do diabo De morte má e inesperada De pestilência e carestia De guerra e sangue De tumulto e discórdia De granizo e temporais Da morte eterna Por meio de teu sagrado nascimento Por meio de tua agonia e suor de sangue Por meio de tua cruz e morte Por meio de tua sagrada ressurreição e tua ascensão Em nossa hora derradeira No juízo final Nós pobres pecadores rogamos Que governes e conduzas tua santa[Igreja cristã Que preserves todos os bispos, pastores e servidores eclesiásticos na palavra salutar e numa vida[santificada Que rechaces todas as hordas e escândalos Que resgates todos os que andam no engano e todos os seduzidos Que calques a nossos pés a satanás Que envies trabalhadores fiéis a tua seara Que acompanhes a Palavra com teu Espírito e poder Que ajudes e consoles a todos os entristecidos e desalentados Que concedas paz e concórdia a todos os reis e príncipes Que sempre concedas a nosso imperador vitória contra seus inimigos Que conduzas e protejas nosso príncipe territorial com todos os nobres potentados Que abençoes e protejas nosso conselho e comunidade Que estejas presente com tua ajuda entre todos que se encontram em dificuldade e perigo Que concedas desenvolvimento alegre a todas as grávidas e crianças de peito Que cuides de todas as crianças e doentes e os protejas Que libertes todos os presos. Ouve-nos, amado Senhor Deus. Que defendas e sustentes todas as viúvas e órfãos Que te comiseres de todos os homens Que perdoes e convertas todos os nossos inimigos Que proporciones e protejas o fruto no campo E que nos ouças misericordiosamente. Ó Jesus Cristo, Filho de Deus, Ó Cordeiro de Deus, que carregas o pecado do mundo, O Cordeiro de Deus, que carregas o pecado do mundo, O Cordeiro de Deus, que carregas o pecado do mundo, Christ Eleison. Kyrie Eleison.Cristo Ouve- nos. Kyrie Eleison. AMÉM.


[1] DREHER, Martin N. A Crise e a Renovação da Igreja no Período da Reforma. São Leopoldo, Sinodal, 1996, p.8.

[2] Idem, p.9.

[3] DURANT, Will. A Reforma. Rio de Janeiro, Editira Record, 1957, p.253.

[4] DREHER, op. cit., p. 9.

[5] Idem, p.10.

[6] DREHER, Martin N. op. cit., p.11.

[7] ibidem.

[8] Idem, p.11-12.

[9] GREEN,V.H.H. Renascimento e Reforma. Lisboa, Publicações Dom Quixote, 1984,p.33.

[10] DREHER, op. cit., p.11-12.

[11] JEDIN, Hubert. Manual de História de la Iglesia. Barcelona, Editora Herder, Vol.5, 1972, p.45.

[12] DREHER, Martin N. op. cit., p.17.

[13] JEDIN, op. cit., p.48-49.

[14] DREHER, op. cit., p.18.

[15] Idem, p.19.

[16] Idem, Ibidem.

[17] JEDIN, Hubert. op. cit., p.45.

[18] DREHER, Martin N. op. cit., p.26.

[19] Idem, p.32.

[20] Idem, p.33.

[21] Idem, p.34.

[22] Idem, p.35.

[23] FORELL, George W. et. ali. Luther and Culture. Iowa, Luther College Press. Vol.04, 1960, p.180.

[24] LUTERO, Martinho. Hinos, in: Obras selecionadas vol.07. Porto Alegre: Concórdia, 2000, p.474.

[25] O Leise é o acréscimo da expressão grega "Kyrie Eleison" ao final de cada estrofe. Esta prática provém da missa medieval onde só era permitido ao povo cantar o "Kyrie Eleison". Era hábito acrescentar ao Leise às composições religiosas populares.

[26] FORELL, George W.op. cit., p.162.

[27] Idem, p. 177.

[28] Idem, p. 179.

[29] LUTERO, Martinho. op. cit., p.475.

[30] Idem, Ibidem.

[31] Idem, Ibidem.

[32] JEDIN, Hubert.op. cit., p.60.

[33] LUTERO, op. cit., p.476.

[34] KARNOPP, David. Música e Igreja: Aspectos Relevantes da Música Sacra na História do Povo de Deus / David Karnopp. – Passo Fundo: Pe. Berthier; 1999, p.35.

[35] Idem, p.203.

[36] Livros de oito canções.

[37] Este hino foi escrito em 1523 e geralmente é reconhecido como sendo o primeiro de Lutero.

[38] KARNOPP, David. op. cit., p.37.

[39] Idem, p.36-37.

[40] SCHLUPP, Walter O. Os Hinos. In: LUTERO, Martinho, Pelo Evangelho de Cristo, Porto Alegre, São Leopoldo, Concórdia Editora Ltda, Editora Sinodal, 1984, p.215.

[41] LUTERO, Martinho. op. cit., p.474.

[42] SCHALK, Carl F.. LUTERO e a Música: paradigmas de louvor. Trad. Werner Ewald – São Leopoldo: Sinodal, 2006, p.3.

[43] KARNOPP, David. op. cit., p.34.

[44] JUST, Gustav. Deus Despertou Lutero / Gustav Just; tradução de Gastão Thomé. – 2. ed. – Porto Alegre: Concórdia, 2003, p. p.107.

[45] KARNOPP, op. cit., p. 34.

[46] KARNOPP, David. op. cit., p.41-42.

[47] Idem, p.42.

[48] Idem, p.43-44.

[49] RYDEN, Ernest Edwin. The Story of Our Hymns. 6. Ed. Rock Island, Augustana, 1949, p. 48-51.

[50] KARNOPP, David. op. cit., p.39.

[51] Edição de Weimar das Obras de Lutero, volume 18 pág. 123, linhas 19 e seguintes.

[52] JUST, Gustav. op. cit., p. 106.

[53] RYDEN, Ernest Edwin. op. cit., p. 53

[54] JUST, Gustav. op. cit., p. 106.

[55] LUTERO, Martinho.op. cit., p.481.

[56] FORELL, George W. op. cit., p.148-9

[57] KAYSER, Ilson. Introdução à carta de Lutero a Ludovico Senfl. Pelo Evangelho de Cristo, p.215.

[58] JUST, Gustav. op. cit., p. 106-7.

[59] KARNOPP, David.op. cit., p.41.

[60] Congregacional foi: “Voz Crentes Todos Exultai.

[61] JUST, Gustav. op. cit., p. p.107.

[62] idem.

[63] KAYSER, Ilson. op. cit., p.203.

[64] JUST, op. cit., p.107.

[65] (Edição de Weimar das Obras de Lutero, volume 05).

[66] LUTERO, Martinho. Pelo Evangelho de Cristo. Walter D. Schlupp, trad. Porto Alegre/São Leopoldo, Concórdia/Sinodal, 1984, p. 216.

[67] KAYSER, Ilson. op. cit., p.215.

[68] Idem, p.37.

[69] Idem, p.203.

[70] LUTERO, Martinho.Castelo Forte 1983. 07 de Maio de 1983.

[71] KARNOPP, David. op. cit., p.36.

[72] KAYSER, Ilson. op. cit., p.203.

[73] SCHALK, Carl F. op. cit., p.3.

[74] LANG, Paul Henry. Music in western Civilization. New York: W. W. Norton & Co., Inc., 1941. p. 207.

[75] “Prefácio à obra Symphoniae iucundae” de Jorge Rhau (1538), in Obras de Lutero, ed. Americana. Philadelphia e St. Louis: Fortress and Concordia, 1955, v.53, p. 321-23.

[76] KARNOPP, David. op. cit., p.41.

[77] LUTERO, Martinho.op. cit., p.485.

[78] LUTERO, Martinho. op. cit., p.489-90

[79] 03 O salmo "Das profundezas"

[80] LUTERO, op. Cit., p.493.

[81] LUTERO, Martinho. op. cit., p.496.

[82] Idem, p.498.

[83] Idem, p.500-501

[84] Idem, p.502.

[85] LUTERO, Martinho. op. cit., p.503-04.

[86] Em meio à vida na morte estamos a quem inquirimos ajudador a não ser a ti, senhor? Que pelos nossos pecados com justiça te encolerizas. Santo Deus, santo forte, santo e misericordioso Salvador não nos entregues à morte amarga.

[87] Em meio ao tempo de nossa vida estamos envoltos na morte: A quem buscamos, que nos dê auxílio, de quem obtenhamos graça, a não ser a ti, Senhor, somente? Que por causa de nosso pecado com justiça te iras. Santo Senhor Deus, Santo forte Deus, Santo e misericordioso Salvador, eterno Deus não permitas que nos violente a a miséria da morte amarga.

[88] LUTERO, Martinho. op. cit.., p.506

[89] Idem, p.507.

[90] Idem, p. 509.

[91] 11 Jesus Cristo, nosso Salvador, que nos afastou da ira de Deus

[92] LUTERO, op. cit., p.511-12.

[93] Idem, p.513-514.

[94] Louvado sejas Jesus Cristo, por hoje teres nascido de uma serva. Isto é verdade. Disso se alegre toda a multidão celestial. Kyrie eleison.

[95] LUTERO, Martinho. op. cit., p.513-14.

[96] Idem, p.516.

[97] Idem, p.517.

[98] Idem, p.519-520.

[99] LUTERO, Martinho. Hinos, in: Obra selecionada vol.07. Porto Alegre: Concórdia, 2005, p.521-522.

[100] Idem, p.524.

[101] Idem, p.525.

[102] Idem, p.527.

[103] LUTERO, Martinho. op. cit., p. 529.

[104] Idem, p. 530-531.

[105] Idem, p. 532.

[106] LUTERO, Martinho. op. cit., p. 532-533.

[107] Idem, p.534.

[108] Idem, Ibidem.

[109] LUTERO, Martinho. op. cit., p. 536-37.

[110] Idem, p. 538.

[111] Idem, p. 540.

[112] LUTERO, Martinho. Hinos, in: Obra selecionada vol.07. Porto Alegre: Concórdia, 2005, p. 541-542.

[113] Idem, p. 543.

[114] Idem, p. 549.

[115] 30 Canção infantil para o Natal de Cristo Martinho Lutero.

[116] LUTERO, Martinho. Hinos, in: Obra selecionada vol.07. Porto Alegre: Concórdia, 2005, p. 551.

[117] Idem, p. 554.

[118] Idem, p. 555.

[119] Idem, p. 557.

[120] Idem, p. 559

[121] Idem, p. 562.

[122] LUTERO, Martinho. Hinos, in: Obra selecionada vol.07. Porto Alegre: Concórdia, 2005, p. 563.

[123] Idem, p. 566.

[124] Esta forma em dez estrofes encontra-se somente em algumas edições

[125] Algumas edições apresentam uma sexta estrofe de "glória"

[126] Duas outras edições têm a seguinte estrofe de "glória"

[127] Algumas edições ainda contêm inícios de uma estrofe de "glória"

[128] Uma edição apresenta a seguinte estrofe final

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1 CO 1.18-25 1 CO 12.2 1 CO 15.20-28 1 CO 15.50-58 1 CO 2.1-5 1 CO 6.12-20 1 CO2.6-13 1 CORÍNTIOS 1 CR 28.20 1 JO 1 JO 1.1-10 1 JO 4.7-10 1 PE 1.13-21 1 PE 1.17-25 1 PE 1.3-9 1 PE 2.1-10 1 PE 2.18-25 1 PE 2.19-25 1 PE 2.4-10 1 PE 3.13-22 1 PE 3.15-22 1 PE 3.18-20 1 PE 4.12-17 1 PE 5.6-11 1 PEDRO 1 RS 19.4-8 1 RS 8.22-23 1 SM 1 1 SM 2 1 SM 28.1-25 1 SM 3 1 SM 3.1-10 1 TIMÓTEO 1 TM 1.12-17 1 Tm 2.1-15 1 TM 3.1-7 1 TS 1.5B-10 10 PENTECOSTES 13-25 13° APÓS PENTECOSTES 14° DOMINGO APÓS PENTECOSTES 15 ANOS 16-18 17 17º 17º PENTECOSTES 1CO 11.23 1CO 16 1º ARTIGO 1º MANDAMENTO 1PE 1PE 3 1RS 17.17-24 1RS 19.9B-21 2 CO 12.7-10 2 CO 5.1-10 2 CO 5.14-20 2 CORINTIOS 2 PE 1.16-21 2 PE 3.8-14 2 PENTECOSTES 2 TM 1.1-14 2 TM 1.3-14 2 TM 2.8-13 2 TM 3.1-5 2 TM 3.14-4.5 2 TM 4.6-8 2 TS 3.6-13 2° EPIFANIA 2° QUARESMA 20º PENTECOSTES 24º DOMINGO APÓS PENTECOSTES 25º DOMINGO PENTECOSTES 27-30 2CO 8 2º ADVENTO 2º ARTIGO 2º DOMINGO DE PÁSCOA 2TM 1 2TM 3 3 3 PENTECOSTES 3º ARTIGO 3º DOMINGO APÓS PENTECOSTES 3º DOMINGO DE PÁSCOA 3º DOMINGO NO ADVENTO 4 PENTECOSTES 41-43 4º DOMINGO APÓS PENTECOSTES 4º DOMINGO DE PENTECOSTES 4º FEIRA DE CINZAS 5 MINUTOS COM JESUS 5° APÓS EPIFANIA 500 ANOS 5MINUTOS 5º DOMINGO DE PENTECOSTES 5º EPIFANIA 5º PENTECOSTES 6º MANDAMENTO 7 ESTRELAS Abiel ABORTO ABSOLVIÇÃO ACAMPAMENTO AÇÃO DE GRAÇA ACIDENTE ACIR RAYMANN ACONSELHAMENTO ACONSELHAMENTO PASTORAL ACRÓSTICO ADALMIR WACHHOLz ADELAR BORTH ADELAR MUNIEWEG ADEMAR VORPAGEL ADMINISTRAÇÃO ADORAÇÃO ADULTÉRIO ADULTOS ADVENTISTA ADVENTO ADVERSIDADES AGENDA AIDS AILTON J. MULLER AIRTON SCHUNKE AJUDAR ALBERTO DE MATTOS ALCEU PENNING ALCOOLISMO ALEGRIA ALEMÃO ÁLISTER PIEPER ALTAR ALTO ALEGRE AM 8.4-14 AMASIADO AMBIÇÃO AMIGO AMIZADE AMOR André ANDRÉ DOS S. DREHER ANDRÉ L. KLEIN ANIVERSARIANTES ANIVERSÁRIO ANJOS ANO NOVO ANSELMO E. GRAFF ANTHONY HOEKEMA ANTIGO TESTAMENTO ANTINOMISTAS AP 1 AP 2 AP 22 AP 22.12-17 AP 3 APOCALIPSE APOLOGIA APONTAMENTOS APOSTILA ARNILDO MÜNCHOW ARNILDO SCHNEIDER ARNO ELICKER ARNO SCHNEUMANN ARREBATAMENTO ARREPENDIMENTO ARTHUR D. BENEVENUTI ARTIGO ASAS ASCENSÃO ASCLÉPIO ASSEMBLEIA ASTOMIRO ROMAIS AT AT 1 AT 1-10 AT 1.12-26 AT 10.34-43 AT 17.16-34 AT 2.1-21 AT 2.14a 36-47 AT 2.22-32 AT 2.36-41 AT 2.42-47 AT 4.32-37 AT 6.1-9 AT 7.51-60 ATANASIANO ATOS AUDIO AUGSBURGO AUGUSTO KIRCHHEIN AULA AUTO ESTIMA AUTO EXCLUSÃO AUTORIDADE SECULAR AVANÇANDO COM GRATIDÃO AVISOS AZUL E BRANCO BAIXO BATISMO BATISMO INFANTIL BELÉM BEM AVENTURADOS BENÇÃO BENJAMIM JANDT BIBLIA ILUSTRADA BÍBLIA SAGRADA BÍBLICO BINGOS BOAS NOVAS BOAS OBRAS BODAS BONIFÁCIO BOSCO BRASIL BRINCADEIRAS BRUNO A. K. SERVES BRUNO R. VOSS C.A. C.A. AUGSBURGO C.F.W. WALTHER CADASTRO CAIPIRA CALENDÁRIO CAMINHADA CAMPONESES CANÇÃO INFANTIL CANCIONEIRO CANTARES CANTICOS CÂNTICOS CANTICOS DOS CANTICOS CAPELÃO CARGAS CÁRIN FESTER CARLOS CHAPIEWSKI CARLOS W. WINTERLE CARRO CASA PASTORAL CASAL CASAMENTO CASTELO FORTE CATECISMO CATECISMO MENOR CATÓLICO CEIA PASCAL CÉLIO R. DE SOUZA CELSO WOTRICH CÉLULAS TRONCO CENSO CERIMONIAIS CÉU CHÁ CHAMADO CHARADAS CHARLES S. MULLER CHAVE BÍBLICA CHRISTIAN HOFFMANN CHURRASCO CHUVA CIDADANIA CIDADE CIFRA CIFRAS CINZAS CIRCUNCISÃO CL 1.13-20 CL 3.1-11 CLAIRTON DOS SANTOS CLARA CRISTINA J. MAFRA CLARIVIDÊNCIA CLAÚDIO BÜNDCHEN CLAUDIO R. SCHREIBER CLÉCIO L. SCHADECH CLEUDIMAR R. WULFF CLICK CLÍNICA DA ALMA CLOMÉRIO C. JUNIOR CLÓVIS J. PRUNZEL CODIGO DA VINCI COLÉGIO COLETA COLHEITA COLOSSENSES COMEMORAÇÃO COMENTÁRIO COMUNHÃO COMUNICAÇÃO CONCÓRDIA CONFIANÇA CONFIRMACAO CONFIRMAÇÃO CONFIRMANDO CONFISSÃO CONFISSÃO DE FÉ CONFISSÕES CONFLITOS CONGREGAÇÃO CONGRESSO CONHECIMENTO BÍBLICO CONSELHO CONSTRUÇÃO CONTATO CONTRALTO CONTRATO DE CASAMENTO CONVENÇÃO NACIONAL CONVERSÃO CONVITE CONVIVÊNCIA CORAL COREOGRAFIA CORÍNTIOS COROA CORPUS CHRISTI CPT CPTN CREDO CRESCENDO EM CRISTO CRIAÇÃO CRIANÇA CRIANÇAS CRIOULO CRISTÃ CRISTÃOS CRISTIANISMO CRISTIANO J. STEYER CRISTOLOGIA CRONICA CRONOLOGIA CRUCIFIXO CRUZ CRUZADAS CTRE CUIDADO CUJUBIM CULPA CULTO CULTO CRIOULO CULTO CRISTÃO CULTO DOMESTICO CULTO E MÚSICA CULTURA CURSO CURT ALBRECHT CURTAS DALTRO B. KOUTZMANN DALTRO G. TOMM DANIEL DANILO NEUENFELD DARI KNEVITZ DAVI E JÔNATAS DAVI KARNOPP DEBATE DEFICIÊNCIA FÍSICA DELMAR A. KOPSELL DEPARTAMENTO DEPRESSÃO DESENHO DESINSTALAÇÃO DEUS DEUS PAI DEVERES Devoção DEVOCIONÁRIO DIACONIA DIÁLOGO INTERLUTERANO DIARIO DE BORDO DICOTOMIA DIETER J. JAGNOW DILÚVIO DINÂMICAS DIRCEU STRELOW DIRETORIA DISCIPLINA DÍSCIPULOS DISTRITO DIVAGO DIVAGUA DIVÓRCIO DOGMÁTICA DOMINGO DE RAMOS DONS DOUTRINA DR Dr. RODOLFO H. BLANK DROGAS DT 26 DT 6.4-9 EBI EC 9 ECLESIASTES ECLESIÁSTICA ECUMENISMO EDER C. WEHRHOLDT Ederson EDGAR ZÜGE EDISON SELING EDMUND SCHLINK EDSON ELMAR MÜLLER EDSON R. TRESMANN EDUCAÇÃO EDUCAÇÃO CRISTÃ EF 1.16-23 EF 2.4-10 EF 4.1-6 EF 4.16-23 EF 4.29-32 EF 4.30-5.2 EF 5.22-33 EF 5.8-14 EF 6.10-20 ÉFESO ELBERTO MANSKE Eleandro ELEMAR ELIAS R. EIDAM ELIEU RADINS ELIEZE GUDE ELIMINATÓRIAS ELISEU TEICHMANN ELMER FLOR ELMER T. JAGNOW EMÉRITO EMERSON C. IENKE EMOÇÃO EN ENCARNAÇÃO ENCENAÇÃO ENCONTRO ENCONTRO DE CRIANÇA 2014 ENCONTRO DE CRIANÇAS 2015 ENCONTRO DE CRIANÇAS 2016 ENCONTRO PAROQUIAL DE FAMILIA ENCONTROCORAL ENFERMO ENGANO ENSAIO ENSINO ENTRADA TRIUNFAL ENVELHECER EPIFANIA ERA INCONCLUSA ERNI KREBS ERNÍ W. SEIBERT ERVINO M. SPITZER ESBOÇO ESCATOLOGIA ESCO ESCOLAS CRISTÃS ESCOLÁSTICA ESCOLINHA ESCOLINHA DOMINICAL ESDRAS ESMIRNA ESPADA DE DOIS GUMES ESPIRITISMO ESPÍRITO SANTO ESPIRITUALIDADE ESPÍSTOLA ESPORTE ESTAÇÃODAFÉ ESTAGIÁRIO ESTAGIÁRIOS ESTATUTOS ESTER ESTER 6-10 ESTRADA estudo ESTUDO BÍBLICO ESTUDO DIRIGIDO ESTUDO HOMILÉTICO ÉTICA EVANDRO BÜNCHEN EVANGELHO EVANGÉLICO EVANGELISMO EVERSON G. HAAS EVERSON GASS EVERVAL LUCAS EVOLUÇÃO ÊX EX 14 EX 17.1-17 EX 20.1-17 EX 24.3-11 EX 24.8-18 EXALTAREI EXAME EXCLUSÃO EXEGÉTICO EXORTAÇÃO EZ 37.1-14 EZEQUIEL BLUM Fabiano FÁBIO A. NEUMANN FÁBIO REINKE FALECIMENTO FALSIDADE FAMÍLIA FARISEU FELIPE AQUINO FELIPENSES FESTA FESTA DA COLHEITA FICHA FILADÉLFIA FILHO DO HOMEM FILHO PRÓDIGO FILHOS FILIPE FILOSOFIA FINADOS FLÁVIO L. HORLLE FLÁVIO SONNTAG FLOR DA SERRA FLORES Formatura FÓRMULA DE CONCÓRDIA Fotos FOTOS ALTO ALEGRE FOTOS CONGRESSO DE SERVAS 2010 FOTOS CONGRESSO DE SERVAS 2012 FOTOS ENCONTRO DE CRIANÇA 2012 FOTOS ENCONTRO DE CRIANÇAS 2013 FOTOS ENCONTRO ESPORTIVO 2012 FOTOS FLOR DA SERRA FOTOS P172 FOTOS P34 FOTOS PARECIS FOTOS PROGRAMA DE NATAL P34 FP 2.5-11 FP 3 FP 4.4-7 FP 4.4-9 FRANCIS HOFIMANN FRASES FREDERICK KEMPER FREUD FRUTOS DO ES GÁLATAS GALILEU GALILEI GATO PRETO GAÚCHA GELSON NERI BOURCKHARDT GENESIS GÊNESIS 32.22-30 GENTIO GEOMAR MARTINS GEORGE KRAUS GERHARD GRASEL GERSON D. BLOCH GERSON L. LINDEN GERSON ZSCHORNACK GILBERTO C. WEBER GILBERTO V. DA SILVA GINCANAS GL 1.1-10 GL 1.11-24 GL 2.15-21 GL 3.10-14 GL 3.23-4.1-7 GL 5.1 GL 5.22-23 GL 6.6-10 GLAYDSON SOUZA FREIRE GLEISSON R. SCHMIDT GN 01 GN 1-50 GN 1.1-2.3 GN 12.1-9 GN 15.1-6 GN 2.18-25 GN 21.1-20 GN 3.14-16 GN 32 GN 45-50 GN 50.15-21 GRAÇA DIVINA GRATIDÃO GREGÓRIO MAGNO GRUPO GUSTAF WINGREN GUSTAVO D. SCHROCK HB 11.1-3; 8-16 HB 12 HB 12.1-8 HB 2.1-13 HB 4.14-16 5.7-9 HC 1.1-3 HC 2.1-4 HÉLIO ALABARSE HERIVELTON REGIANI HERMENÊUTICA HINÁRIO HINO HISTÓRIA HISTÓRIA DA IGREJA ANTIGA E MEDIEVAL HISTÓRIA DO NATAL HISTORINHAS BÍBLICAS HL 10 HL 164 HOMILÉTICA HOMOSSEXUALISMO HORA LUTERANA HORST KUCHENBECKER HORST S MUSSKOPF HUMOR IDOSO IECLB IELB IGREJA IGREJA CRISTÃ IGREJAS ILUSTRAÇÃO IMAGEM IN MEMORIAN INAUGURAÇÃO ÍNDIO INFANTIL INFERNO INFORMATIVO INSTALAÇÃO INSTRUÇÃO INTRODUÇÃO A BÍBLIA INVESTIMENTO INVOCAÇÕES IRINEU DE LYON IRMÃO FALTOSO IROMAR SCHREIBER IS 12.2-6 IS 40.1-11 IS 42.14-21 IS 44.6-8 IS 5.1-7 IS 50.4-9 IS 52.13-53-12 IS 53.10-12 IS 58.5-9a IS 61.1-9 IS 61.10-11 IS 63.16 IS 64.1-8 ISACK KISTER BINOW ISAGOGE ISAÍAS ISAQUE IURD IVONELDE S. TEIXEIRA JACK CASCIONE JACSON J. OLLMANN JARBAS HOFFIMANN JEAN P. DE OLIVEIRA JECA JELB JELB DIVAGUA JEOVÁ JESUS JN JO JO 1 JO 10.1-21 JO 11.1-53 JO 14 JO 14.1-14 JO 14.15-21 JO 14.19 JO 15.5 JO 18.1-42 JO 2 JO 20.19-31 JO 20.8 JO 3.1-17 JO 4 JO 4.5-30 JO 5.19-47 JO 6 JO 6.1-15 JO 6.51-58 JO 7.37-39 JO 9.1-41 JOÃO JOÃO 20.19-31 JOÃO C. SCHMIDT JOÃO C. TOMM JOÃO N. FAZIONI JOEL RENATO SCHACHT JOÊNIO JOSÉ HUWER JOGOS DE AZAR JOGRAL JOHN WILCH JONAS JONAS N. GLIENKE JONAS VERGARA JOSE A. DALCERO JOSÉ ACÁCIO SANTANA JOSE CARLOS P. DOS SANTOS JOSÉ ERALDO SCHULZ JOSÉ H. DE A. MIRANDA JOSÉ I.F. DA SILVA JOSUÉ ROHLOFF JOVENS JR JR 28.5-9 JR 3 JR 31.1-6 JUAREZ BORCARTE JUDAS JUDAS ISCARIOTES JUDAS TADEU JUMENTINHO JUSTIFICAÇÃO JUVENTUDE KARL BARTH KEN SCHURB KRETZMANN LAERTE KOHLS LAODICÉIA LAR LC 12.32-40 LC 15.1-10 LC 15.11-32 LC 16.1-15 LC 17.1-10 LC 17.11-19 LC 19 LC 19.28-40 LC 2.1-14 LC 23.26-43 LC 24 LC 24.13-35 LC 3.1-14 LC 5 LC 6.32-36 LC 7 LC 7.1-10 LC 7.11-16 LC 7.11-17 LC 9.51-62 LEANDRO D. HÜBNER LEANDRO HUBNER LEI LEIGO LEIGOS LEITORES LEITURA LEITURAS LEMA LENSKI LEOCIR D. DALMANN LEONARDO RAASCH LEOPOLDO HEIMANN LEPROSOS LETRA LEUPOLD LIBERDADE CRISTÃ LIDER LIDERANÇA LILIAN LINDOLFO PIEPER LINK LITANIA LITURGIA LITURGIA DE ADVENTO LITURGIA DE ASCENSÃO LITURGIA DE CONFIRMAÇÃO LITURGIA EPIFANIA LITURGIA PPS LIVRO LLLB LÓIDE LOUVAI AO SENHOR LOUVOR LUCAS ALBRECHT LUCIFER LUCIMAR VELMER LUCINÉIA MANSKE LUGAR LUÍS CLAUDIO V. DA SILVA LUIS SCHELP LUISIVAN STRELOW LUIZ A. DOS SANTOS LUTERANISMO LUTERO LUTO MAÇONARIA MÃE MAMÃE MANDAMENTOS MANUAL MARCÃO MARCELO WITT MARCIO C. PATZER MARCIO LOOSE MARCIO SCHUMACKER MARCO A. CLEMENTE MARCOS J. FESTER MARCOS WEIDE MARIA J. RESENDE MÁRIO SONNTAG MÁRLON ANTUNES MARLUS SELING MARTIM BREHM MARTIN C. WARTH MARTIN H. FRANZMANN MARTINHO LUTERO MARTINHO SONTAG MÁRTIR MATERNIDADE MATEUS MATEUS KLEIN MATEUS L. LANGE MATRIMÔNIO MAURO S. HOFFMANN MC 1.1-8 MC 1.21-28 MC 1.4-11 MC 10.-16 MC 10.32-45 MC 11.1-11 MC 13.33-37 MC 4 MC 4.1-9 MC 6.14-29 MC 7.31-37 MC 9.2-9 MEDICAMENTOS MÉDICO MELODIA MEMBROS MEME MENSAGEIRO MENSAGEM MESSIAS MÍDIA MILAGRE MINISTÉRIO MINISTÉRIO FEMENINO MIQUÉIAS MIQUÉIAS ELLER MIRIAM SANTOS MIRIM MISSÃO MISTICISMO ML 3.14-18 ML 3.3 ML NEWS MODELO MÔNICA BÜRKE VAZ MORDOMIA MÓRMOM MORTE MOVIMENTOS MT 10.34-42 MT 11.25-30 MT 17.1-9 MT 18.21-45 MT 21.1-11 MT 28.1-10 MT 3 MT 4.1-11 MT 5 MT 5.1-12 MT 5.13-20 MT 5.20-37 MT 5.21-43 MT 5.27-32 MT 9.35-10.8 MULHER MULTIRÃO MUSESCORE MÚSICA MÚSICAS NAAÇÃO L. DA SILVA NAMORADO NAMORO NÃO ESQUECER NASCEU JESUS NATAL NATALINO PIEPER NATANAEL NAZARENO DEGEN NEEMIAS NEIDE F. HÜBNER NELSON LAUTERT NÉRISON VORPAGEL NILO FIGUR NIVALDO SCHNEIDER NM 21.4-9 NOITE FELIZ NOIVADO NORBERTO HEINE NOTÍCIAS NOVA ERA NOVO HORIZONTE NOVO TESTAMENTO O HOMEM OFERTA OFÍCIOS DAS CHAVES ONIPOTENCIA DIVINA ORAÇÃO ORAÇAODASEMANA ORATÓRIA ORDENAÇAO ORIENTAÇÕES ORLANDO N. OTT OSÉIAS EBERHARD OSMAR SCHNEIDER OTÁVIO SCHLENDER P172 P26 P30 P34 P36 P40 P42.1 P42.2 P70 P95 PADRINHOS PAI PAI NOSSO PAIS PAIXÃO DE CRISTO PALAVRA PALAVRA DE DEUS PALESTRA PAPAI NOEL PARA PARA BOLETIM PARÁBOLAS PARAMENTOS PARAPSICOLOGIA PARECIS PAROQUIAL PAROUSIA PARTICIPAÇÃO PARTITURA PARTITURAS PÁSCOA PASTOR PASTORAL PATERNIDADE PATMOS PAUL TORNIER PAULO PAULO F. BRUM PAULO FLOR PAULO M. NERBAS PAULO PIETZSCH PAZ Pe. ANTONIO VIEIRA PEÇA DE NATAL PECADO PEDAL PEDRA FUNDAMENTAL PEDRO PEM PENA DE MORTE PENEIRAS PENTECOSTAIS PENTECOSTES PERDÃO PÉRGAMO PIADA PIB PINTURA POEMA POESIA PÓS MODERNIDADE Pr BRUNO SERVES Pr. BRUNO AK SERVES PRÁTICA DA IGREJA PREEXISTÊNCIA PREGAÇÃO PRESÉPIO PRIMITIVA PROCURA PROFECIAS PROFESSORES PROFETA PROFISSÃO DE FÉ PROGRAMAÇÃO PROJETO PROMESSA PROVA PROVAÇÃO PROVÉRBIOS PRÓXIMO PSICOLOGIA PV 22.6 PV 23.22 PV 25 PV 31.28-30 PV 9.1-6 QUARESMA QUESTIONAMENTOS QUESTIONÁRIO QUESTIONÁRIO PLANILHA QUESTIONÁRIO TEXTO QUINTA-FEIRA SANTA QUIZ RÁDIO RADIOCPT RAFAEL E. ZIMMERMANN RAUL BLUM RAYMOND F. SURBURG RECEITA RECENSÃO RECEPÇÃO REDENÇÃO REENCARNAÇÃO REFLEXÃO REFORMA REGIMENTO REGINALDO VELOSO JACOB REI REINALDO LÜDKE RELACIONAMENTO RELIGIÃO RENATO L. REGAUER RESSURREIÇÃO RESTAURAR RETIRO RETÓRICA REUNIÃO RICARDO RIETH RIOS RITO DE CONFIRMAÇÃO RITUAIS LITURGICOS RM 12.1-18 RM 12.1-2 RM 12.12 RM 14.1-12 RM 3.19-28 RM 4 RM 4.1-8 RM 4.13-17 RM 5 RM 5.1-8 RM 5.12-21 RM 5.8 RM 6.1-11 RM 7.1-13 RM 7.14-25a RM 8.1-11 RM 8.14-17 ROBERTO SCHULTZ RODRIGO BENDER ROGÉRIO T. BEHLING ROMANOS ROMEU MULLER ROMEU WRASSE ROMUALDO H. WRASSE Rômulo ROMULO SANTOS SOUZA RONDÔNIA ROSEMARIE K. LANGE ROY STEMMAN RT 1.1-19a RUDI ZIMMER SABATISMO SABEDORIA SACERDÓCIO UNIVERSAL SACERDOTE SACOLINHAS SACRAMENTOS SADUCEUS SALMO SALMO 72 SALMO 80 SALMO 85 SALOMÃO SALVAÇÃO SAMARIA Samuel F SAMUEL VERDIN SANTA CEIA SANTIFICAÇÃO SANTÍSSIMA TRINDADE SÃO LUIS SARDES SATANÁS SAUDADE SAYMON GONÇALVES SEITAS SEMANA SANTA SEMINÁRIO SENHOR SEPULTAMENTO SERMÃO SERPENTE SERVAS SEXTA FEIRA SANTA SIDNEY SAIBEL SILVAIR LITZKOW SILVIO F. S. FILHO SIMBOLISMO SÍMBOLOS SINGULARES SISTEMÁTICA SL 101 SL 103.1-12 SL 107.1-9 SL 116.12-19 SL 118 SL 118.19-29 SL 119.153-160 SL 121 SL 128 SL 142 SL 145.1-14 SL 146 SL 15 SL 16 SL 19 SL 2.6-12 SL 22.1-24 SL 23 SL 30 SL 30.1-12 SL 34.1-8 SL 50 SL 80 SL 85 SL 90.9-12 SL 91 SL 95.1-9 SL11.1-9 SONHOS SOPRANO Sorriso STAATAS STILLE NACHT SUMO SACERDOTE SUPERTIÇÕES T6 TEATRO TEMA TEMPLO TEMPLO TEATRO E MERCADO TEMPO TENOR TENTAÇÃO TEOLOGIA TERCEIRA IDADE TESES TESSALÔNICA TESTE BÍBLICO TESTE DE EFICIÊNCIA TESTEMUNHAS DE JEOVÁ Texto Bíblico TG 1.12 TG 2.1-17 TG 3.1-12 TG 3.16-4.6 TIAGO TIATIRA TIMÓTEO TODAS POSTAGENS TRABALHO TRABALHO RURAL TRANSFERENCIA TRANSFIGURAÇÃO TRICOTOMIA TRIENAL TRINDADE TRÍPLICE TRISTEZA TRIUNFAL Truco Turma ÚLTIMO DOMINGO DA IGREJA UNIÃO UNIÃO ESTÁVEL UNIDADE UNIDOS PELO AMOR DE DEUS VALDIR L. JUNIOR VALFREDO REINHOLZ VANDER C. MENDOÇA VANDERLEI DISCHER VELA VELHICE VERSÍCULO VERSÍCULOS VIA DOLOROSA VICEDOM VÍCIO VIDA VIDA CRISTÃ VIDENTE VIDEO VIDEOS VÍDEOS VILS VILSON REGINA VILSON SCHOLZ VILSON WELMER VIRADA VISITA VOCAÇÃO VOLMIR FORSTER VOLNEI SCHWARTZHAUPT VOLTA DE CRISTO WALDEMAR REIMAN WALDUINO P.L. JUNIOR WALDYR HOFFMANN WALTER L. CALLISON WALTER O. STEYER WALTER T. R. JUNIOR WENDELL N. SERING WERNER ELERT WYLMAR KLIPPEL ZC ZC 11.10-14 ZC 9.9-12