E por falar em saudade...
A cada ano, na época de finados, o coração de muita gente fica um pouco mais “apertado”. É um momento de lembrança de alguém muito querido que não está mais em nosso meio. O que resta é a saudade, um sentimento comum de cada um. Quem nunca teve saudade! Sentimos a falta daquele que viajou e, acima de tudo, sentimos muito mais a falta daquele que partiu definitivamente, com a sua morte. Muitas perguntas/dúvidas surgem, como por exemplo: posso chorar pelos mortos? Posso ir ao cemitério levar flores para colocá-las sobre o túmulo? Etc. A intenção desta reflexão é ajudá-lo a compreender que a morte e não é o fim de tudo, mas ela reforça nossas esperanças de uma outra vida.
Quando falamos sobre a morte, há pessoas que se revoltam, querem justiça (especialmente quando houve uma morte provocada por assassinato, por exemplo) e não percebem que a verdadeira justiça vem de Deus. Este sentimento definitivamente não traz a pessoa de volta. Conviver com a situação, por mais traumática que ela tenha sido, se torna o grande desafio do ser humano. Perdoar os outros, refletindo maturidade espiritual é, sem dúvida, um grande alvo a ser alcançado. Enfim, e acima de tudo, ainda podemos confiar nas promessas de Deus e viver a expectativa da ressurreição de todos os mortos.
Não vamos mudar nada. Aliás, nem os próprios mortos são capazes de fazer coisa alguma, conforme diz Ec 9.5: “Porque os vivos sabem que hão de morrer, mas os mortos não sabem coisa nenhuma, nem tão pouco terão eles recompensa, porque a sua memória jaz no esquecimento”. Com a morte, portanto, o ser humano rompe com o “aqui e agora” e parte para uma outra vida. Não há comunicação com os mortos. Por si só, este fato indica que lamentarmos eternamente a morte pode não nos dar forças para alcançarmos os nossos objetivos aqui neste mundo. Não podemos atrelar a nossa vida ao passado. Com ele aprendemos a viver o presente e projetar o futuro. A única coisa que nos resta é aguardar a ressurreição. Viver esta promessa ainda é o melhor consolo que temos em Deus, nosso Senhor.
Neste momento, talvez , seja interessante olhar um pouco para dentro de nós mesmos. Fazendo uma avaliação crítica do nosso comportamento perante os outros, facilita percebermos que nem sempre temos sido bons exemplos ou espelhos. Quando morrermos, os outros vão chorar a nossa morte ou dizer: graças a Deus! Pensando nisso, nos preocupa o fato de encontrarmos pessoas que gostam de rogar a morte do outro afirmando: “tomara que você morra!” Que coisa triste é ver coisas assim! Não imaginamos a extensão daquilo que significa a morte de alguém.Por mais difícil que seja o ser humano, imagino que a pena máxima, a morte, nem sempre traz os benefícios para a sociedade. Acredito que o ser humano tenha dificuldade em conviver com as dificuldades, com o diferente e, por isso, tenta minimizar, “apagando” a vida de alguém.
A morte, como conseqüência do pecado, vem acompanhando os homens de todos os tempos, desde Adão até hoje. Mas ela não é o fim. Consideramos o começo/passagem para uma nova vida. Não precisamos temê-la. Infelizmente tem gente que não quer morrer porque está muito preso aos bens materiais. No cemitério, ninguém consegue levar a sua casa, jóias.... Além disso, a experiência tem nos mostrado que, mesmo que a família tenha perdido um “esteio” (alguém que sustentava a casa), ela encontra recursos para a sua sobrevivência. Quando isto ocorre abre-se uma grande possibilidade da sociedade (parentes, amigos, vizinhos, etc) agir, através da diaconia (serviço) em favor dos enlutados.
Por isso, nada impede que os vivos se lembrem dos mortos, até porque sabem que um dia estarão na mesma situação. Alguns até consideram que, ao irem ao cemitério, as pessoas estejam preparando o seu próprio caminho para a sua morte. Para o cristão, no entanto, ir ao cemitério ou não, não muda a sua postura frente à morte. Também não é necessário (nem proibido!) que vá ao cemitério no dia de finados. Inclusive em qualquer outra época do ano poderá também fazer a limpeza e pintura do túmulo.
Ter saudade é comum a todos. Nada nos proíbe chorar pelos que foram. Mas, a certeza e a esperança que temos na ressurreição é o fator que nos alimenta e dá forças e consolo enquanto aguardamos a ressurreição e a vida eterna.