MATEUS O PUBLICANO – Lc 5.27,28
(Jó 32.21; Mt 9.9-13; Lc 5.27-32; Mc 2.13-17; At 10.28, 34-35 Sl 51.1-19)
Objetivos desta lição:
a-Demonstrar que Jesus jamais teve qualquer tipo de preconceito racial ou social.
b-Evidenciar a coragem de Jesus para romper com todos os preconceitos de seu tempo, a respeito da reação vigorosa das autoridades religiosas.
c-Mostrar que Jesus deve ser nosso modelo, os preconceitos nos impeçam de levar a mensagem de salvação aos perdidos.
Introdução:
Não é muito fácil falar sobre Mateus. Além do registro de sua vocação por Jesus (Lc 5.27, Mc 2.14 e Mt 9.9) e do banquete que logo em seguida ofereceu aos seus colegas de profissão (Lc 5.29, Mc 2.15-16 e Mt 9.10-11) com o objetivo de colocá-los lado a lado com aquele que mudara os rumos de sua vida, nada mais se diz sobres ele nos evangelhos. Apenas o seu nome é citado na relação dos doze (Mt 10.2-4). Nas narrativas de sua vocação por JESUS, Marcos e Lucas preferem chamá-lo de Levi, o que levou alguns comentaristas a crerem que ele poderia teu um nome duplo, Mateus Levi ou Levi Mateus.
As cartas e o livro de Atos se calam acerca dele. O pouco ou quase nada que se conhece vem da tradição extrabíblica. Eusébio, no seu livro “História Eclesiástica”, fala sobre a tradição de que o seu evangelho teria sido escrito originariamente em aramaico e mais tarde traduzido por ele próprio para o grego. Do pouco que temos, contudo, podemos retirar alguns aspectos para nossa edificação que escolhi dividir em três partes.
1. O PUBLICANO.
Mateus era um publicano, o que por si só, já era um estigma. A profissão era relativamente nova em Israel. Havia sido introduzida pelos romanos que, para não se envolverem na experiência desagradável de cobrar os impostos desumanos que impunham aos seus conquistados, utilizavam pessoas dos próprios povos conquistados na execução dessa função. Conseguir quem se dispusesse a realizar esse tipo de trabalho não era difícil. Primeiro, porque a pobreza era muito grande, provocada pela ausência de dinheiro circulante, em face dos excessivos impostos cobrados pelo Império Romano. Daí a disposição de alguns de se tornarem desprezíveis diante de seu próprio povo (Mt 9.11) para adquirir um sustento seguro e permanente. Segundo, porque, além de segura, era uma atividade fácil de ser desviada para a corrupção. Os publicanos, em sua maioria, cobravam mais do que o devido para com isso enriquecer. Este era mais um motivo gerador do desprezo dos seus irmãos.
Mateus era, portanto, o tipo de indivíduo de quem a sociedade não se aproximava, Jesus, porém, como sempre, não agiu segundo o conselho dos homens. Ao vê-lo sentado na coletoria, amou-o da mesma forma que amou a Natanael, apesar de não poder dizer de Mateus o mesmo que declarou de Natanael: “Eis um verdadeiro israelita em quem não há dolo” (Jo 1.47). Apesar da diferença de caráter, ambos foram chamados a ser seus discípulos e, mais tarde, apóstolos. O chamado do Senhor jamais tem qualquer coisa a ver com a nossa aparência ou maneira de ser. Ele concede a mesma oportunidade a todos, indistintamente.
Como disse Pedro em Atos 10.34: “Reconheço, por verdade, que Deus não faz acepção de pessoas”. A vida de Jesus foi um exemplo para a eternidade de ausência absoluta de qualquer preconceito humano, porque tinha o poder para transformar a vida de qualquer ser humano, detivesse a justiça que procede da prática da Lei, como Natanael, ou estivesse profundamente mergulhado no pecado, como Mateus.
2. TESTEMUNHA
Embora os textos que falam da chamada de Mateus não se aprofundem, é relativamente fácil perceber a conversão dramática por que ele passou. Logo após o seu encontro com Jesus, ele sentiu em seu coração o desejo de que seus colegas de profissão conhecessem aquele que transformara o seu ser, dando-lhe alegria e paz que sempre almejara, mas nunca encontrara. Para isso, reuniu-os no que Lucas diz ter sido um grande banquete (Lc 5.29), embora o próprio Mateus se limite a comentar o que aconteceu durante o evento sem chamá-lo sequer de jantar. Apenas a expressão “à mesa” (Mt 9.10) deixa entrever que era uma refeição. O destaque está em que Mateus não esperou muito para começar a anunciar a salvação que Jesus oferecia, talvez não o tenha feito com tanta presteza quanto à mulher samaritana, mas a sua demora se deu por motivos justos, o tempo necessário para chamar os convidados e o acerto de uma data que atendesse a todos. Essa deveria ser a atitude natural de todo aquele que conhece a Jesus, a experiência de regeneração é algo tão extraordinário, que não pode ser descrita com palavras. Ela revoluciona o interior daquele que é visitado pela graça, dando-lhe alegria, paz, segurança, esperança, direção e, acima de tudo, a convicção da presença do Espírito do Senhor em sua vida. Testemunhar, ou seja, empenhar-se em levar outros a ter a mesma experiência, deveria ser algo tão natural quanto comer ou beber, seja pela palavra, seja pela vida.
3. O ESCRITOR
O autor do primeiro evangelho não se identificou, da mesma forma que os autores dos outros três. Sem dúvida, a iniciativa foi intencional. O objetivo da obra era chamar a atenção para a pessoa do Senhor Jesus, e qualquer coisa que, na visão do autor, pudesse desviar essa atenção para outro objetivo foi omitida, contudo, a igreja, desde os seus primórdios, jamais colocou dúvida quanto à sua autoria, atribuindo-a a Mateus.
Alguns comentaristas modernos discordam dessa tradição, uma das restrições prende-se ao fato dele ter sido um simples publicano. Os autores dessa alegação se esquecem, ou ignoram, que, para exercer aquela profissão, era necessário conhecer pelo menos três idiomas: o seu próprio (no caso de Mateus, o aramaico), o latim (para poder se relacionar com os patrões, incluindo a responsabilidade de fazer relatórios e demonstrações contábeis) e o grego, que era a língua corrente da região que margeava o lado oriental do Mar Mediterrâneo. Os judeus que viviam fora de Israel, em sua grande maioria, já não dominavam mais o idioma materno, porém, além da língua falada nos países em que viviam, dominavam o grego. Daí o publicano ter de conhece-lo.
Mateus não era, portanto, alguém sem cultura, como desejam fazer crer os que combatem sua autoria do primeiro evangelho. Isso se manifesta em toda a sua obra. O seu evangelho é o mais completo dos quatro. Nele há um equilíbrio perfeito entre as narrativas dos atos e dos discursos de Jesus. É o único que registra na íntegra o Sermão do Monte. Todos os discursos de Jesus são dispostos em blocos muito bem distribuídos no corpo da obra, é ainda o único que anota alguns ensinamentos sobre o comportamento da Igreja (Mt 18). Por esses motivos, foi o mais importante dos quatro evangelhos durante a maior parte da vida da Igreja Cristã. Aos poucos, os demais foram conquistando seu espaço, sem que o de Mateus perdesse o reconhecimento de seu valor.
A contribuição de Mateus para a vida da Igreja Cristã é inestimável.
Qual tem sido a nossa contribuição? Temos perguntado ao Senhor o que ele reservou para cada um de nós fazer? Temos procurado fazer?
CONCLUSÃO:
Conquanto disponhamos de pouco materiais sobre a vida de Mateus, o pequeno registro de sua chamada, seguida do banquete que ofereceu, deixa-nos dois grandes desafios: atender prontamente ao chamado do Senhor para assumir a vocação que tem reservada para os seus; e nos entregar de imediato à obra de conquistar outros para Jesus. Amém!
SOLI DEO GLÓRIA!